Estou há alguns dias para postar uma avaliação de como é complexo lidar com adaptações literárias para Cinema ou TV. Em geral, os autores ficam frustrados, assim como os fãs puristas que falo tanto aqui em Miscelana. Porém, em ocasiões raras, os autores apreciam o vêem no ar. Em 2024, numa mesma plataforma – a MAX – conseguimos ver as diferenças tão diretamente opostas com dois grandes sucessos: Duna: Profecia e House of the Dragon.


O “trauma” de George R. R. Martin
George R. R. Martin já é conhecido por se queixar abertamente quando não aprova o que vê no ar. Há 13 anos nos prometendo acabar nos livros a saga de Game of Thrones, ele viu a série ultrapassar seus livros e terminar a história do jeito que dava, House of the Dragon exibir duas temporadas e estar para começar a gravar a terceira e outro spin off, Um Cavaleiro dos Sete Reinos vai estrear em 2025. Nada do livro final, mas diversos posts em seu blog sendo completamente aberto sobre o quanto as mudanças de HOD o desagrada profundamente.
Devo confessar que – como purista – concordo que mesmo sensacional, House of the Dragon seria ainda melhor se fosse mais fiel ao livro. Das mudanças que foram feitas, nenhuma para mim pareceu alterar para melhor a trama, nem simplificá-la. Às vezes, é até ao contrário como, por exemplo, colocar no herdeiro do Trono de Ferro o peso do conhecimento de uma profecia que GOT não explorou corretamente. E, a pior de todas, é na parte da história de Helaena Targaryen, que é mais impactante nas páginas.
“Talvez eu seja uma das poucas pessoas em Hollywood que ainda pensa que quando você adapta uma obra de arte, um romance, um conto, você deve fazer uma adaptação fiel”, ele disse ao The Hollywood Reporter quando estava discutindo outro projeto, os curtas que produziu adaptando as obras de seu amigo, Howard Waldrop. “[Isso] me irrita muito porque eles mudam as coisas e eu não acho que eles geralmente as melhoram.”

Todos entenderam que essa crítica é uma referência à sua discussão com o showrunner Ryan Condall, em setembro de 2024. Por hora, ele é só elogios à Ira Parker, que lidera Um Cavaleiro dos Sete Reinos, mas sempre desconfio que ele começa assim, para se irritar depois.
Assim como Stephen King antes dele, Martin reclama dos roteiros e como ele começou como roteirista, era de imaginar que ele saberia o que está dizendo, mas antes de se lançar como autor de fantasia, ele não era o showrunner de renome em Hollywood.


A equipe que está adaptando Anéis de Poder também está sob chuvas de reclamações de ter tomado algumas liberdades em relação aos livros de Tolkien, porque uma boa adaptação nunca existiu no cinema sem uma parcela considerável de pessoas reclamando. É difícil agradar.
A torcida de Brian Herbert contrasta as críticas de Martin
Diante da choradeira usual de autores e fãs insatisfeitos, a positividade de Brian Herbert sobre Duna: Profecia se destaca. Desde sua estreia, antes mesmo, o autor, que assina o material literário no qual a série é baseada e é filho de Frank Herbert, o autor de Duna, compartilha sua aprovação do que é feito.
“Enquanto assistia à estreia de Dune: Prophecy, pensei em meus pais, Frank e Beverly Herbert, que foram os primeiros a pisar no fantástico universo de Dune. Esta nova série é cheia de intrigas e suspense. Estou muito satisfeito com ela, e meus pais também ficariam”, ele compartilhou em novembro de 2024.


A série não é fidelíssima ao que Brian escreveu. Por exemplo, não há Desmond Hart no livro, mas, ainda assim, ele aprova. “Eles estão acertando detalhes importantes. Quando Kevin e eu escrevemos os romances, e quando mais tarde demos conselhos sobre o roteiro, fomos cuidadosos em enfatizar que qualquer um que entrasse em Other Memory não poderia utilizá-lo à vontade. Em vez disso, é aleatório e caótico”, ele explicou.
E sobre o episódio de flashback? “É ótimo ver o quão próxima a série segue com o que Kevin e eu escrevemos em SISTERHOOD OF DUNE, sobre a misteriosa e letal combinação de Valya Harkonnen e sua leal irmã, Tula. Elas são uma dupla perigosa, com uma história de fundo intrigante”, elogiou.

Autores felizes é bom sinal?
Obviamente agradar quem criou a história é importante, afinal, devemos agradecer à imaginação deles para o universo que se apresenta nas telas e nos livros, mas cada meio tem sua particularidade.
Livros podem ser detalhistas e complexos, ainda mais que contam com a visão tão particular de quem lê. Já filmes e séries precisam transportar a imaginação e a descrição para uma tela de tamanho específico, com todas as dificuldades possíveis para conseguir. Sem mencionar que são restritos pelas horas que quase forçam um resumo da trama, justamente a armadilha da contradição.
Como Brian Herbert, escritores como Margaret Atwood (The Handmaid’s Tale), Diana Gabaldon (Outlander) e Suzanne Collins (Hunger Games) são algumas escritoras que gostaram de como seus livros foram adaptados. Duna: Prophecia já chegou à metade da temporada, será que o apoio continua?
Quanto à Martin, a maior expetativa dos fãs ainda é sobre a conclusão de The Winds of Winter, na saga As Crônicas de Gelo e Fogo. “Isso ainda é uma prioridade”, insistiu na entrevista à THR. “Muitas pessoas já estão escrevendo obituários para mim. [Eles estão dizendo] ‘Oh, ele nunca estará pronto.’ Talvez eles estejam certos. Eu não sei. Estou vivo agora! Eu pareço bem vital!”, só falta foco!
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