Eu tenho certeza que Fernanda Torres estará entre as cinco indicadas ao Oscar em 2025, fazendo História em todos os sentidos. Será o segundo passo para o que considero sua consagração: ela é uma das favoritas a ganhar.

Acompanhar o Oscar é um esporte para mim desde pequena e tem um momento no qual o mérito raramente prevalece e paradoxalmente isso não o elimina em nada. É que Cinema nos Estados Unidos, acima de qualquer outro país, é um negócio antes de ser Arte. Em Hollywood é possível fazer filmes de milhões de dólares pelo divertimento, porque ainda haverá lucro. Na França há um mercado interno que sustenta o investimento, mas no Brasil e outros países? Contar uma história em audiovisual demanda comprometimento de alma porque os recursos são combinados de várias fontes, em escalas infinitamente menores, assim apenas uma paixão pela Arte motiva. Há filmes para diversão, claro, mas estamos longe do volume de produção ou de produção de uma Hollywood.
Obviamente simplifiquei em extremo a “realidade” mas para ressaltar como a popularidade de Fernanda Torres, no momento nos Estados Unidos inclusive, se encaixa nisso tudo. Fernanda, para nós brasileiros, é gigante. Sempre foi porque mesmo com apenas 20 anos e poucos anos de bagagem de carreira ela venceu em Cannes como Melhor Atriz, em 1986, por Eu Sei Que Vou Te Amar e daí construiu um mundo de personagens dramáticas e cômicas inesquecíveis, no cinema, na TV e no teatro. Sua atuação em Ainda Estou Aqui tem um peso maior para nós que temos como comparar com tudo que fez e afirmar com todas as letras que é uma atuação merecedora de Oscar. Sem ufanismo (mas com ufanismo).

Estou ciente que pouco ou nada falei do filme ou do peso da história verdadeira que ele conta e da relevância disso tudo nesse momento tão assustador no mundo. Porque como o Oscar, que está a poucos anos de seu centenário, é o prêmio da indústria americana, é sobre Arte, claro, mas é mais ainda sobre o momento. Há décadas virou uma plataforma de posicionamento e o discurso liberal (ainda bem!) tem mais força. Arte é isso, é incomodar, é questionar, é se posicionar.
Participo de um podcast, o Estúdio Pow! e em dezembro de 2024, quando ainda discutíamos possibilidades de Golden Globes falamos profundamente sobre o Oscar e lacrei que Fernanda estaria entre as cinco, com chances de ganhar. Mantenho minha visão. Onde “errei” no discurso? Na época Angelina Jolie e Nicole Kidman estavam fortíssimas e juro (confiram se quiserem no Youtube) falei que Nicole estaria perdendo sua força, mas se não me engano, mesmo titubeando, apostei em Angelina.
Na época não considerei que Demi Moore conseguiria quebrar o tabu de ser favorita por um filme de terror, mas já argumentava que temia que, se fosse ser uma questão de inclusão, Fernanda poderia estar “ameaçada” por Karla Sofía Gascón, mas isso porque temos 10 atuações brilhantes e apenas 5 vagas. Tudo indica que as duas serão indicadas. Meu amigo, Milton Abirached falava de Mikey Madison ganhando favoritismo e tem sentido. O problema é que vi errado: considerei que o azarão viria do gênero Comédia/ Musical, mas está invertido. As atrizes de Comédia/Musical são as principais em 2025 (Terror entra como Comédia nos EUA, vá entender!) então alô Brasil: Pamela Anderson ainda tem chance.

No cenário em que se desenha, a vitória de Fernanda de ser indicada é digna de celebração. É um dos anos mais disputados da história do Oscar. Mas ela está vindo com tudo. Falaremos mais em algumas horas!
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