O Pinguim: Vingança e Complexidade no Penúltimo Episódio

Embora a lista de Melhores de 2024 ainda não possa ser fechada porque ainda estamos começando novembro, sem dúvida, O Pinguim estará no topo, e, além de Colin Farrell no papel título, com destaque para as duas mulheres do elenco: Cristin Miiotti e Deirdre O’Connell.

Assim como Agatha Desde Sempre, da Marvel, O Pinguim, da DC Comics, é uma série onde os coadjuvantes ocupam o centro do palco e Deus, como fazem os heróis parecerem simples e desinteressantes. E assim como Loki antes de todos, vemos o antagonista com outros olhos. Com uma diferença: na narrativa da Marvel, vilão e mocinhos são menos claros.

Na DC Comics, os maus são cruéis, porém, ainda assim, paradoxalmente realistas e rebeldes. São as pessoas simples destruídas pela ganância e violência da sociedade, não voam, não têm mágica. Oz Cobb (Farrell) não deixa de ser uma figura trágica e defeituosa por dentro e por fora, mas mesmo se não temos empatia (afinal ele mente, mata e rouba sem problemas), não nos afastamos de sua história.

Recap do Episódio 7

No penúltimo episódio esperávamos violência e vingança? Teremos que esperar. Sofia Gigante (Mliotti) sequestrou Francis (O’Connell) e diante do desejo que ela tem de causar dor ao Pinguim, que provocou a situação onde acabou internada em Arkham e também assassinou seu irmão (e pai também, mas esse ela não queria bem), não podemos ter esperança por algo de suave para a mãe de seu inimigo. Só o fato de colocar as duas atrizes em uma mesma cena já é um senhor presente. Duas atrizes premiadas da Broadway não poderiam fazer menos do que nos deixar de queixo caído e o confronto gritava EMMY EMMY EMMY de todos os lados para as duas.

Sofia pode ser tudo, mas sua crueldade tem critério. Ela que tem a fama de serial killer injustamente dizimou sua família apenas depois de ter dado todas as chances para que eles se redimissem quanto ao que ela enfrentou. Quando não conseguiu e foi humilhada, tirou todos da reta. Não a culpamos. Até porque, salvou sua prima Gia de um futuro como o seu. Então deveríamos prestar atenção: Sofia quer Oz sofrendo, mas dificilmente mataria uma mulher apenas para isso. Quer dizer, isso antes de uma kamikaze Francis que decidiu dizer algumas verdades para sua captora.

Já sabemos que Francis, em avançado estágio de demência, prefere morrer à perder sua mente então o ataque à Sofia é calculado. E certeiro. Porque se Francis tem um talento é saber diminuir as pessoas e nem uma “Gigante” tem chance com ela, ainda mais fica claro que Francis ouviu e nunca esqueceu de nenhum detalhe que o filho contava sobre os Falcones.

Nessa troca assustadora, o efeito minimamente retarda e muda o plano de Sofia. Ela, que está abalada por ter visto que Gia Vitti (Kenzie Grey) está traumatizada com a morte dos pais, está secretamente mais vulnerável internamente e quando Francis joga na sua cara que nem cabelos ou sobrenomes diferentes vão mudar quem Sofia é ou como o jogo é ditado por homens, o golpe é sentido mais do que o tapa na cara que levou.

Claro que sabemos que a ousadia de Francis, que aposta que Oz virá resgatá-la antes que façam alguma coisa com ela, soa irreal diante das circunstâncias mas com a sorte que ele tem e a agilidade em sobreviver tornam sua confiança em algo crível. Só quando Sofia pergunta sobre o que realmente aconteceu com os irmãos de Oz, que Francis fraqueja. Voltarei já ao tema. Sofia pede ajuda ao Dr. Julian Rush (Theo Rossi) para “cuidar” de Francis.

Ao longo dessa angustiante troca, vemos que Oz mais uma vez “tem sorte”. Sal (Clancy Brown) até quer matá-lo, mas precisa entregar o Pinguim ainda vivo à Sofia e nessa troca de tempo, já tenso por tudo, Sal tem um ineseperado infarto e cai morto. Pois é, Pinguim se safa dessa também. Ele tenta negociar com Sofia de entregar as drogas em troca de Francis e Sofia finge cair na armadilha. Só que, após um rápido ataque de pânico, a gangster reafirma seu desejo maior na vida: de querer “que Oz sinta dor, dor real”, algo como ela sentiu depois de ter sido traída por ele três vezes. “Preciso que ele sofra pelo que ele fez,” diz. Para isso, apenas Francis tem a chave.

