O título de seu livro de 1996 ela Hello, He Lied, onde compartilhava sua experiência como uma das maiores produtoras mulheres em Hollywood, Lynda Obst foi revelador. Quase uma década ANTES do movimento do #metoo, ela falava de machismo, abusos, e sororidade, temas completamente pioneiros e – na época – mal interpretados. Mas a coragem de Linda era um exemplo para mulheres ao redor do mundo e me impactou seriamente.
Foi uma amiga americana que me recomendou a leitura, quando eu estava morando em Los Angeles e estávamos matando algumas horas em uma livraria. “Esse livro define essencial”, era resumiu. E estava certa. Com isso, a notícia da morte de Linda na noite de 22 de outubro por consequência de uma doença pulmonar obstrutiva crônica, mais conhecida como DPOC. Ela descobriu ter essa condição incurável e progressiva em 2018, depois de anos como fumante inveterada. Desde então, as dificuldades respiratórias foram reduzindo sua saúde até, infelizmente, seu falecimento.

A notícia deixou Hollywood de luto, e não apenas as mulheres. Lynda foi um dos principais nomes do mercado desde que começou como produtora nos anos 1980s, assinando sua primeira produção com Flashdance e possibilitando a existência de vários clássicos de Norah Ephron a Christopher Nolan.
Antes que fosse moda, sem restringir seus projetos a esse conceito, Lynda tinha uma assinatura: seus filmes tinham protagonistas femininas fortes. O que sempre me chamou a atenção com seu trabalho é que Lynda era generosa e positiva. Na sua biografia de 1996, ela não se ateve a compartilhar detalhes de atos terríveis de pessoas famosas, algo que aliás ela testemunhou em grande volume e que renderiam histórias incríveis. Não, ela se concentrou a ensinar o complexo e no que um produtor realmente faz, por isso minha amiga foi certeira: até hoje é uma leitura essencial para quem quer aprender o que é mercado americano de entretenimento. E sim, bem antes de retomarmos o movimento feminista com novo fôlego, ela já nos ilustrava como as mulheres enfrentavam uma realidade violentamente competitiva e controlada por homens.

Minha identificação com Lynda, que tinha um texto delicioso na linha de Norah Ephron, sua amiga, era porque ela foi uma grande jornalista e editora literal antes de embarbar no mundo do cinema. Era firme e tinha um faro para talento infalível. Sua última contribuição foi justamente ter encorajado seu antigo estagiário, o ator Glenn Powell, a dar seus primeiros passos na carreira. Ela adorava Drew Barrymore, Sandra Bullock e outros astros gigantescos.
Com isso, amanheci entristecida com uma perda inestimável. Lynda estava sempre trabalhando e certamente nos daria ainda coisas incríveis. Falarei mais dela em outros posts. E se os homens mentiram para ela, Lynda Obst sempre nos disse a verdade. Que descanse no Poder.
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