A Verdadeira História de Jane Andrews: Crime e Família Real

Ao escolher praticamente excluir a trajetória de Sarah Fergunson de The Crown, assim como em Spencer, a história da Duquesa de York – que é bem completa de dramas e traições – ficou não apenas à parte, mas praticamente esquecida por gerações que devem à série da Netflix a maior base do conhecimento da Família Real. E é uma pena.

Sarah Ferguson sempre foi controversa e rompeu com o sistema antes e mais definitivamente que Diana. E se seu ex-marido, Príncipe Andrew , é marcado por escolhas e amigos errados, ela não ficou nada longe dele. Uma das histórias mais escandalosas e próximas à Fergie (como é conhecida) é justamente uma que envolve assassinato. Como isso ficou esquecido?

Pois é, a assassina não é a Duquesa, senão estaríamos falando dela, mas de sua principal assistente, Jane Andrews. em 2001, Jane, cujo apelido interno era “Lady Jane”, matou à facadas seu namorado, foi presa e condenada, mas essa história fascinante está voltando à tona com a série da ITV, The Lady. A produção está pra começar e honestamente os Yorks devem estar chateados com o revival de um momento que não queriam estar associados.

Quem foi Lady Jane?

Primeiro, o “Lady” aqui é sarcástico, nada a ver com título real, mas uma revista que marcaria a vida de todos. Jane Andrews é uma das criminosas mais famosas da Inglaterra, cuja história é recontada em vários documentários desde que foi presa há quase 24 anos, quando tinha apenas 33 anos por assassinar de seu parceiro, Tom Cressman, de 39 anos, em maio de 2001. Na época ela era conhecida como a costureira e amiga de confiança de Sarah Ferguson.

Nascida em 1967, Jane teve uma infância turbulenta. Filha de um marceneiro e uma assistente social, o ambiente familiar era marcado por escassez de dinheiro e um casamento infeliz. Ainda adolescente, ela já sofria de transtorno alimentar, ataques de pânico e crises de depressão. Eventualmente seria diagnosticada com transtorno de personalidade borderline, mas na época não sabia. Desde os 15 anos já tinha tentando tirar a própria vida e todos seus namoros eram abusivos, sendo que ainda no topo de tudo, fez um aborto com apenas 17 anos.

A moda era um escape e ela conseguiu se matricular em uma faculdade de moda local, enquanto pagava as contas trabalhando como assistente de vendas na Grimsby Marks & Spencers. Foi lá que, folheando a revista “The Lady” viu um anúncio de emprego anônimo, procurando uma camareira pessoal. Sem nada a perder, respondeu e, em seis meses, se descobriu no coração da Família Real como pessoa chave no círculo de Sarah Ferguson, Duquesa de York.

“Lady Jane” convivendo com Diana e Fergie

Jane Andrews não acreditava que ao chegar em Londres, sem dinheiro e ainda assustada, pediu ao táxi para levá-la até a porta lateral do Palácio de Buckingham. Ela lembra que o motorista pensou que fosse uma piada, mas era verdade. Quando foi recebida pelo staff e chegou ao seu quarto, encontrou um buquê de flores e um bilhete da duquesa dizendo: “Bem-vinda ao time, a chefe”.

Para ela, era uma vida de Cinderella sem precisar do baile. Com apenas 21 anos e um passado de dores e decepções, Jane passou a conviver diretamente com os membros mais altos da Família Real, incluindo a Princesa Diana. Fergie, como chefe, era mais uma melhora amiga. Ela estava grávida da princesa Beatrice e era tão fascinante para Jane que logo passou a se vestir como ela, usar as mesmas roupas e até pintar o cabelo de vermelho. Foi Fergie que a apelidou de “Lady Jane”.

Nessa fantasia que ela jamais imaginou possível, Jane frequentava festas, eventos, passou a ter um apartamento em uma área cara de Londres, um carro e até encontrou um marido. Em 1990, ela se casou com Christopher Dunn-Butler, um executivo da IMB 20 anos mais velho que ela. Ele era seu amante e a figura paterna que nunca teve, mas, como eram mais amigos do que amantes, a união foi curta. Ela alegou que o estresse do trabalho contribuiu para a separação, mas a verdade é que ela foi infiel e ele desistiu de tentar acertar com ela.

