Os Crimes de Diddy: O Impacto de ‘Making of a Bad Boy’

O nome de Sean Combs nunca esteve longe de polêmicas, mesmo quando era adorado como músico, ator, produtor e celebridade. Fosse como Puff Daddy, Puff, Diddy, Love ou outro codinome, Combs usava a origem simples do mundo do Harlem como medalha, um universo onde crime, rap, fama, e dinheiro se combinavam de forma nociva. Hoje, depois de Harvey Weinstein, Sean ocupa o lugar de maior predador de Hollywood. Além das acusações federais, ele lida com nada menos do que 35 processos civis, com acusações de estupro, violência, tráfico sexual e até de assassinato. A orgias comandadas por ele, batizadas como “freak offs”, envolviam menores de idade e astros do cinema e da música. Será avassalador.

O julgamento de Diddy começa em maio de 2025, mas dificilmente ele sairá de trás das grades tão cedo. Obviamente, olhar para sua trajetória até sua queda passou a ser urgente e vários documentários se propõe ao estudo, sendo The Fall of Diddy um dos principais deles. Como toda plataforma se propõe a ter seu documentário sobre o caso, a Peakcock saiu na frente com Diddy: The Making of a Bad Boy.

Ele mesmo se chamava de “bad boy para sempre”, mas em 2024 esse rótulo ganhou outras proporções. Desde o final de 2023, sua ex-namorada, Casandra “Cassie” Ventura, o processou por estupro e abuso físico, entre outras acusações, e os dois entraram em acordo para arquivar a briga, mas, enquanto alegava inocência, o vídeo de Sean agredindo Cassie foi exibido pela CNN, a partir daí as investigações sobre ele ganharam força, agilidade e outro rumo.

Em 25 de março de 2024, O FBI entrou nas suas casas em Los Angeles e Miami e encontraram tantas evidências que o magnata do hip-hop estava acabou sendo preso, em setembro, depois de ser acusado inclusive de tráfico sexual à força. Sem direito à fiança, ele aguarda julgamento.

De cara há uma questão problemática com Diddy: The Making of a Bad Boy: se você não está familiarizado com a música e o universo do hip hop vai boiar em todas referências. O foco é mergulhar na infância e juventude de Sean Combs e praticamente nada de sua premiada carreira musical é avaliada: só sabemos de Sean ambicioso, de Sean oportunista e de Sean homem de negócios. Claramente com medo dos processos, não há menção dos artistas vivos com quem ele se relacionou, nem de Sean “Jaz-Z” Carter ou Beyoncé ou Jenniffer Lopez. Que não fossem falar, sabíamos, mas virtualmente não são citados e todos estão metidos na história.

Tampouco a defesa de Diddy participa, portanto aqui é um documentário de apenas um lado: o acusatório. O que faz o trabalho ser fácil é o longo rastro de atrocidades na vida de Sean Combs, tantos que nem os que disse estarem excluídos reduzem o volume. E acredite, o homem parece mesmo ser um monstro.

O documentário de 1h40 traz entrevistas com amigos de infância do artista, assim como ex-guarda-costas, advogados, jornalistas e o cantor Al B. Sure, um dos que defende que a morte da ex-mulher de Sean, Kim Porter, é minimanente, suspeita.

O problema é que essencialmente – fora algumas imagens de arquivo – o roteiro é superficial, explorando detalhes escabrosos já conhecidos enquanto ignoram a carreira de sucesso de Sean Combs, cujo paralelo com o que acontecia nos bastidores é o que faz dessa história ser tão atroz. Ao contrário, “aliviam” passagens já conhecidas o suposto abuso de Combs na Universidade Howard e suas relações com outros homens e todos os fatos é que fazem dele um cara mau.

O foco de Diddy: The Making of a Bad Boy é traçar o perfil dele com uma infância problemática em um lar sem pai (que foi assassinado por ser informante da polícia), uma mãe conhecida por suas festas e liberdade sexuais e que, embora Sean tenha tido materialmente toda condição para escolher outra trajetória, ele decidiu ser o “bad boy para sempre”. Basicamente o que todos nós já sabíamos.

Se você quer ainda mais detalhes de um caso absolutamente assustador, The Fall of Diddy e seus quatro episódios são a melhor opção. Mas, certamente, o pior mesmo só será revelado quando o processo judicial começar, em maio. Embora público, o julgamento não será televisionado. O que nos deixa especulando ainda mais e “precisando” de documentários melhores. Teremos muitos.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário