Dependendo do contexto, esbarrar com um ex durante uma tempestade de neve que previne justamente o vôo dos dois de decolar, pode ser um pesadelo. Ou uma comédia romântica. Nesse caso, imediatamente pensamos em Meg Ryan, a “rainha dos rom-coms” e estrela de alguns dos melhores filmes do gênero das últimas décadas. Sem surpresa, para nos contar essa história, ela saiu da aposentadoria de oito anos longe das telas para nos dar O Que Acontece Depois, um filme romântico estrelado e dirigido por ela.
A sinopse do filme é simples como falei acima e é apenas o início de uma conversa franca com mais de 20 anos de validade de um ex-casal, Meg e David Duchovny, que estão indo em caminhos opostos mas foram forçados a pernoitar em um aeroporto no meio do nada, onde não conseguem se evitar ou, menos ainda, colocar em pratos limpos muitas das questões que os separou anos atrás.

É impossível passar por O Que Acontece Depois sem pensar em Nora Ephron, a diretora dos maiores sucessos da carreira de Meg Ryan e para quem ela dedica o filme. O texto é bom, o ritmo é okay, mas o material seria impactante nas mãos da diretora que infelizmente faleceu há 12 anos.
Em um cenário onde há apenas os dois principais em cena (e um locutor hilário no aeroporto, que nunca vemos), é totalmente teatral e porque, efetivamente, é uma adaptação de um sucesso da Broadway, chamado Shooting Star.
Escrita por Steven Dietz, que assina o roteiro com Meg, a peça explora as dúvidas românticas de antigos amores mal resolvidos. No caso, Bill e Willa, que embora tenham se separado amigavelmente ainda estão incomodados um com o outro por conta de suspeitas e meias verdades educadas. A noite, claramente, será longa.
Transformar um aeroporto em um lugar que é ao mesmo tempo mágico e irreal é parte da fantasia aqui, desde as músicas que tocam, às mensagens do auto-falante que são hilárias, o estranhamento vai nos vencendo e em meio à tanta falação, e tem muita, vamos nos conectando com o casal e sonhando com um mundo melhor.

Não dá para entrar em detalhes e revelar os segredos da trama porque não há uma riqueza deles. São conduzidos com mão firme de Meg Ryan, que está mais estranha repetindo o gênero neurótico/louquinho de suas personagens de 40 anos atrás e que soa fora de lugar aos 62 anos. O que equilibra é o carisma inegável de Duchovny, e – por conta da amizade dos dois astros fora das telas – a química inegável entre os dois.
Tomara que Meg Ryan se dedique ao espaço que existe para ser explorado atrás das câmeras. Além de Nora Ephron, Nancy Meyers é a diretora de rom-coms que tem maior destaque e o gênero merece ser mantido. E a dedicação à diretora, quando os créditos sobem, esquenta o coração. E faz valer checar o filme. Entrei para o time que torce pela contunuação!
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