Vamos lá gente, falou em filme noir pode contar comigo, mas é uma pena que desde que o gênero fez sucesso anos anos 1940s, raramente conseguiram chegar perto e fazer algo decente. Em parte, como um bom noir traz um detetive machão alcóolotra e uma mulher misoginamente descrita como “fatale”, ou seja, sedutora e misteriosa, nos tempos atuais é bem mais difícil entregar algo que se conecte com o público feminino. Ainda assim, chequei Calor Mortal (The Killer Heat), que me fez sofrer do início ao fim.
Regra número 1 de noir: tudo que o detetive Nick Bali (Joseph Gordon-Levitt)descreve na abertura, voltará no final. A primeira imagem é de Richard Madden escalando uma montanha na Grécia e despencando para a morte. Na cena seguinte o vemos no enterro, portanto há a velha história dos irmãos gêmeos idênticos, Leo e Elias, roboticamente interpretados por ele de forma que não dá para ver quem é quem, mas detestando ambos.

Regra número 2: quem contrata o detetive, tem algum envolvimento com o crime. No caso, a cunhada da vítima Penelope Vardakis (Shailene Woodley).
Mas vamos à trama: Após a morte acidental de Elias Vardakis, sua cunhada contrata o detetive Nick Bali para averiguar se não foi, na verdade, assassinato. Os Vardakis têm uma grande empresa de transporte com sede em Creta e não querem que a morte traumática atrapalhe os negócios. Honestamente decifrei o mistério literalmente na primeira cena, mas estou no campo em que amo, portanto imagino que se levar 10 minutos, é justo.
A história é uma adaptação do conto do escritor norueguês Jo Nesbø, “The Jealousy Man”, mas, que o leu, sentiu falta do calor e da tensão para as reviravoltas. A frieza com que a história é conduzida pelo diretor Philippe Lacôte não destaca o carisma eterno de Gordon-Levitt e reduz Shailene a cenas de piscina e praia, deixando a gente entediado muito antes de qualquer revelação. Uma pena porque há quatro anos seu Night of the Kings foi ultra elogiado.
Sem profundidade não há o essencial para filmes do gênero: Mistério. É um desfile sem fim de clichês em cenas apressadas. Pelo menos há o cenário grego para nos distrair!
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