O Impacto do BAFTA na corrida do Oscar 2025

Faltam poucas semanas para o Oscar e o “fim” da temporada de premiações, uma das mais “animadas”da última década diante de tantos “azarões” mudando o cenário. Dos prêmios que influenciam diretamente o Oscar, os dos Sindicatos, já sinalizaram algumas preferências e uma delas é um tanto duro de engolir.

Na largada do ano, em Cannes, dois filmes viraram queridinhos da crítica: Anora e Emilia Perez. Incluindo a categoria de Melhor Atriz, que pela primeira vez foi concedido à todas atrizes de Emilia Perez (Selena Gomez, Karla Sofía Gascón e Zoe Saldaña). Para o mercado americano, foi definido que Karla Sofía seria a protagonista e as duas outras competiriam como coadjuvantes, uma estratégia que só prejudicou Selena, pois hoje ninguém tira de Zoe o seu primeiro Oscar.

Para falar a verdade, apenas Fernanda Torres e Ainda Estou Aqui, embora elogiadíssimos, não engataram em Cannes. Demi Moore e A Substância eram favoritos e Mikey Madison, a estrela de Anora, estava também cotada. Mas Emilia Perez sinalizava ser a “febre” do ano, muito antes de toda polêmica que hoje marca sua trajetória.

Ao chegar ao mercado americano, Fernanda Torres veio alcançando suas “concorrentes” em uma arrancada onde vencer o Globo de Ouro definiu três eliminações futuras: Nicole Kidman (outra especulada como favorita em Cannes), Angelina Jolie e Kate Winslet. Sempre lembro de tratar o assunto como uma análise de marketing pois aqui a Arte não tem mais o mesmo peso, ou pelo menos isoladamente não define o vencedor.

No Podcast Estúdio Pow!, lacrei algumas apostas que vêm se confirmando ao longo do tempo e a mais triste delas era a que Emilia Perez seria o “novo” A Vida é Bela: um filme meio parasita, que usa de argumentos e elementos históricos sem cuidado, mas que alcança o público imediato. Um filme que vira meio que “fenômeno” justamente quando Walter Salles Jr. traz algo espetacular para o cinema internacional. Central do Brasil perdeu para a Itália e certamente tudo sinaliza que Emilia Perez vá tirar o Oscar de Ainda Estou Aqui na categoria de filme estrangeiro, dando a vitória à França. Injusto há 25 anos, injusto em 2025. Espero muito voltar aqui para dizer que errei, mas o BAFTA e o Sindicado me confirmam o grande receio.

Sério, estou triste como estou triste que Kieran Culkin, assim como Zoe Saldaña, atores de uma única nota, sejam os vencedores anunciados em suas categorias. O fato que Adrien Brody seja o favorito por O Brutalista me chateia não por questões de falta de versatilidade, ele é talentoso, mas porque seu papel é essencialmente o mesmo de O Pianista. Ganhar duas vezes pelo mesmo tipo de atuação me parece preguiça da Academia. Afinal, O Conclave não é um filme religioso católico, mas um filme onde Ralph Fiennes brilha mais uma vez com sua sutileza. Eu daria à ele o Oscar, mas todos sabem que sou fã.

O drama gerado por Karla Sofía certamente prejudicou Emilia Perez nas demais categorias (Atriz, Roteiro, Filme, Diretor) e me chateia que assim também tenha atrapalhado o Brasil. Se ainda tivesse chance como Melhor Filme, Ainda Estou Aqui teria mais chances como Melhor Filme Estrangeiro. Agora? Gracias, Karla Sofía.

Se Emilia Perez lidera o ranking de filmes com mais indicações em 2025 – nada menos do que 13 – muitos já apostavam que O Brutalista, que vinha ganhando tudo, teria desbancado seus concorrentes. Não mesmo. Enquanto o BAFTA deu à O Conclave o mérito de melhor filme do ano, nos Sindicatos americanos o favorito é mesmo Anora. Sim, o vencedor de Cannes. Honestamente, como adorei o filme, não ficarei triste, mas é mais um a ser esquecido antes do final de 2025…

Então nos resta torcer por Fernanda Torres, ainda com muitas chances. “Contra” ela não é mais favoritismo de Demi Moore, mas ter perdido o elemento de zebra. Sempre alertei quanto a isso. Mikey tirou de Demi o BAFTA, a prova final entre as duas está no SAG Awards, domingo, 23 de fevereiro. Se Mikey for a eleita, é a verdadeira “adversária” de Fernanda no Oscar.

O que posso celebrar é que em 2025, o SAG não é mais o termômetro, nem mesmo foi BAFTA ou outros prêmios para os quais Fernanda não foi indicada. Porque as outras venceram, verdade, mas não competiram com a atriz brasileira. Ter sido “esnobada” foi uma questão de timing: Ainda Estou Aqui ainda não tinha estourado nos EUA quando os votos foram contados e isso inverteu com o Oscar.

Embora não possa ir contra a verdade de que Cynthia Erivo, Demi Moore e Mikey Madison tenham sido indicadas a tudo, dando vantagem à elas, o fato de Fernanda vir com a indicação ao Oscar faz dela a nossa zebra potencial do ano. E aí, é só sambar!


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