Há poucos dias conversei com a escritora Lyndsy Spence sobre a biografia que escreveu sobre Vivien Leigh (para a Revista Bravo!) e por alguns minutos dedicamos nosso papo para elogiar a atriz Joan Plowright.
Joan, uma grande estrela dos palcos e do cinema britânico sempre teve sua biografia ligada à terceiros, meio que tirando o foco de como ela era talentosa, empática e uma lenda por si mesma. A terceira e última esposa de Laurence Olivier, ela involuntariamente passou sua vida sendo comparada à Vivien (mais sobre isso à frente) e quando faleceu no dia 16 de janeiro, aos 95 anos, meu coração sentiu um pouco mais por ela.

Como a imprensa britânica destaca, Joan Plowright fez parte de uma geração que moldou o teatro britânico do pós-guerra, com peças modernas e atuações elogiadas. Seu nome alcançou reconhecimento internacional quando estrelou ao lado de Olivier a peça Vida de Artista (The Entertainer), em 1960, interpretando a filha dele. Os dois estrelaram o filme também e se apaixonaram nos bastidores, quando ninguém desconfiada dos problemas de saúde de Vivien Leigh. Dessa forma, Joan foi exposta como a destruidora de um casamento feito nas estrelas, mas aguentou o golpe com classe e discrição, algo que só contribuiu para ganhar ainda maior peso quando toda verdade veio à tona.
Como fez com Vivien, a partir do casamento Olivier passou a dividir o palco com a nova esposa e Joan estrelou clássicos de Shakespeare com ele, assim como Tchekov e outras produções. Mas eventualmente o casamento a levou a se recusar por cinco anos a aparecer no National Theatre, onde seu Olivier foi diretor entre 1962 a 1973 para não ser acusada de favoritismo. Joan ficou em ativa até os 85 anos, quando sua cegueira a forçou se aposentar.


Joan nasceu em 28 de outubro de 1929 em Brigg, Lincolnshire, a segunda de três filhos de uma atriz amadora e cantora de ópera que dava aulas de dança e um jornalista apaixonado por teatro amador. Ela sempre quis ser atriz e conseguiu entrar para a prestigiada escola de teatro Old Vic em Londres com apenas 17 anos.
Antes de se unir à Olivier, ela foi casada com o ator Roger Gage e trabalhava com astros como Orson Welles, entre outros. Estava destinada a ser sucesso à parte da interferência de sua vida pessoal. O casamento com o maior ator de sua geração foi duradouro – 28 anos – e gerou duas filhas e um filho, com quem ela trabalho no palco anos mais tarde.
O fato é que, como o New York Times menciona, Joan Plowright trazia dignidade para tudo que fazia. Ela foi indicada ao Oscar em 1991, pelo filme Um Sonho de Primavera (Enchanted April), ganhou um Tony em 1960 (por Um gosto de Mel (A Taste of Honey)). Em 1993, ganhou dois Golden Globes na mesma noite, por Um Sonho de Primavera e a minissérie Stalin.
Foi depois da morte de Olivier, em 1989, que Joan Plowright passou a trabalhar mais e fez 30 filmes sem contar os filmes para a televisão, dos clássicos aos conteúdos originais, comédia ou drama. Em 2001 publicou sua autobiografia And That’s Not All. Talvez a descrição mais clara do que foi Dame Joan Plowright seja a declaração do diretor Paul Feig, que lembrou dela sempre bem-humorada fazendo tudo ficar e parecer mais fácil.

A vida e obra de Joan Plowright transcenderam a sombra dos grandes nomes que cruzaram seu caminho e ela deixa um legado que merece ser celebrado de maneira independente. Sua habilidade de transformar cada papel em algo único e memorável, combinada com sua empatia e respeito pelos colegas, a coloca entre as grandes figuras da arte dramática do século 20. Ao refletirmos sobre sua carreira, percebemos o mais importante e é que Joan Plowright foi, e sempre será, uma estrela que brilhou com luz própria.
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