Michael Peters: O Gênio por Trás dos Passos de Thriller

Há 40 anos, no dia de Halloween, é quase obrigatório tentar os passos de Thriller em alguma festa ou flashmob. Todos consideram que foi “Michael” “criou” os passos assinatura, mas, quem sabe a verdade está se refere a outro Michael, não o Jackson. Pois é, o Rei do Pop popularizou o moonwalk, mas seus passos clássicos foram invenção do coreógrafo Michael Peters, que era chamado em vida como o “Balanchine dos videoclipes”.

Peters não tem levado crédito suficiente para sua inestimável contribuição para a Cultura Pop. Além de TODOS os videos mais importantes de Michael Jackson (e consequentemente seus shows) podemos afirmar com tranquilidade que o visual dos anos 1980s deve 90% a esse bailarino/ator/cantor que morreu há 30 anos, por consequência da AIDS.

Quando Jackson estava trabalhando nos vídeos de Thriller, ele se voltou ao melhor da Broadway para ajudá-lo visualmente e esse era ninguém menos do que Michael Peters, que já colecionava um Tony por Dreamgirls e já tinha trabalhado com Donna Summers quando ela lançou Love To Love You Baby, no final dos anos 1970s.

Nascido no Brooklyn, Michael se apaixonou pelos musicais da Broadway e do cinema quando viu West Side Story e passou a se dedicar para dança, em especial, a moderna, trabalhando com os principais nomes da época, como Talley Beatty, Alvin Ailey, Bernice Johnson e Fred Benjamin. Esteve nos elencos de vários sucessos musicais, estabelecendo uma parceria com Debbie Allen e ganhando prestígio.

Sempre pioneiro e aberto a novos desafios, coreografou shows para artistas como Diana Ross e Donna Summer, rapidamente entendendo a dinâmica entre canto e dança, que ele dominava tão bem nos palcos. Em 1979 fez muito sucesso com o musical Comin’ Uptown, uma versão com elenco 100% de atores negros em uma adaptação do clássico Christmas Carol, de Dickens, estrelado por Gregory Hines.

Quando Dreamgirls chegou aos palcos, em 1982, o musical virou febre e Peters ganhou o Tony como Melhor Coreógrafo. Hollywood passou a chamá-lo. Não para os filmes, que na época desprezavam os musicais, mas para a MTV, que estava movendo uma nova geração que queria videoclipes: basicamente um musical de poucos minutos com seus artistas preferidos.

O sucesso de Dreamgirls foi que também levou Michael Jackson a escolher Peters para o video Billie Jean. Deu tão certo que veio em seguida Beat It e, claro, Thriller. Nos dois últimos, Michael Peters faz pequenas pontas sendo que em Beat It seu destaque foi maior.

Por essa colaboração, Peters ganhou vários prêmios American Video e MTV, passando a ficar em grande demanda. Trabalhou com Lionel Ritchie tanto em Hello como com Pat Benatar no icônico Love is a Battlefield. Outros artistas que tiveram sua colaboração foram Diana Ross, Billy Joel, Earth Wind and Fire, New Kids on the Block e os Jacksons 5, entre outros.

No cinema, foi Michael Peters que trabalhou com Angela Bassett em sua elogiada composição de Tina Turner em What’s Love Got To Do With It, mas também assinou as coreografias de Sister Act 2: Back in the Habit, Sarafina!, The Mambo Kings e The Five Heartbeats.

Além da versatilidade, virtuosismo e talento para dançar e cantar, Peters é lembrado por sempre conseguir tirar o melhor de seus artistas, mesmos os que não tinham técnica para dançar. Para isso, ele focava nos sons dos instrumentos em vez de contar passos, invertendo a técnica do balé clássico e do moderno. Segundo dizia, é na melodia que está a emoção do movimento, não na contagem.

Ele faleceu em novembro de 1994, com apenas 46 anos. Como hoje se fala tanto nos passos criados por ele, fica aqui a minha homenagem ao gênio: Michael Peters.


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