Os dramas conjugais de Jane chamaram a atenção de Fergie, ela mesma com os seus e as duas passaram a trocar confidências, com Jane viajando pelo mundo acompanhando a Duquesa. Eram tão próximas que Fergie dedicou um de seus livros de viagem a Jane, “cuja lealdade e gentileza não têm limites”.

Um amor comparado à Atração Fatal

Os sinais de desequílibrio em tempos que saúde mental não era um tema passaram desapercebidos. Jane chegou a namorar o herdeiro de um império marítimo grego, mas quando o romance chegou ao fim, “destruiu” o apartamento dele em resposta ao término. Ela admitiu ter destruído seus pertences e desfigurado seu diário em um acesso de raiva, o que antecipou uma depressão profunda e outra tentativa contra sua vida. Sem assistência médica, “se recuperou” e seguiu em frente.

A próxima traição viria por Fergie. Em novembro de 1997, Jane foi demitida, apesar das promessas de que nunca seria desligada. O problema era sua vida pessoal. Outro romance com um aristocrata começou a ser notório e Fergie, que já não estava na melhor fase com os sogros, era manchada de tabela. Jane sempre negou que teve outro affair, disse que foi demitida por isso mas, oficialmente, foi apenas parte do corte de custos.

Já sem estar com a Duquesa, Jane Andrews começou a namorar o ex-corretor da bolsa, Thomas Cressman, um relacionamento obsessivo e complexo. Cressman era filho do ex-presidente do Aston Villa e muitos alegam que ela o via como a última chance de ficar na alta-sociedade.

Porém, dois anos depois, veio a tragédia. Em 2000, depois das férias na Riviera Francesa, Cressman não apenas deixou claro que não queria casamento como aparentemente queria se separar. A volta para Londres foi marcada por discussões cada vez mais calorosas até que ele ligou para a polícia, preocupado que um deles pudesse acabar ferido. Ninguém apareceu, e ele adormeceu. Foi então, que Jane o atingiu com um taco de críquete, esfaqueou-o no peito, o matou e fugiu.

Um crime que ganhou as manchetes mundiais

Jane Andrews ainda alega que sua saúde mental comprometida foi a causa do assassinato, mas muitos ainda relacionam sua atitude à prova de premeditação. Não apenas Cressman estava dormindo como Jane mandou mensagens para amigos perguntando por ele, na tentativa de criar um álibi. Depois alegou que ele estava sendo chantageado. Finalmente foi encontrada depois de outra tentativa de overdose de remédios.

Uma vez presa, Jane alegou que o namorado era um abusador sexualmente obsessivo, que a havia machucado e humilhado deliberadamente, o assassinato, assim como o dos irmãos Menendez e Lorena Bobbit. Também argumentou que os traumas de infância a fizeram cometer o crime. Efetivamente, em 2001, ela foi oficialmente diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline, e em um documentário o psiquiatra que a acompanhava disse que Jane Andrews havia sido submetido a controle coercitivo em seu relacionamento, o que poderia mesmo a levá-la a um surto. No entanto, a promotoria a pintou como uma mulher desprezada e vingativa, com isso ela foi sentenciada a prisão perpétua.

Inacreditavelmente, em 2009, Jane escapou da prisão e se escondeu em um quarto de hotel por 4 dias com sua família, sendo localizada e presa novamente. Um relatório psiquiátrico descobriu que ela estava em um estado de fuga psicogênica (uma espécie de amnésia dissociativa) na época.

Jane foi libertada em agosto de 2019 e vive hoje com outro nome. Para a showrunner Debbie O’Malley, a história de Jane Andrews nunca esteve mais atual e revela a misoginia da época assim como a fragilidade humana. E a proximidade à Família Real em algum momento, cria um elo irresistível com o público. Será interessante revisar a história. Não acham?


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