Boa parte do episódio, que faz homenagem ao clássico O Picolino (Top Hat) de Fred Astaire (de onde Oz tira a inspiração para o provável e futuro look que conhecemos), é um grande e importante flashback. Confirmamos o envolvimento de Oz nas mortes de seus irmãos e foi mais simples e profundo do que poderíamos antecipar.

Sendo o gordinho e defeituoso dos filhos, Oz era tratado com o mesmo carinho por Francis, mas, como todos que têm um Édipo mal resolvido, queria ela apenas para ele. A oportunidade, ou o acidente inconscientemente provocado por ele, volta à uma noite de temporal em Gotham, onde, brincando com os irmãos, se sente humilhado e revoltado. Ele fecha a saída do esgoto num rompante de irritação, como uma criança inconsequente faria, o problema é que os irmãos não conseguem sair e acabam afogados. A notícia destrói Francis, mas Oz nunca revela para ela sua participação. Ele mente que os dois foram ver Bettlejuice (uma referência à Tim Burton e Michael Keaton, que depois do filme fizeram Batman juntos) e não temos certeza se Francis desconfia da verdade.

Por isso, vendo que Oz escapa do mesmo lugar onde levou os irmãos à morte e a sua obsessão/culpa com Francis ressaltam como o episódio final será emocionante e assustador. Sofia, em vez de ir ao encontro dele no esgoto, manda uma bomba. Oz consegue escapar por pouco, mas como ela imaginava (ele não avisa aos parceiros e foge sozinho) e com isso agora se quer ver Francis viva, precisa ir ao encontro dela.

Invíveis e diminuídos: a força inesperada dos antagonistas

Não ha como elogia o suficente o penúltimo episódio de O Pinguim. A dinâmica peculiar entre Francis e Oz é toda banhada nas teorias de Freud levadas ao extremo, num relacionamento tóxico e complexo. Há muitos que teorizam a paternidade de Oz e seus irmãos e como Francis tentou com muita dificuldade criar os filhos longe de uma vida no crime organizado, apenas para passar a demandar de Oz que seja tudo que ele sempre quis: um gangster rico e temido.

A atriz Deirdre O’Connell comentou que Francis usou o filho como arma de vingança contra a sociedade que a deixou em um ambiente tão perigoso para seus filhos. Ela ressente quem tinha ou tem uma vida material melhor do que a que tem, e não mede palavras dolorosas, nem mesmo para o próprio filho, menos ainda para seus rivais. Oz é sua arma, seu algoz e sua retribuição aos opressores.

Para ela, contracenar com Cristin Millioti foi um dos pontos altos da temporada e temos que concordar. A energia das duas é uma aula de interpretação (não é à toa que as dus já têm Tony de Melhor Atriz). Um show.

Quem é Deirdre O’Connell

A atriz de 71 anos é mais conhecida no teatro do que no cinema ou na TV, para NOSSA perda. Ela está em Nurse Jackie e outras séries, mas é com Pinguim que entra no grande circuito.

Filha de uma dramaturga e um ator, Deirdre sempre quis ser atriz. Ela começou no teatro experimental em Boston, antes de conquistar a Broadway, em Nova York, em 1986. Imediatamente passou a ser indicada com frequência a todos os prêmios teatrais, ganhando vários.

Ela começou a aparecer em filmes no final dos anos 1980s, estreando no filme Os Rivais (Tin Men) e em outros como Tiro de Misericórdia (State of Grace), Cidade dos Anjos (City of Angels) e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), entre outros. Na TV, esteve em A Sete Palmos (Six Feet Under), Nurse Jackie e Lei e Ordem, mas sempre como o papel de apoio e, como dizia, “a mãe que perde o filho”.

Mas é no teatro onde fez mais nome. Sua atuação na peça Dana H. rendeu o Tony de Melhor Atriz em 2022. Já está na hora do Emmy, concordam?


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário