Wicked: A história por trás da Bruxa Má do Oeste

Em 2024, completam 85 anos do lançamento do clássico O Mágico de Oz, mas, paradoxalmente, quem ganha destaque parece ser a antagonista, a Bruxa Má do Oeste, ou, como era conhecida na intimidade, Elphaba. Sua história, mudando a perspectiva da obra original é contada em Wicked, o musical estrelado por Cynthia Erivo e Ariana Grande e que estreia nos cinemas a tempo de emplacar algumas indicações ao Oscar.

O ultra premiado musical da Broadway, que ganhou ganhou três prêmios Tony e sete prêmios Drama Desk, e um Grammy, é uma adaptação do romance de mesmo nome escrito por Gregory Maguire, que reimagina a história clássica de O Mágico de Oz de uma perspectiva diferente ao fornece uma história de fundo para a antagonista do conto original de L. Frank Baum. Basicamente subverte as expectativas e mensagem da obra.

Wicked se aprofunda nos antecedentes de vários personagens, principalmente as bruxas Elphaba (a Bruxa Má do Oeste) e Glinda (a Bruxa Boa), mas inclui o próprio Mágico de Oz. No caso da conhecida antagonista, Elphaba, ele imagina como uma personagem incompreendida e complexa, em vez de uma figura puramente maligna que era o ponto de vista de Dorothy. Na perspectiva de Elphaba há outras motivações e lutas, nos fazendo questionar se poderíamos chamá-la de “vilã”.

A recepção de Wicked, tanto no livro como nos palcos variou entre os críticos justamente por “ousar” revisar um clássico tão estabelecido. O romance, Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West foi publicado em 1995 e recebeu críticas mistas. Alguns elogiaram sua reformulação imaginativa do clássico O Mágico de Oz e sua exploração complexa de temas como poder, identidade e moralidade. No entanto, alguns acharam a narrativa excessivamente densa e o tom inconsistente. Ainda assim, o romance se tornou um best-seller e desenvolveu um forte número de seguidores, principalmente entre os leitores que apreciavam sua visão mais sombria e adulta da história familiar.

O musical estreou em 2003, com música e letras de Stephen Schwartz e roteiro de Winnie Holzman e igualmente dividiu a crítica, mas foi um enorme sucesso comercial em especial pelo talento de suas protagonistas, Idina Menzel (Elphaba) e Kristin Chenoweth (Glinda). Com cenários elaborados, figurinos e efeitos especiais admirados, o musical virou um favorito do Tony, com Idina ganhando o Tony Award de Melhor Atriz em um Musical. As canções Defying Gravity e Popular viraram clássicos. Críticos contrários argumentavam que o roteiro era ainda mais fraco do que seu material de origem, tendo sacrificado justamente parte da profundidade e complexidade do romance por uma narrativa mais direta e agradável ao público. Também acharam o show excessivamente sentimental e o criticaram por sua duração e ritmo.

O público claramente discordou e Wicked se tornou um fenômeno cultural, ainda em cartaz na Broadway, com inúmeras produções internacionais e uma base de fãs dedicada. A popularidade e o sucesso financeiro do musical consolidaram seu lugar como um dos espetáculos mais influentes e amados do teatro musical contemporâneo.

Se você estiver do lado dos puristas, ainda assim, poderá apreciar o filme. Ambas as histórias exploram temas do bem contra o mal, poder e identidade, mas Wicked adiciona camadas de complexidade ao questionar o que significa ser “perverso” e como as percepções sociais podem moldar o destino de alguém. Também aborda questões como discriminação, corrupção política e a natureza do livre-arbítrio.

Agora vamos ter a explicação de como o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde surgiram, oferecendo explicações alternativas para suas condições. Também fornece contexto para as ações de Elphaba e seu eventual confronto com Dorothy.

A questão, claro, é que ao inverter os papéis, a dicotomia clara entre o bem e o mal proposta por L. Frank Baum, com Dorothy e seus amigos representando o bem, e a Bruxa Má representando o mal, perde sentido. Wicked explora a natureza do bem e do mal sugerindo que esses conceitos nem sempre são preto e branco e enquanto O Mágico de Oz incluam alegorias políticas, o livro em si é principalmente uma aventura de fantasia infantil, enquanto a versão de Maguire é rico em comentários políticos e sociais, abordando questões como discriminação, abuso de poder e a complexidade das escolhas morais.


Embora esteja na categoria de fenômeno, precisaram mais de 20 anos para que Wicked chegasse aos cinemas. Produzido pelo time de La La Land, o filme é assinado por Jon M. Chu e será dividido em duas partes, sendo que o primeiro capítulo estreia em novembro de 2024 e o segundo, em 26 de novembro de 2025.

O elenco é liderado por duas grandes estrelas da música e do teatro, Cynthia Erivo e Ariana Grande, mas também conta com as participações de Michelle Yeoh, Jeff Goldblum, Jonathan Bailey, e Keala Settle, entre outros.


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