A notícia de que a produtora Kathleen Kennedy, uma das maiores lendas em Hollywood, vai se aposentar, me deu uma perto no coração. Desde que me conheço por gente lembro do nome dela em 9 entre 10 dos filmes que me formaram, e mais ainda, o sinal de que uma mulher tinha poder em Hollywood.
Com 71 anos, ela está à frente da LucasFilm e supervisiona franquias como Indiana Jones e Star Wars, mas adivinha no colo de quem tem caído os não tão bons resultados de todos esses conteúdos? Pois é. Injusto.


Embora não seja nada oficial ainda, o The Hollywood Reporter repercutiu os rumores, portanto parece ter fundamento. E é uma notícia reveladora, especialmente para as mulheres porque Kathleen é uma das gigantes na terra de Malboro. Não importa como queiram colocar, a notícia logo em seguida da aposentadoria de Barbara Broccoli é uma baixa para as mulheres.
Há quase 50 anos, Kathleen Kennedy é uma figura proeminente na indústria cinematográfica. Ela iniciou sua trajetória no mundo do entretenimento em uma estação de TV de San Diego, onde desempenhou diversas funções, incluindo operadora de câmera, editora de vídeo e coordenadora de produção de notícias.
Sua entrada na indústria cinematográfica ocorreu quando trabalhou como assistente de produção para John Milius no filme 1941, dirigido por Steven Spielberg e impressionou tanto o diretor, na época rapidamente virando um dos mais lucrativos e importantes do mercado, que ela a convidou para colaborar em projetos futuros. Assim, ela já estava com ele quando filmes icônicos da década de 1980, como E.T. – O Extraterrestre , Os Caçadores da Arca Perdida, De Volta Para o Futuro e Os Goonies, foram lançados.

Sua experiência e habilidade em gerenciamento de projetos a ajudaram a subir na hierarquia. Tanto que já em 1981, Kathleen co-fundou a empresa de produção The Kennedy/Marshall Company com Frank Marshall. Juntos, eles produziram vários mega sucessos como Jurassic Park e trabalharam com os maiores, sendo indicada ao Oscar oito vezes, incluindo O Sexto Sentido, Lincoln e ganhou por A Lista de Schindler.
Em 2012, quando a Disney adquiriu a Lucasfilm, George Lucas nomeou Kathleen Kennedy como presidente da empresa. Ou seja, ela se tornou uma das executivas mais influentes do setor, responsável por comandar franquias bilionárias como Star Wars e Indiana Jones.
Foi sob o comando dela que, tem sido uma força motriz na expansão da franquia Star Wars, vieram a trilogia sequela O Despertar da Força, Os Últimos Jedi, A Ascensão Skywalker e spin-offs como Rogue One: A Star Wars Story e Solo: A Star Wars Story. Claro, não podemos esquecer que temos Andor e The Mandalorian também graças a Kathleen.

Ela foi também a primeira mulher a receber o Prêmio Memorial Irving G. Thalberg da Academia, um reconhecimento dado apenas a produtores de impacto extraordinário no cinema. Esse prêmio, entregue majoritariamente a homens ao longo da história, destacou seu papel pioneiro.
Ninguém no topo só tem histórias de sucesso e os “fracassos” de crítica, como Star Wars: The Rise of Skywalker, e as tentativas frustradas de lançar filmes derivados após Rogue One e Solo , que enfrentaram problemas de produção e cancelamentos, criaram uma crise na LucasFilms (e Disney), contribuindo para a incerteza sobre o futuro das produções cinematográficas de Star Wars. Isso, ficou ligado ao legado de Kathleen também. Muitos fãs de Star Wars a responsabilizam pela falta de coesão na nova trilogia e por decisões criativas divisivas. Além disso, o mau resultado de Indiana Jones e o Chamado do Destino levantou questionamentos sobre sua liderança.
Sem surpresa, as notícias também são que a Lucasfilm se encaminha para novas direções criativas. Se fosse um homem nada disso estaria acontecendo… Isso mesmo, essas críticas refletem o ambiente misógino de Hollywood e da cultura pop, onde mulheres em posições de poder frequentemente são mais atacadas do que seus colegas homens.

Reação de Hollywood: misoginia e etarismo inegáveis
A reação de Hollywood ao anúncio da possível aposentadoria de Kathleen Kennedy tem sido mista. Enquanto muitos aplaudem seus muitos sucessos e a coragem de expandir a narrativa de fraquias importantes, outros apoiam a ideia de renovação criativa, mesmo que existam receios sobre a estabilidade da Lucasfilm.
Alguns cineastas expressaram a esperança de que uma nova liderança possa trazer uma nova visão, enquanto fãs de longa data discutem como a saída dela pode afetar o legado e as futuras produções de Star Wars.

Se a aposentadoria de Kathleen Kennedy for confirmada, será o fim de uma era. Não apenas para Star Wars ou para a Lucasfilm, mas para Hollywood como um todo. Sua trajetória prova que mulheres podem ocupar o topo da indústria cinematográfica, comandar franquias bilionárias e tomar decisões criativas que moldam gerações. Seu impacto vai muito além dos créditos nos filmes que nos formaram — ele está na transformação lenta, mas contínua, de uma indústria que sempre relutou em dar espaço para mulheres no poder.
E agora? Quem ocupará esse lugar? Será que Hollywood permitirá que outra mulher chegue a esse nível de influência? As críticas que Kathleen recebeu ao longo dos anos, muitas vezes desproporcionais e envenenadas por misoginia, deixam claro que o caminho para a equidade ainda é árduo. Sua saída reforça essa questão: o topo do entretenimento continuará sendo um lugar para mulheres ou sua presença foi a exceção?
O tempo responderá. Mas uma coisa é certa: Kathleen Kennedy mudou Hollywood. Seu legado não pode ser apagado. E por isso, mesmo que a notícia traga um aperto no coração, há um certo orgulho em saber que, por quase 50 anos, ela esteve lá, pavimentando o caminho para todas que virão depois dela.
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