James Agate: A Vida de um Crítico Teatral Renomado


Tenho certeza que Sir Ian McKellen pode estar na seleta lista de indicados ao Oscar de Melhor Ator por sua atuação em The Critic. Qualquer coisa que McKellen faz é excelente e, nesse caso, está voando.

O ator interpreta Jimmy Erskine, um temido – e cruel – crítico de teatro na Londres dos anos 1930 que é gay e acaba envolvido em uma série de crimes para manter o segredo. Uma adaptação do romance Curtain Call, de Anthony Quinn, junta uma série de personagens interconectados cujas vidas se tornam emaranhadas por vários motivos, incluindo um assassinato.

O que estrangeiros não sabem, ou sabiam. é que Curtain Call é um romance que combina elementos de ficção histórica, mistério e drama, para contar vividamente como foram os anos áureos do teatro britânico.

A personagem de Jimmy é inspirada em James Agate, um renomado crítico teatral inglês, famoso principalmente por suas resenhas incisivas e espirituosas de peças e performances. Nascido em 1877, Agate inicialmente seguiu carreira no jornalismo antes de se tornar uma figura respeitada no mundo da crítica teatral e escreveu para várias publicações, incluindo The Sunday Times e The Tatler.

Agate era particularmente conhecido por suas observações afiadas e sua capacidade de capturar a essência de uma performance ou peça com algumas palavras bem escolhidas. Suas resenhas não eram apenas críticas, mas também peças deliciosas de escrita por si só, cheias de humor e um senso aguçado do mundo teatral, criando a reputação de ser justo e brutalmente honesto, o que lhe rendeu respeito e notoriedade em igual medida. Um exemplo da sagacidade de Agate pode ser visto em sua crítica de uma peça, onde ele comentou: “Por mais longa que seja, a peça é mais curta do que parece”.

Além de seu trabalho como crítico, Agate também ficou famoso por sua série de diários, conhecidos coletivamente como Ego. Esses diários, publicados em nove volumes entre 1935 e 1947, fornecem uma visão fascinante da vida cultural e social de sua época. Elas incluem não apenas seus pensamentos sobre o teatro, mas também suas reflexões sobre vários aspectos da vida, tornando-as um rico recurso para entender o período.

A sagacidade e eloquência de Agate, combinadas com sua profunda compreensão do teatro, fizeram dele uma figura significativa nos círculos literários e culturais ingleses. Ele era apaixonado pelo teatro e acreditava no seu poder único de entreter e inspirar, independentemente de seus significados ou mensagens mais profundos.

As contribuições de James Agate para a crítica literária e o teatro continuam influentes, e seus diários continuam a ser lidos por seu rico retrato do teatro e da sociedade britânicos do início do século 20. Ele faleceu em 1947, deixando para trás um legado como uma das vozes mais distintas da crítica teatral.

Em Curtain Call, e portanto The Critic, o personagem Jimmy Erskine é frequentemente considerado uma representação fictícia do crítico teatral da vida real James Agate por conta das semelhanças entre eles. A começar, claro, pela profissão, uma vez que ambos são renomados críticos teatrais e por isso estão no coração do mundo teatral, onde suas opiniões e avaliações têm influência significativa.

Assim como Agate na vida real, nas telas (e nas páginas) Erskine é conhecidos por sua sagacidade afiada e comentários mordazes, com olho aguçado para os detalhes e uma propensão a fazer críticas incisivas, geralmente com um toque de humor e sarcasmo. Essa sinceridade faz com que sejam igualmente bem relacionados mas também com vários rivais entre figuras proeminentes da indústria.

Além disso, Jimmy Erskine também tem um estilo de vida extravagante, caracterizado por seu amor pelas coisas boas da vida, incluindo boa comida, bebida e artes, desfrutando de privilégios que vêm com sua posição social e profissional. Ambos os homens lutam com demônios e vulnerabilidades pessoais envolvendo sua sexualidade e as pressões sociais da época para esconder que são gays. Erskine, claro, indo radicalmente além para manter o segredo.

O contexto histórico vale ser destacado porque se passa durante o período entre guerras e reflete a era em que James Agate viveu e trabalhou, dando profundidade às semelhanças entre as figuras fictícias e da vida real. Ao fazer um paralelo entre essas duas figuras, o livro de Anthony Quinn fornece um retrato rico e matizado de um crítico de teatro navegando pelas complexidades do mundo literário e teatral durante um período fascinante da história.



Os críticos se dividiram sobre o filme, vejam que ironia. “McKellen é a razão para ver “The Critic”. Este ator extraordinário não poderia desejar um personagem mais adequado à sua profundidade de entendimento e experiência. Cada inclinação de sua cabeça, cada curvatura de seus ombros, cada ângulo de seu chapéu e a variedade surpreendente de maneiras como ele balança um cigarro em seu lábio nos dizem quem é Erskine, o que importa para ele e como ele planeja recuperar o que considera seu status legítimo”, diz o respeitado Roger Ebert.

Já o The Hollywood Reporter, diz que “Talvez The Critic tivesse feito bem em seguir o raro conselho sincero que Jimmy oferece: “Menos”, ele conclui. “É uma adaga na alma. Mas menos é a única nota.””, reclamando do roteiro confuso. “Quase todos os personagens, exceto Jimmy, parecem subscritos e quase todos os relacionamentos são construídos em tramas artificiais”, diz o crítico do THR que ressalta o talento de Sir Ian McKellen. “The Critic é bem-sucedido em construir seu anti-herói, mas é muito confuso para dizer muito sobre ele, ou o mundo em que ele existe”.

Eu, pelo menos, não vejo a hora de conferir!


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário