25 anos depois de Fernanda Montenegro ser indicada ao Oscar por Central do Brasil, sua filha, Fernanda Torres, surge como uma das favoritas ao prêmio de Melhor Atriz por Ainda Estou Aqui. Ambas brilhando sob a direção de Walter Salles Jr., o DNA do talento se mantém, mas as comparações deveriam parar por aí.

O que mais se ouve no momento é que “Fernanda vai poder ‘vingar’ Fernandona” porque em 1999, mesmo estando entre as favoritas, a vencedora foi Gwyneth Paltrow por Shakespeare Apaixonado, cuja vitória – já na época – foi envolvida em controvérsias. A pressão de Harvey Weinstein, então poderoso produtor da Miramax, paira até hoje sobre essa premiação. Sentiu o frio na espinha e o estômago revirar ao ouvir o nome dele? Aposto que sim.
Gwyneth também estava saindo da sombra de ser chamada “noiva de Brad Pitt” ou “namorada de Ben Affleck“, se estabelecendo como a atriz mais popular em Hollywood. Não vou entrar no machismo de toda essa linha de raciocínio, porque, embora Gwyneth tenha enfrentado acusações de influência de Weinstein em sua vitória desde então, elas desviam o foco do maior mérito: o pioneirismo de Fernanda Montenegro naquele Oscar.
Fiz a cobertura de toda aquela premiação e tenho na minha memória todos os momentos muitos vívidos. Na verdade, embora merecida, eu nunca vi a verdadeira chance de Fernandona ter levado o Oscar. Na época, a xenofobia era quase aberta e apenas três atrizes estrangeiras tinham vencido na categoria antes dela. Por isso, estar entre as cinco já era o prêmio. Além disso, a meu ver, a favorita e merecedora em 1999 era a ainda desconhecida Cate Blanchett por Elizabeth.

E sabe o que foi mais ofensivo naquele Oscar medonho? Que Roberto Begnini tenha vencido como Melhor Ator no ano que o reconhecimento deveria ter ido para Sir Ian McKellen ou Edward Norton. Mais ainda, que A Vida É Bela – que fez humor com o holocausto – tenha tirado o Oscar de Central do Brasil como Melhor Filme Estrangeiro. E tendo tirado isso do peito, ainda estou convencida de que Fernanda Torres não precisa ‘vingar’ a mãe, porque ela é uma gigante por mérito próprio. Caso leve o Oscar, será mais um marco em uma carreira de excelência, que reafirma o talento brasileiro no cinema mundial. Ainda Estou Aqui é um lindo filme e a atriz está espetacular.
Falta um pouco mais de um mês para que comecem a fechar a lista de indicações para 2025 e Fernanda está muito bem colocada para estar entre as cinco finalistas. Aliás, dificilmente ficará de fora e porque, ao contrário do que sua mãe encarou há 25 anos, Hollywood agora tenta ter a imagem de inclusiva, atenta, liberal e atual. Tudo está à favor de Fernanda Torres, mais ainda do que sua “concorrência” direta porque as outras favoritas já têm Oscar em casa – Nicole Kidman, Angelina Jolie, e Tilda Swinton – portanto aqui Fernanda ganha a vantagem do ineditismo.


Se fosse depender de seu conterrâneos, Fernanda Torres já estava em casa com a estatueta. Um post de uma foto dela na Academia bateu os dois milhões de likes em apenas 24h. Sim, isso ajuda SIM na campanha. Fernanda Torres pode fazer história DE NOVO. Ela é a única atriz brasileira premiada no Festival de Cannes, quando tinha apenas 20 anos e foi eleita a Melhor Atriz do festival em 1986, por Eu Sei Que Vou Te Amar.
Fernanda Torres não precisa ‘vingar’ a mãe, porque ela é uma gigante por mérito próprio. Caso leve o Oscar, será mais um marco em uma carreira de excelência, que reafirma o talento brasileiro no cinema mundial.
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