Recap de The White Lotus e o que saber para 3ª temporada

Quando estreou ainda no auge da pandemia, em 2021, The White Lotus era uma proposta de ser uma única temporada, numa história de suspense, drama e humor que lembra muito o formato de “quem matou”(whudunit) em uma versão atualizada. Engajou o mundo e virou febre. Sua segunda temporada foi arrebatadora nos prêmios, vencendo inclusive Melhor Minissérie no Emmy. Um fenômeno.

Usualmente quando algo vira febre logo encontra críticas, mas The White Lotus está acima de tudo. Criada por Mike White durante uma viagem de férias com amigos, a série reflete as experiências e observações sobre riqueza, privilégio e comportamento humano feitas pelo autor/diretor, que é preciso tanto em criar uma trama elaborada como refletir os tempos atuais.

As temporadas não são ligadas, à parte de sempre acontecer em uma unidade da rede de hotéis “White Lotus”, e sim, incluir algumas personagens que aparecem nas anteriores. Chegaremos até elas mais abaixo. O fato é que todos os hotéis da rede estão em locais exclusivos e lindos – Havaí, Sicília e agora Tailândia – mas servem como um forte contraste para temas mais sombrios, como questões de disparidade de classe e as falhas morais de seus personagens.

Em sua idéia de explorar a dinâmica da riqueza e do poder, examinando como o privilégio afeta os relacionamentos e o comportamento, as interações entre hóspedes ricos e funcionários do resort, ou entre eles mesmos, sempre revela as ramificações mais profundas. Desde as críticas a superficialidade dos ricos e as atitudes paternalistas que eles costumam exibir em relação à equipe de serviço ou mesmo as falhas, desejos e inseguranças de seus personagens, tudo acaba crescendo a tensão ao longo da semana. Afinal, os personagens de The White Lotus são complexos, muitas vezes enfrentando crises pessoais que se desenrolam ao longo de sua estadia no resort.

Misturando drama com comédia sombria, equilibrando temas sérios com humor, há uma pegadinha: sempre há pelo menos um personagem que morre. Isso mesmo, abrimos com o mistério de “quem morreu” assim como o de “quem matou”, para só descobrir a verdade no final. Acredite: é viciante!

Há fãs, como eu, que tenta costurar um drama de pano de fundo que ainda não foi concluído plenamente e envolve a personagem de Tanya McQuoid (Jenniffer Coolidge) que esteve na 1ª temporada no Havaí, onde conheceu seu marido, Greg Hun (Jon Gries) e desapontou a funcionária Belinda Lindsey (Natasha Rothwell) depois de prometer investir em seu negócio (um centro de bem -estar) e desistir.

Na 2ª temporada, reencontramos Tanya e Greg de férias na Sicília, com problemas conjugais (e outros mais), e para grande choque, aparentemente Greg contratou comparsas gays europeus para matarem Tanya e ficarem com sua fortuna. Tanya escapa do atentado matando todos, mas escorrega no iate quando está tentando escapar, morrendo por acidente na Itália. Greg ficou à solta e a única testemunha de tudo, a assistente de Tanya, Portia (Haley Lou Richardson) está viva e escondida em algum lugar dos Estados Unidos. O problema é que o assassino contratado, Jack(Leo Woodall) também está à solta. Será que saberemos mais deles na Tailândia?

Se você não viu as duas temporadas anteriores, te ajudo com um recap abaixo. Há mais personagens além de Tanya e de alguma forma, todos podem eventualmente estar conectados.

Temporada 1: Tensão entre Gerações no Resort Havaiano

Enredo: A primeira temporada gira em torno de um grupo de hóspedes ricos no resort White Lotus. À medida que as férias se desenrolam, a tensão se desenvolve entre os hóspedes e a equipe do hotel. A história se entrelaça entre as lutas pessoais dos hóspedes, como problemas conjugais e privilégios, e o impacto de seu comportamento na equipe, particularmente em um personagem chamado Armond (Murray Bartlett), o gerente do resort.

