Quem me acompanha ou conhece sabe que não tenho problemas com spoilers e que sou rápida em sacar a curva do roteiro e por isso, ao elogiar o final eletrizante e inesperado de O Dia do Chacal não é pouca coisa. Definitivamente a série é uma das cinco melhores do ano.

Regravar um clássico do cinema e da literatura, o deixando atualizado e adivinhando não é um desafio fácil e a série da Paramount Plus tem a vantagem de um excepcional Eddie Redmayne voando no papel do psicopata inacreditavelmente talentoso para o crime, com a igualmente superba Lashana Lynch como a agente do MI6 na sua cola. Apenas ele foi indicado ao Golden Globes, o que é injusto, espero que o Emmy resolva isso.
A série atravessou 10 episódios que honestamente foram exatos para contar a aventura no ritmo certo, mesmo que a adição das vidas pessoais do Chacal e de Bianca (a agente) parecesse um tanto fora de propósito. Não foi e apenas o episódio final confirma que foi uma escolha inteligente.
Bianca e Chacal eram os dois lados de uma mesma moeda, um paralelo preciso do bem e do mal, com duas pessoas obsessivas e excelentes no que fazem mas péssimas em relações mais significativas (não falamos da sociopatia?). A história dos dois é trágica, é solitária e claustrofóbica e é enlouquecedor torcer por um assassino cruel da mesma forma que queremos que a agente o pegue e destrua. Isso porque o roteiro é perfeito.

Atenção para os SPOILERS.
Depois do trabalho “mal feito” no qual não conseguiu executar o contrato, Charlie (Redmayne) não desiste e em um longo e angustiante episódio ele FINALMENTE executa , UGC (Khalid Abdalla), um crime tão absolutamente inacreditável que justifica os milhões que ele recebe. O problema é que a partir daí, o cerco se fecha e uma série de imprevistos só expõem o chacal cada dia mais. O rastro de mortes que ele deixa em sua fuga são inevitáveis e falta de sorte dos inocentes que inadvertidamente cruzam o seu caminho.
O brilhantismo de Redmayne precisa de destaque. Ele mostra que um homem “insensível” está longe de robótico. O Chacal se apaixona, lamenta pelas pessoas que mata, e evita execuções quando pode, mas jamais lidará com as consequências de seus atos ou se sacrificará por alguém. A informação de que a série teria uma segunda temporada já era sinal que ele escaparia, mas ninguém imaginava que Bianca não o acompanharia. Chegaremos lá.
Charlie está empenhado em voltar para Cádiz, mas, ao chegar em casa, tem que lidar com o cunhado xereta e tentar eliminar os traços até sua casa. Não consegue porque Bianca, esperta, traça o paralelo e alerta sem querer aos que querem eliminar o assassino. Sim, assim como no início da temporada, depois de concluir o trabalho, Timothy Winthorp (Charles Dance) decide dar um beiço no Chacal e tentar matá-lo para eliminar qualquer ligação entre eles. Claramente não estava prestando atenção na ética do assassino. Ninguém o coloca no canto.

Esse é o gancho da continuação. Charlie agora está atrás de Nuria (Úrsula Corberó) e seu filho, que fugiram dele, e vai matar o executivo que o contratou para tirar UDC do caminho. Infelizmente para Bianca (e Vince), eles conseguiram solucionar o mistério que é o Chacal e no confronto, ambos levaram a pior. Chacal mata a agente da MI6 e se prepara para sua vingança pessoal. Dentro da agência de inteligência britânica, onde a corrupção está no comando, fica o mistério de quem está mentindo para quem e se alguém vai querer vingar Bianca. Ela merecia!
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