O Pinguim: Sofia Falcone em Destaque

Homens, deveria ser desnecessário explicar, mas JAMAIS chame uma mulher de louca. Ainda menos, uma mulher inteligente e inocente. O episódio de Pinguim foi dedicado à personagem que tem roubado o protagonismo da série: Sofia Falcone (Cristin Milioti). E como a internet já gritou: Emmy? É dela.

No episódio dessa semana, mesmo que a série seja O Pinguim, o vilão (Colin Farrell) ficou nas sombras porque hoje descobrimos como the Hangman – pelo menos aqui – não é Sofia, assim como ela comeu o pão que o diabo amassou por 10 anos, apenas porque fez a pergunta errada ao pai, Carmine Falcone ( Mark Strong).

Sofia tem sido a personagem complexa e empática, embora cruel e vingativa porque ela tem que lidar com vários traumas além do machismo e da calúnia. Ela é traída virtualmente por todos que a cercam, menos o seu irmão. E a jornada de sobrevivência não tem sido fácil. A atuação de Cristin Milioti, se ainda não tinha te tirado o fôlego, faz aqui, numa viagem no tempo para um passado bem distante, um mais próximo e os dias atuais. Acompanhamos sua transformação a cada traição e violência até que quando ela executa sua vingança já estamos torcendo por muito sangue. Algo que ela nos poupou.

Nessa minissérie de oito episódios, a proposta é apresentar mais sobre Oz Cobb, um mafioso que se esforça para chegar ao topo do submundo do crime de Gotham. A inspiração portanto são os filmes e séries de gangsters, onde as mulheres são para exibir e não têm volume vocal ou de personagens. Daí também o destaque para Sofia.

Fugindo do óbvio (que hoje em dia é ter uma linguagem não linear), O Pinguim pega a história onde o filme do Batman parou, mas, se você não viu ou já esqueceu detalhes, não tem que se preocupar. Com flashbacks e explicações precisas, mesmo sem o vigilante milionário em cena (sequer o citam!), estamos aptos a acompanhar como o crime organizado está se organizando depois que o Charada (Paul Dano) destruiu parte de Gotham.

Começamos onde paramos, com Pinguim mais uma vez traindo Sofia e a abandonando à própria sorte. Ela escapa, ainda tonta da pancada que recebeu e com a descoberta do que seu ex-motorista e atual sócio vem fazendo ao longo do tempo. A Sofia da MAX é mais sombria do que a agitada e implacável que passou anos na série Gotham, mas ambas lidam com o machismo do mundo do crime.

Quando ainda tinha a função de menor prestígio, que era ser motorista da filha do Chefão, Os se aproxima dela, sempre atento em tudo e informalmente sendo seu conselheiro. Ela gosta dele, mas o subestima. Talvez porque só repetisse o que via, que eram os homens maltratando Oz, ou porque ela também era pedante, mas não tomou cuidado e foi ‘vendida’ pelo motorista, no pior momento possível.

Quando pequena, a jovem Sofia é a favorita de Carmine e ainda lida com o trauma de ter descoberto o corpo de sua mãe (enforcado) e repetir o que o pai explicou: que sua mãe tirou a própria vida. Anos depois, a mais responsável e inteligente dos Falcones, ela não tem chance de trabalhar com o pai porque é mulher, algo que no fundo ressente.

Depois de ter sido abordada por uma repórter investigando o Hangman, Sofia soma dois mais dois e chega à conclusão que sete mulheres foram mortais por seu pai, incluindo sua mãe. Por isso a traição do Pinguim é tão impactante: ao perceber que Sofia não apenas sabe da verdade mas também pode provar, Carmine está pronto para sacrificar até sua única filha, sem só ou piedade.

Acusada de crimes que não cometeu, Sofia é internada em Arkham, passando por ataques , eletrochoques e humilhações, em tese, por seis meses que viram 10 anos. Passando pelo que Sofia foi forçada a viver entendemos melhor as atrocidades de seu pai, a inabilidade e machismo de seus herdeiros e quem a traiu tanto por mentir como por abandoná-la.

E aqui fica a curiosidade. Nos quadrinhos, diferentemente do que a série até aqui, Sofia era o Carrasco (Hangman), mas agora descobrimos de forma emocionante como ela realmente abraçou um lado obscuro que não tinha. No quadrinho Dark Victory, ela é revelada por ter matado membros importantes do Departamento de Polícia de Gotham, mas chegará lá depois de ter sido vítima da crueldade de seu pai. Ficou menos pessoal para a Mulher-Gato (que é meia-irmã de Sofia), e que no filme Carmine também tentou matar. Acho que a morte dele foi suave pelo que fez.

É complexo quando nós temos empatia com um vilão e aqui, como sabemos tudo que Sofia sofreu por conta da covardia e conivência de sua família, torcemos e vibramos para sua aniquilação. Ou estou sozinha nessa?

Além de ter sido inocente com seu pai, que não titubeou em se livrar dela quando confrontado por seus crimes, Sofia errou ao fazer Oz se sentir pequeno quando ele tenta aconselhá-la. Ele está sempre atento e sabia de tudo que a jovem estava fazendo, mesmo que ela estivesse defendendo Carmine quando percebe que ele era o Hangman. Como já era ambicioso, quando é magoado pela única pessoa que o tratava bem, Oz a entrega para Carmine e sela o destino de Sofia.

A descida de Sofia à loucura e trauma enquanto presa em Arkham é sofrida e angustiante. É um episódio que grita premiação e onde Cristin nos faz sentir cada agressão e abuso com ela. Sofia não “quebra” em espírito, mas o trauma é inevitável. Pior ainda, assim nasce um monstro assustador. O mundo exterior é menos ameaçador ou assustador para ela, o que deveria deixar os outros com medo. Sabendo hoje que conspiraram com Carmine e que sabiam que Sofia era uma jovem inocente, se enganam em acreditar que ela ainda permaneceu frágil.

Depois de toda essa viagem sombria, voltamos ao presente onde Sofia quer acabar com Oz, mas antes, tem outra dívida a ser coletada. Isolada e sem aliados, Sofia planeja inverter o cenário se fortalecendo com rápido golpe vingança. Ela literalmente executa todos Falcones em um jantar de despedida, os sufocado com o gás redirecionado pela casa. Ela salva duas pessoas: sua pequena prima Gia, e Johnny Viti (Michael J. Kelly), que deixou a janela aberta, mas acorda assustado sob a mira de Sofia com uma arma. Agora temos efetivamente, um monstro do mal que não mede consequências.

E o Pinguim? Bom, ele não sabe se Sofia sobreviveu, mas agora ela sabe o que ele anda fazendo e como a segunda traição foi ainda mais pessoal do que a primeira (onde ele genuinamente não sabia que Carmine a sacrificaria sem culpa), ele sabe que está na lista dela de devedores. Na promo do penúltimo episódio ele celebra o fato de que Sofia eliminou os Falcones, restando apenas uma outra família no caminho dele para dominar o Crime em Gotham. Oz está subestimando Sofia mais uma vez. Espero que não a chame de louca…


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