Billy Bob Thornton Reina em Landman

Sem Billy Bob Thorton não há Landman. Apenas ele traduz o cinismo conservador de Taylor Sheridan como sabedoria vencedora e pronta para encarar de frente – e calar – qualquer um: do traficante com a arma na sua cabeça ao Exército dos Estados Unidos. Ninguém surpreende ou supera a agilidade de raciocínio de Tommy.

Embora infantil e previsível, o charme do ator dá todo o desconto e passa a ser divertido vê-lo pular de cena em cena sempre ganhando na argumentação. Se fosse na vida real não sei se seria tão bom.

A conclusão da 1ª temporada da série da Paramount Plus, com um super elenco que inclui Demi Moore, Jon Hamm e até Andy Garcia (outro que é destila cinismo com classe como poucos) trouxe reviravoltas, fechando alguns ciclos e criando possíveis dramas. E se Garcia veio para ficar como o chefe do tráfico, Galino, será muito bom.

A história de Tommy é que no passado ele era potencialmente tão próspero como Monty, mas perdeu tudo em uma aposta errada e passou a ser funcionário do amigo. Ele é o melhor porque transita nos dois lados da mesa por experiência própria e como é um homem de poucas emoções, faz decisões práticas. E nada mais importante para ser assim nas últimas 24h da vida do personagem na temporada: no que acabou sendo a última decisão de Monty em vida, Tommy passou a ser o Vice Presidente da empresa e agora ele é quem manda em tudo.

Em termos de história, o Poder vem com muitos desafios (além da parceria forçada com Galino), incluindo ter uma Cami (Moore) mais ativa na trama. Ela fez falta. Há muitas coisas complexas em Landman, do machismo exploratório das mulheres (sempre com poucas roupas, interessadas em dinheiro e prontas para sexo rápido) à irritante paixão entre o filho de Tommy e uma das viúvas da equipe que morreu no trabalho enquanto ele sobreviveu. Cooper (Jacob Lofland) agora é o novo “landman”, mas um que estará no caminho do próprio pai.

Dessa forma, Landman é o dramalhão tradicional que funciona. São ótimas performances, só tem um problema de ritmo com os monólogos pregadores de direita para contextualizar que nada mudou, que há séculos a briga pelo petróleo controla tudo no planeta e que a ganância é o perigo maior da humanidade. Ou algo assim, em geral são homens mais velhos donos da verdade que falam, falam e falam sem serem interrompidos. A menos que Billy Bob esteja em cena, aí ele sempre tem a última palavra.

Dito isso, é interessante ver a virada da história e as possibilidades dramáticas que terão ainda mais força na próxima temporada. Ainda não esgotaram nossas energias!


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