Mesmo se não houvesse tanta história nos bastidores de De Volta À Ação ainda assim valeria falar dessa comédia romântica de espiões cuja fórmula funciona há décadas: “espiões com família” ou “espiões se apaixonando”. Não importa, vocês sabem o que vai acontecer e que isso inclui explosões, confrontos, risos e romance. Esquenta a pipoca porque é hora de se desligar!

O filme que quase foi “o último” de Jamie Foxx – que teve um AVC durante as filmagens e quase morreu – está mais comentado por marcar a volta à ação da atriz Cameron Diaz, cuja aposentadoria desde 2014 nunca foi tão sentida quando nos descobrimos morrendo de saudades dela a cada cena de luta no filme da Netflix. Poucas atrizes navegam tão bem como ela por comédia, ação e drama (cuja carga aqui é mínima) e menos ainda conseguem SEMPRE ter química com seu parceiro. Se quer comprovação, De Volta à Ação é o filme mais visto do fim de semana e ela também ressuscitou o semelhante Encontro Explosivo (Knight and Day), de 2010, ao lado de Tom Cruise, que estava entre os cinco mais (re) vistos na cola da nova produção. Isso, meus caros, é o poder da estrela que Cameron ainda é.
A premissa de De Volta à Ação é como todos os filmes do gênero: simples. Embora gostem de dizer que a premissa é “e se Jason Bourne tivesse família?” me pareceu mais “vamos ver Os Incríveis em Live-action sem os poderes“. Seja sua escolha, e graças à Foxx, Diaz e grande elenco (que inclui Glenn Close e Andrew Scott em papéis menores), todos os clichês funcionam sem a menor vergonha. Filme de domingo, filme para ver com os filhos, filme que dá certo.

Os agentes de elite da CIA, Matt (Foxx) e Emily (Diaz), aproveitam o desastre de uma missão na qual estavam trabalhando juntos para se passarem como mortos e – sob novas identidades – recomeçar uma via em família. Quinze anos depois, eles são forçados a voltar ao mundo da espionagem ao terem seus disfarces revelados e colocarem seus filhos em risco.
A partir desse fiapo de história que já vimos contado antes, o casal que era o melhor time da CIA em anos, confirma porquê são tão temidos: lutam, fogem, decifram segredos e lidam com o passado como se nunca tivessem se afastado.

A crítica em geral está massacrando De Volta À Ação por sua falta de originalidade, mas, como eu, dando um passe por conta da saudade de Cameron. Essa narrativa depende do que você ainda possa esperar do gênero de espionagem e comédia. Confesse: o quanto pode ser realmente original? Sempre haverá um vilão querendo um chip ou app para dominar o mundo, sempre haverá um traidor ganancioso, cidades iram explodir, festas de glamour serão cenários de tiroteios… e ainda assim gostamos, não é? Quem acompanha Missão: Impossível, 007, Bourne ou qualquer outro, rindo ou “posando de sério”, a proposta não inova, mas, ainda assim, nos encanta se os astros estiverem alinhados.

Sem evitar o clichê, De Volta à Ação deixa a porta aberta para uma continuação, mas vai depender se Cameron, que alegou ter se cansado de como Hollywood funciona, quer realmente “voltar” de vez. Pode ter sido um flerte. A expectativa é maior para o filme que está acabando de rodar, Outcome, que está ao lado de Keanu Reeves e dirigida por Jonah Hill.
Sobre De Volta à Ação, vamos falar sem rodeios: nem todos os filmes precisam ser brilhantes, inovadores ou provocadores. Quando apostam no usual, precisam nos fazer sorrir, rir e torcer pelos mocinhos. Cameron Diaz não se aposentou porque queria papéis sérios, ela disse que se cansou de estar em um aquário de superficialidade e querer ter algo mais “normal” do que ser uma estrela em Hollywood. Onze anos depois, ela quer estar onde sempre se destaca – comédias de ação – e se divertir. Eu como fã, só tenho a agradecer. Que se divirta por mais tempo! Quem ganha somos nós.
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