Hoje vou me queixar de Only Murders in the Building e me reservo esse direito a cada temporada, sendo que normalmente mordo a língua logo em seguida. Agora estou com vocês, desde o episódio Barco Salva-Vidas era inédito para mim e sim, posso descartar algumas percepções e teorias que estavam erradas.
No caso de errar quem matou, é uma delícia. Porém me preocupa que a série, até hoje brilhante, esteja sendo morta pelo sucesso, desfilando um sem fim de famosos que não acrescentam e pior, tão focado em “surpreender”, está criando pegadinha. Uma ironia ainda maior ao estar explorando as técnicas de narrativa cinematográfica nessa temporada.
Pois é, Vince Fish (Richard Kind) não é Milton Dudenoff (Griffin Dunne) e sim, Dudenoff está morto. Porém, há tantos rombos nessa forçada missão de esticar um mistério simples em algo complexo que há muitas mais perguntas do que respostas. E não são boas perguntas…

Onde estamos e quem matou Dudenoff?
Como esperado, a fórmula da temporada é assim: elegemos um suspeito e no episódio seguinte destruímos essa suspeita com a contextualização da personagem. Nesse caso, os Westies passearam mais de uma vez – juntos ou separados – entre os mais prováveis assassinos. São golpistas, mentirosos, estrategistas e tinham o ângulo certo para atirar nos podcasters.
Dito isso, Charles (Steve Martin), Oliver (Martin Short) e Mabel (Selena Gomez) voltam para Manhattan para tentar decifrar “quem matou Sazz e Dudenoff”. Assim, sem maiores despedidas de uma irmã que não sabíamos que Charles tinha ou que diferença faz essa descoberta. Com a sombra e apoio dos atores que vão interpretá-los, eles mais uma vez decidem que os Westies mataram Dudenoff e voltam para o Arconia para confrontá-los.
Numa piada que Martin já tinha usado no sensacional Cliente Morto Não Paga, há o momento em que os detetives declaram sua versão do crime assim como há o clássico momento em que o assassino também confessa, contextualizando suas razões. Não é bem isso que acontece aqui porque no final das contas, conhecemos um Dudenoff solitário e benevolente, que abraçou pessoas com dificuldades e as ajudou a terem companhia, casa e propósito de vida. Ninguém o matou, ele ficou doente e acelerou seu próprio fim, criando um complexo golpe para manter seus amigos fingindo que ele tinha apenas viajado para Portugal e assim mantendo a mentira de que estaria vivo.
Espero que essa versão decepcionante seja a última a colocá-los tanto em cena como em suspeita. Talvez não seja o caso porque eles mentiram muito desde que apareceram e aqui de novo não faz sentido. Se eles estavam no porão queimando o corpo de Dudenoff, não viram o corpo de Sazz no mesmo local?
Claro que isso reforça a minha versão de que Sazz segue viva, mas se não for o caso, então o timeline não funciona.
A referência cinematográfica: Hitchcock
Todos os episódios da temporada são titulados em cima de filmes famosos e o dessa semana é Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat), um sucesso de 80 anos atrás e um dos filmes menos mencionados de Alfred Hitchcock, mas um de seus mais elogiados.
O filme é uma adaptação de uma história do escritor John Steinbeck e traz no elenco a diva Tallulah Bankhead, além de William Bendix, Walter Slezak, Mary Anderson, John Hodiak, Henry Hull, Heather Angel, Hume Cronyn e Canada Lee. A ação é 100% focada em um bote salva-vidas que é lançado ao mar de um cargueiro que foi atacado e afundado por um submarino nazista. Na luta pela sobrevivência, como Only Murders In the Building ressalta, acompanhamos o drama, as disputas e superações de um grupo que ao fim, cria uma conexão inabalável.
As pessoas esquecem, mas Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat) recebeu três indicações ao Oscar em 1944: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Cinematografia – Preto e Branco, sendo que Tallulah ganhou o prêmio New York Film Critics Circle de Melhor Atriz.

Há outra citação cinematográfica no episódio, uma mais rápida e importante: Felicidade Não Se Compra (It’s A Wonderful Life), de Frank Capra. Aqui, temos Dudenoff explicando que o elenco certo é o que faz uma obra tornar atemporal. Infelizmente, até pela falta de sutileza de falar isso em uma temporada com tanta gente que mal faz sentido tê-las na trama, Only Murders In The Building não ouviu a própria dica porque ter ensemble é ok, mas não foi o que nos entregaram aqui.
Então, quem matou Sazz?
Da forma mais confusa e esquisita, se ninguém matou Dudenoff fica ainda pior encontrar sentido que o tiro em Sazz tenha saído do apartamento dele. Porém, mais estranho ainda é a conexão que Sazz fez entre Dudenoff e o filme que nem tinha saído do papel. O próximo episódio é sobre Glen Stubbins (Paul Rudd), um dos meus suspeitos top da temporada. Provavelmente o estaremos descartando, porque essa é a fórmula e ainda não é o episódio final.

Como sempre, vamos prestar atenção em quem ainda NÃO foi questionado e que anda meio desaparecido… sim, estamos falando do roteirista Marshall (Jin Ha) que lembremos, foi aluno de Dudenoff e por uma desculpa muito esfarrapada usa bigode e peruca falsos.
Isso mesmo gente, semana que vem veremos o que Stubbins ainda não revelou, mas no momento, meus suspeitos principais são:
1- Sazz (Jane Lynch) e Jan (Amy Ryan): não houve assassinato e estão apenas acobertando a fuga delas
2- Marshall: tem alguma coisa estranha na produção (Sazz alertou isso), ele foi aluno de Dudenoff e sempre está nervoso quando falam do assassino.
3- As as irmãs Brothers (Catherine Cohen e Siena Werber): as duas poderiam ter tentado matar Charles para evitar fazer o filme Only Murders In the Building ou ter mais atenção para a produção. Já foram tecnicamente descartadas, mas pode ter sido disfarce.
4- Bev (Molly Shannon): sempre aparece quando menos esperamos, e sabia que havia algo errado na produção… será que não queria exatamente se livrar de Sazz para realizar o filme?
5- Glen Stubbins: Glen tem raiva dos podcasters porque com a morte de Ben Glenroy ele ficou sem emprego. E sim, seria uma forma de justificar ter Paul Rudd de volta. Eu detestei o sotaque irlandês e os exageros de Paul, ter um overactor como Martin Short já é suficiente. Dois? Só se ele for o assassino…
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