Quem Vê Casa: A Ironia do Altruísmo na Nova Série

Quem Vê Casa… é o título no Brasil para No Good Deed e as expressões não são as mesmas. A versão brasileira brinca com a questão das aparências e a versão original é sobre a ideia de ue boas ações muitas vezes levam a consequências negativas ou inesperadas, sugerindo uma certa ironia no altruísmo. Ambas situações estão presentes da excelente série, que chegou meio na calada na Netflix com um super elenco.

A nova série da showrunner Liz Feldman, que já tinha nos dado o excelente Dead to Me, nasceu de uma situação trivial na vida da roteirista. Durante a pandemia, ela estava procurando uma nova casa e ao visitar uma potencial, Liz se viu imaginando qual seria a história da casa, das pessoas que estavam visitando o endereço e claro, com um twist perverso, imediatamente imaginou um crime.

Quem Vê Casa.. (No Good Deed) acompanha três famílias competindo para comprar a mesma casa antes de perceberem que, em vez dos sonhos pode ser, na verdade, ser um pesadelo. São oito episódios de meia hora num ritmo frenético e cheia de reviravoltas. Quem precisa vender o imóvel é o casal Lydia (Lisa Kudrow) e Paul (Ray Romano) que estão passando (na aparênci) por que chama de “ninho vazio”, uma vez que seus filhos não estão mais com eles. A verdade, obviamente é outra.

Não vou detalhar todas as subtramas ou revelar o principal segredo porque é tão bem costurado que vale saber pouco ou nada. O grande elenco de comediantes é outra surpresa: eles não estão aqui para nos fazer rir, ao contrário, nos emocionam com ótimas atuações.

Liz Feldman vem de grandes sucessos antes de Quem Vê Casa.. (No Good Deed): 2Broke Girls e Dead to Me e nesse último estabeleceu uma parceria com a atriz Linda Cardellini, que também inspirou para essa nova produção. Segundo Liz conta, a personagem Margo surgiu de uma gravação de Dead to Me na qual ela viu a atriz usando uma sandália vermelho-cereja e decidiu que teria as duas em algum novo trabalho. Linda topou sem saber o que viria no seu caminho, só pediu que Margo fosse o oposto de Judy, sua personagem em Dead to Me que rendeu uma indicação ao Emmy.

A história está extremamente bem amarrada, todas personagens são interessantes e todos estão incríveis, mas queria me estender um pouco mais para voltar a elogiar o compositor Siddhartha Khosla e mais uma trilha tão genial e bonita como a de Only Murders In the Building. Toda música de Quem Vê Casa.. (No Good Deed) nos conduz com precisão as emoções das personagens, das mais tristes às divertidas, mas é tão perfeita que faz totalmente parte da narrativa. Meu compositor favorito do ano!

Recomendo que façam a maratona e cruzem na ensolarada California que Liz Feldman mais uma vez retrata com tanto talento. Excelente série! Espero que não se perca e volte em novas temporadas (como a última de Dead to Me). Diversão garantida.


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