Sabe aquela história de que apenas uma mulher para falar com as mulheres? Taylor Sheridan prova que com a sensibilidade endereçada para o lugar certo, é possível ter um machão falando com o público feminino. Sua personagem principal em Sicario para uma prima da protagonista de Lioness e numa série que reúne ação, drama e suspense de forma que muitas semelhantes deveriam imitar.

A começar, a inspiração para a série: o programa militar Lioness (Leoas) existe no Governo americano. O objetivo da Operação Lioness sempre é inserir um agente próximo à mulher ou filha de um suspeito para ganhar informações e providenciar o melhor momento de matá-lo. Se houver mais vítimas no caminho, que seja. Ou seja, há espaço para ter sempre uma temporada nova sem a necessidade de seguir com a mesma história! E é o que temos aqui.
Voltamos à ação um tempo depois de onde paramos, com o mesmo elenco que agora estamos conhecidos, envolvidos com um desafio ainda mais complexo que a 1ª temporada. Joe (Zoe Saldaña) está melhor em casa, tanto com o marido médico, Neal (David Annable) e as filhas, mas é claro que por pouco tempo. Isso porque a temporada abre com um violento sequestro em solo americano e como a congressista foi transportada para o México, o resgate precisa ser imediato e certeiro. Por escolha do governo, de forma bem grandiosa para aparecer nos noticiários.
Vou poupar os detalhes porque é adrenalina pura até a conclusão. O interessante é ver que o showrunner, também ator, faz uma ponta que é recorrente e sensacional.


A missão da temporada é agora é inserir uma Lioness entre Los Tigres, porque a CIA descobre que eles estão trabalhando para e com os chineses, descobrir quem é o agente chinês e matá-lo. E os mexicanos que atrapalharem também. Sem poder contar com a Sargento Cruz Manuelos (Laysla de Oliveira), Joe tem (para variar) uma pressão enorme de organizar tudo em menos de três semanas (ela precisaria ao menos três meses). Todos querem que ela eleja a soldado e piloto de helicóptero, Josephina Carrillo (Genesis Rodriguez) e claro que Joe resiste ao máximo porque ela não gosta de interferências e porque a história de Josephina é mega suspeita: ela é nada menos do que a sobrinha do chefão dos Los Tigres e alega não ter contato com a família.
Paramos no segundo episódio, quando Joe finalmente conhece Josephina, com as duas seguindo o clichê: ou seja, se odiando imediatamente. Josephina não quer fazer parte do programa porque, como menciona, “nenhuma mulher que entra para ele sai viva”. Mas ela não tem opção.

O que podemos dizer da volta de Lioness Op? Obrigada, Taylor Sheridan! A série da Paramount Plus traz uma Nicole Kidman ultra convincente (se A Diplomata fosse com ela, teríamos outra série), Morgan Freeman, Michael Kelly e Jenniffer Ehle, entre outros, todos trazendo credibilidade para as cenas onde a política é explicada/traçada e exercida.
Já que falei da série da Netflix, aqui temos Kidman como a chefe da CIA que comanda a Operação Lioness, Kaitlyn Meade, casada com Errol, um lobista influente vivido por Martin Donovan em um relacionamento extremamente semelhante ao dos protagonistas de A Diplomata. Com uma voz grave, olhares observadores e poucas palavras, Kidman tem grande presença e é mais uma prova de sua versatilidade.


Infelizmente o elo fraco está em Zoe Saldaña. Joe é uma agente atormentada porque seu comprometimento profissional demanda uma praticidade de distanciamentos emocionais que claramente tiram boa parte de sua saúde mental. Sabemos disso por seus gritos histéricos e voz elevada a cada cena que Joe é confrontada ou precisa exercer liderança. É só olhar para Nicole Kidman para perceber que ela poderia fazer mais, se pudesse. Mas isso não significa que atrapalhe em nada, só não é a melhor em cena.
Considero a segunda temporada com um início ainda mais impactante que a primeira e só perceber nos créditos que Cruz voltará em algum momento me faz vibrar ainda mais. Lioness tem tudo para ganhar maior destaque entre os fãs, já é uma das minhas favoritas do ano!
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