Os  Mossbacher têm problemas conjugais e lidam com a insuportável adolescente, Olivia (Sydney Sweeney) e sua amiga, Paula (Brittany O’Grady), sarcásticas e representantes da geração Millenial. Há a já citada Tanya, que está no Havaí para jogar as cinzas de sua mãe no mar, e cujo narcisismo esbarra com todos de forma irritante. Mas os mais complexos são os recém-casados Shane e Rachel Patton (Jack Lacy e Alexandra Daddario), que já tem problemas entre eles pela diferença social e de expectativas. Para piorar, o insuportável Shane fica no pé do tenso Armond com consequências trágicas para ambos. (SPOILER: Armond é acidentalmente assassinado por Shane ao invadir o quarto do hóspede para defecar em suas malas).

A primeira temporada recebeu muitos elogios por sua escrita afiada, desenvolvimento de personagens e comentários sociais sobre classe e privilégio. Ganhou vários prêmios, incluindo o Emmy de Melhor Série Limitada ou Antologia e Melhor Atriz para a impagável Jenniffer Coolidge.

Temporada 2: Um drama operístico de assassinatos e traições

Enredo: A segunda temporada muda para a Sicília, Itália, apresentando um novo elenco de personagens, incluindo um grupo de amigos e familiares que estão de férias no White Lotus. A narrativa explora temas semelhantes de riqueza e poder por uma lente diferente, com novos conflitos interpessoais.

Os DiGrasso (F. Murray Abraham, Adam DiMarco e Michael Imperiolli) são avô, neto e filho viajando para a terra de seus ancestrais. Pai e avô são exemplos clássicos de homens tóxicos e mulherengos, enquanto o neto tem alma romântica e inocente.

Os casais de amigos, Cameron e Daphne Sullivan (Theo James e Meghann Fahy) e Ethan e Harper Spiller (Will Sharpe e Aubrey Plaza) têm pouco em comum e muitos segredos entre eles. A tensão sexual entre eles é inegável, com uma conclusão um tanto “Machadiana”: assim como Capitu em Dom Casmurro, não é claro se há traição ou só há ciúme e suspeita.

Já mencionei o drama com Tanya, que fica amiga de Quentin (Tom Hollander) apenas para descobrir que ele foi contratado por Greg para matá-la.

Do lado da equipe da unidade siciliana, a gerente Valentina (Sabrina Impacciatore) é rígida com a equipe, sem paciência para os problemas dos hóspedes e também vivendo um segredo. Na sua cola estão as malandras garotas de programa, Lucia (Simona Tabasco) e Mia (Beatrice Grannò), que dão seus golpes ao longo da temporada.

Aclamação da crítica: A segunda temporada também foi bem recebida, elogiada por sua qualidade de produção, desempenho e capacidade de manter a sátira afiada que definiu a primeira temporada. Os críticos elogiaram as performances do elenco, particularmente as de Jennifer Coolidge e Aubrey Plaza.

A mistura de humor negro com comentários sobre questões sociais modernas da série a tornou uma referência cultural significativa, ganhando aclamação do público e da crítica. O exame intrincado da narrativa sobre o comportamento humano, combinado com seus belos cenários e performances envolventes, solidificou The White Lotus como uma série de destaque na televisão contemporânea.

E a terceira temporada? Na Tailândia, fé e suspense em cenários exóticos

A estréia da 3ª temporada no dia 16 certamente vai colocar The White Lotus nos trend topics e teremos que ter atenção! Quem já viu a temporada (ou boa parte dela) está elogiando muito!

A fórmula vai se repetir: uma família de pais e filhos confrontados pelos segredos e dúvidas quando passam uma semana supostamente relaxante longe de casa; amigas jovens que na verdade são falsianes mútuas e um trio com problemas sexuais e financeiros. A equipe do hotel também contribui para o suspense.

Um SPOILER: não há assassinato no primeiro episódio (uma esperta maneira de nos manter ligados) até porque Mike White sempre avisou que quer discutir a onda de espiritualidade mundial: onde é genuína ou exploratória, lucrativa e manipulativa ou não e, os hóspedes querem se encontrar, mas o labirinto emocional os confunde mais do que os ajuda. Sorte nossa!

Mal posso esperar pelo domingo!



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