Depois de tanta expectativa e anúncio, a estreia de Duna: Profecia não decepcionou. Figurinos lindos, cenários grandiosos, intrigas políticas e religiosas, segredos, assassinatos e suspense, nada ficou de fora.

Em termos de trama, a franquia Duna é extremamente simples se comparada à sua concorrência. São menos famílias, há duas casas que se odeiam e há uma ordem religiosa que manipula tudo. O que nos confunde mais é a contagem do tempo: estar “10 mil anos” antes do que vemos na trilogia, algo que soa algo um tanto bizarro se contarmos o tempo dentro da nossa noção na Terra. Estaríamos saindo da Era Glacial, mas tudo bem, vamos relevar (ou deixar de cantarolar Raul Seixas e Eu Nasci 10 Mil Anos Atrás). O melhor é que se você conhece a história da trilogia, está ok, mas não é necessário para acompanhar a série.
Embarcamos na história com a narração de Emily Watson, ou melhor, Valya Harkonnen, que dá a sua versão dos fatos para justificar o que fará na série. Na guerra contra as máquinas, os Harkonnens ficaram marcados por covardia e os Atreides subiram na hierarquia como heróis da batalha. Valya diz que a História não entendeu o que realmente aconteceu e que os Atreides subiram em cima de uma mentira.
A jovem Valya, como vemos, é vingativa, focada e dedicada à Irmandade e seu radicalismo não é abraçado por todas, mas ela “vence” a concorrência pela posição de Madre Superiora usando de poderes e não medindo consequências para alcançar seu objetivo.


Trinta anos depois, já líder da Irmandade (ainda não chamada de Bene Gesserit), ela está agindo no plano de controlar todas as casas e a política interplanetária: no momento é ter todos os homens dependendo das mentalistas treinadas por Valya, que os ajudam a ver a “verdade” em cada situação. Por trás disso, elas manipulam todos para criar alianças e finalmente gerar uma mulher geneticamente ideal para governar todos.
Tudo parece estar de acordo com o planejado, especialmente porque o Imperador Javicco Corrino (Mark Strong) pode deter o poder da galáxia, mas sua insegurança é clara, para a irritação de sua esposa, Natalya (Jodhi May) e oportunidade para seus rivais.
Todos estão de olho na princesa Ynez (Sarah-Sofie Boussnina), a herdeira do trono e que está prestes a se casar. Ela vai ser treinada pela Irmandade, mais uma vez contrariando Natalya, mas antes é usada para um casamento político com um garoto de apenas 9 anos. Pois é. Ela tem uma relação muito próxima com seu meio-irmão, Constantine (Josh Heuston) e um romance escondido com seu treinador, Kieran Atreides (Chris Mason), e ambiciona aprender com a Irmandande os truques que farão dela uma Imperatriz poderosa.


Ninguém está contando com a chegada ultra oportuna de Desmond Hart (Travis Fimmel), um soldado que sobreviveu a algo transformador em Arrakis. Claramente percebendo a vulnerabilidade do Imperador, ele alimenta a paranóia de Javicco ao declarar que a emboscada da qual sobreviveu foi armada por insurgentes de casas aliadas. Agora quer estar perto do Poder e o momento é oportuno pois se tem uma coisa que Javicco não sabe fazer é dizer “não”. Do nada, Desmond está na festa de casamento, tem acesso ao imperador, às salas do palácio… como se sempre estivesse por ali.
Isso porque na história não há tempo a perder: Desmond Hart é claro sobre tudo, incluindo seu ódio por máquinas ou a Irmandade. Ele tem fé e forças psíquicas obscuras, mas essa última parte ainda não é usada abertamente. Ele testa Javicco que se queixa de sua dependência da Irmandade e que queria acreditar em algo que desse a ele mais poder. Pediu? Será atendido, mas talvez tivesse sido melhor pensar melhor no que e como pediu.
A visão que a infeliz irmã Kasha (Jihae) tem – a de um cataclisma de alguma forma relacionado aos vermes da areia – não é decifrada à tempo. Eu saquei imediatamente que era referente à Desmond, mas como ele ainda está dissimulado, a Irmandade não sabe o que está acontecendo. Ainda.


O nome do episódio – Mão Escondida – acabou sendo mais sobre Desmond do que Valya e suas seguidoras, e esse embate promete ser grandioso mais à frente. Até a conclusão, sabemos o plano de Valya, que é ter uma participação genética em uma linhagem real. O que “realmente” Desmond quer, ainda é incerto, mas claramente ele quer ser o único líder espiritual e conselheiro do Imperador. As prometidas referências de Rasputin ficaram claras e a ascensão do soldado mal começou.
Os puristas já reclamaram das liberdades criativas da história, mas funcionou perfeitamente para o público maior e não iniciado. Como Travis Fimmel avisou nas entrevistas, todos estão atrás de algo e não medem esforços para alcançar. Temos a dica de que, não importa o quanto Desmond Hart tente impedir, Valya sairá de alguma forma vencedora com as Bene Gesserit, isso é um Spoiler que toda franquia tem: sabemos como a história acaba. Ainda assim, Duna: Profecia já cumpriu sua missão. Quero mais!
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