Não estaríamos no século 21 e sua cultura binária se não resolvessemos comparar e tentar decifrar afinal, qual a maiorcanção de Natal de todos os tempos. A resposta não é tão simples como esperado, mas é cheia de curiosidades.
Entre as milhares canções natalinas, em 2024 completamos aniversários das duas mais recentes e famosas – All I Want For Christmas Is You, de Mariah Carey, e Last Christmas, da banda Wham e mais especificamente, George Michael – uma completa 30 anos e a outra 40. Portanto ambas já estão no hall de clássicos. Mas, mesmo com números astronômicos, por conta de serem ainda mais antigas, os dois sucessos pop não ultrapassam as icônicas Silent Night ou White Christmas, embora o tempo esteja sinalizando algumas mudanças.

Vou me debruçar sobre cada uma das quatro separadamente, mas vamos à resposta do mistério. Se for usar como critério a canção mais gravada de todos os tempos, essa coroa permanece com Silent Night. Se for levar como relevância o maior número de vendas, bom, ainda não bateram White Christmas, mais ainda na voz de Bing Crosby. E, embora Last Christmas seja ultra popular, é mesmo Mariah Carey que é a “mãe noel” com o hino de Natal que escreveu em 1994. São nada menos do que oito discos de platina (mais de 8 milhões de cópias vendidas cada), lidera o topo de todas paradas natalinas mundial, o clipe oficial tem mais de 750 milhões de visualizações no YouTube e no Spotify, a música acumula mais de 1,3 bilhão de reproduções, destacando-se como uma das faixas natalinas mais ouvidas na plataforma.
Ainda assim, não é “a” maior canção natalina de todos os tempos. Essa posição se mantém com Silent Night.
E quais as histórias atrás de cada uma delas?
O poema pela Paz transformado em hino religioso
A Europa ainda se recuperava da força das Guerras Napoleônicas, passando por fome, escassez financeira e tragédias com incêndios e inundações e fome quando em 1816 foi declarada Paz mundial. Para inspirar sua congregação, o padre católico Josef Mohr, que vivia em uma pequena cidade perto de Salzburg, escreveu um poema chamado “Stille Nacht”, mas o guardou por dois anos sem apresentá-lo a ninguém.
Até que, no Natal de 1818, a cidade passou por uma enchente e a igreja paroquial de Saint Nicholas de Mohr foi inundada. Desolado, mas querendo inspirar os fiéis a manter confiança no futuro, Mohr pediu ao professor e organista Franz Xaver Gruber, que tocava numa vila vizinha, para musicar seu poema. Ele que era tenor, queria cantá-lo com duas vozes e um violão.
Gruber aceitou a proposta escreveu o arranjo em apenas uma tarde e Mohr esperou o fim da missa para fazer a surpresa (e também porque violão não era um instrumento aceito na Igreja). Como mágica, ele dedilhou o instrumento e cantou baixo sua canção, mas ao fim, toda congregação se uniu a ele em coro. Mágica de Natal?
Foi tão potente que em vez de ter sido algo de apenas uma noite, o reparador de órgãos Karl Mauracher, que estava presente, levou a partitura para casa com ele e passou a cantar com o coral de sua aldeia. A fama dos corais foram crescendo e eventualmente ela foi traduzida e espalhada pela Europa. Em 1839, ela chegou aos Estados Unidos com a tunê dos Rainer Family Singers. Vinte anos depois, o padre episcopal John Freeman Young, então servindo na Trinity Church, na cidade de Nova York, fez a tradução em inglês que hoje é a oficial.

Diante do histórico de sua origem, é ainda mais emocionante e compreensível saber que quando o ator e cantor Bing Crosby gravou Silent Night em 1942, no auge da 2ª Guerra Mundial, a intenção era a mesma de sua composiÇão: inspirar Paz e harmonia. Essa gravação vendeu mais de 10 milhões de cópias, uma número absolutamente imbatível por muitas décadas e de significado ímpar quando se considera o tempo.
A versão de Crosby ajudou a popularizar a canção religiosa foi traduzida para mais de 300 idiomas e dialetos, com milhares de versões gravadas por diversos artistas nesses 206 anos. É, segundo o Guiness, a canção mais gravada de todos os tempos. A própria Mariah Carey já a regravou e nem seu grande sucesso conseguirá alcançar a mesma relevância. Afinal, com grande importância histórica, “Silent Night” não compete diretamente em popularidade com hits modernos em plataformas de streaming ou rádios comerciais, que priorizam canções pop natalinas. Ela reina em contextos tradicionais, religiosos e concertos corais por conta de seu apelo universal e espiritual transcende gerações.
O Natal Branco que anda perdendo espaço
Mas ela só virou clássico em 1942, quando foi interpretada por Bing Crosby no filme Holiday Inn. Ganhou o Oscar daquele ano e virou sucesso instantâneo, tanto que a versão original com o cantor é a mais icônica e o o single mais vendido de todos os tempos, com estimativas de mais de 50 milhões de cópias. Quando somadas as outras versões, o número chega a cerca de 100 milhões de cópias por isso é considerada a maior e mais icônica em termos históricos, comerciais e culturais.

Assim como Silent Night, White Christmas se tornou um hino nostálgico durante um período de Guerra Mundial, especialmente para soldados e famílias separadas pelas circunstâncias do conflito. Porém a popularidade da canção tem perdido espaço em popularidade frente a canções mais recentes, como All I Want for Christmas Is You e Last Christmas, especialmente em plataformas digitais e entre públicos mais jovens. No Spotify, por exemplo, White Christmas não aparece frequentemente no top 5 das músicas natalinas mais tocadas, mas isso não diminui seu impacto histórico e cultural.
O hino de Natal por George Michael completou 40 anos em 2024
George Michael adorava Natal e tristemente faleceu no dia 25 de dezembro de 2016. Como hitmaker, fazia com facilidade canções que eram memorizadas rapidamente e, no início da carreira do Wham!, era uma habilidade usada com intuito claramente comercial. O caso exato de Last Christmas, que foi in ncluída no primeiro álbum do grupo, em 1984, e ainda é um dos grandes sucessos da banda.

Obviamente é uma das canções mais populares no final do ano, com versões de Taylor Swift e Alanis Morissette sendo tocadas ad nauseaum.
A maior da atualidade: Mariah Carey
All I Want for Christmas Is You é reconhecida como a canção natalina mais vendida por uma artista feminina e uma das mais vendidas na história da música, permanecendo no Top 10 do Spotify Global, demonstrando sua contínua popularidade.

Lançada em 1994, no 4º álbum de Mariah Carey, a canção que foi escrita em 15 minutos foi criada por uma decisão da cantora que não queria fazer um álbum apenas com clássicos. Em 2021, a canção foi tocada no Spotify um bilhão de vezes lembrando que a cada vez que a canção toca, Mariah ganha 1 centavo americano de royalties. Apenas em 2020, fez quase mais dois milhões de dólares sem sair de casa. E não inclui aqui as vendas de álbuns físicos ou licenciamentos.
Com três décadas nas costas, finalmente pode-se se dizer que All I Want for Christmas Is You já é uma canção tradicional de Natal. E quem resiste à ela?
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