Tenho uma opinião impopular e potencialmente cancelável: George R. R. Martin sempre adora a próxima adaptação da sua obra até ela ganhar “vida própria”. Com Game of Thrones, ele esteve envolvido até a 4ª temporada, se manteve neutro nas seguintes e em geral fica em cima do muro sobre a conclusão. Voltarei a isso mais à frente. Com House of the Dragon, seu atual desafeto, ele era todo amor até as mudanças na 2ª temporada (e estou com ele nesse desapontamento), portanto me perdoem por ser cínica quando agora ele não pára de elogiar Um Cavaleiro dos Sete Reinos. Está tudo bem até que não estará!
E digo isso porque o ator Peter Claff postou o anúncio de que as gravações da próxima série acabaram, começa oficialmente o cronômetro para antecipar trailers, teasers e anúncio de data de estreia.


“Adorei o que vi. Ótimo elenco. Dunk e Egg parecem ter saído das páginas do meu livro. Meus leitores vão amá-los. Eu certamente amo”, afirmou o escritor que elogiou o showrunner Ira Parker: “Está fazendo um ótimo trabalho.” Soa algo que já ouviu? Porque já. Começou o countdown para alguma reclamação do autor. É só esperar.
Está discordando? Lembre que George R.R. Martin declarou que “Já vi todos os dez episódios (embora em cortes brutos) e adorei o que vi. Ryan e Miguel e seu elenco e equipe incríveis fizeram um trabalho magnífico. Hot D é tudo o que eu esperava que fosse; sombrio, poderoso, visceral, perturbador, impressionante de se ver, povoado por personagens complexos e muito humanos trazidos à vida por alguns atores realmente incríveis”, escreveu na véspera da estreia. Avançando no tempo, ele parece ter mudado de ideia.
“Quando Ryan Condal me disse pela primeira vez o que pretendia fazer [excluir a personagem Maelor], há muito tempo (em 2022, talvez), argumentei contra, por todos esses motivos”, escreveu Martin. “No entanto, não discuti muito, nem com muita veemência. A mudança enfraqueceu a sequência, senti, mas só um pouco”, ele desabafou, listando os problemas que essa decisão criativa terá em House of the Dragon. Ele está 100% correto, mas podemos ainda assim torcer para que a alternativa funcione. Em Game of Thrones, mudanças semelhantes deram super certo, como todo arco de Sansa Stark, que ganhou outra dimensão.
É irônico, de alguma forma, que no seu Blog ele tenha sido, em geral, mais suave com GOT do que HOTD. “Como tudo isso vai acabar? Ouço as pessoas perguntando. O mesmo final do show? Diferente? Bem… sim. E não. E sim. E não. E sim. E não. E sim”, ele escreveu em 2019, ainda devendo e prometendo acabar o livro que nunca foi publicado a tempo de guiar a série. “Há personagens que nunca apareceram na tela, e outros que morreram na série, mas ainda vivem nos livros… então, se nada mais, os leitores saberão o que aconteceu com Jeyne Poole, Lady Stoneheart, Penny e seu porco, Skahaz Shavepate, Arianne Martell, Darkstar, Victarion Greyjoy, Sor Garlan, o Galante, Aegon VI e uma miríade de outros personagens, grandes e pequenos, que os espectadores da série nunca tiveram a chance de conhecer. E sim, haverá unicórnios… de uma espécie…”, ele provocou há oito anos. “Livro ou série, qual será o final “real”? É uma pergunta boba. Quantos filhos Scarlett O’Hara teve? Que tal isso? Eu escrevo. Você lê. Então, todos podem tirar suas próprias conclusões e discutir sobre isso na internet”, se esquivou.


Portanto aqui está meu argumento: o final polêmico de Game of Thrones claramente tem a ver com o que George R. R. Martin pretendia escrever há mais de 10 anos, porém, com as mudanças culturais e a reação violenta dos fãs, ele se viu impossibilitado de revelar, admitir ou justificar o que foi quase unanimamente rejeitado. O “sim. E não. E sim. E não. E sim. E não. E sim” podem ser e parecem ser SETE pontos que nós não gostamos. Quais? O sétimo é o mais determinante: SIM, a história seria para que Bran fosse o Rei e não Jon ou Daenerys. Os outros seis são menos obvios.
A reação mais rápida e veemente contra House of the Dragon tem motivações mais claras: 1) a história está escrita com início meio e fim, diferentemente de GOT 2) Experiência de ter ficado calado quando os roteiristas mudaram pontos cruciais da trama altera profundamente a conclusão da história e a essa altura diria que todos que sobreviveram ao final de Game of Thrones têm pânico do que significa “final”.

Dito tudo isso, o próprio autor reconhece que escrever para TV é bem diferente e que é preciso adaptar a trajetória para que caiba em algumas horas. Com isso, começar o projeto aprovando o que está sendo feito não é significativo. É mais importante ter essa opinião justamente quando a segunda temporada está sendo trabalhada, então falar que Um Cavalheiro dos Sete Reinos está perfeito agora é marketing, se confirmar depois, é relevante.
E sim, vamos lembrar que assim além de nos dever a conclusão da saga de GOT nos papéis, também falta a conclusão de Fogo e Sangue e o próprio Martin diz que tem mais histórias de Dunk e Egg para contar. Honestamente? Reclamar dos roteiristas que sofrem para adaptar o que não está concluído fica mais fácil, né?
Vamos agora aguardar a próxima aventura em Westeros!
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