O Que as Mortes de Gene Hackman e Michelle Trachtenberg Representam

Nem deu tempo para escrever sobre a suspeita morte de Michelle Trachtenberg, aos 39 anos, e descobrimos que perdemos Gene Hackman, aos 95 anos igualmente sem muita explicação, ainda mais que sua esposa, a pianista Betsy Arakawa, de 63 anos, e seu cão também estavam mortos. As autoridades locais não encontraram indícios de crime, e as causas das mortes estão sob investigação. Assim como a de Michelle.

Embora nenhuma das mortes tenham sido esclarecidas ainda, quando a polícia “encontra corpos” e “nenhum indício de crime” é identificado, como nos dois casos, imediatamente pensamos que foi uma decisão pessoal ou um acidente. E logo que consideramos mais a primeira opção, nos perguntamos por que?

Gene Hackman era uma lenda em Hollywood: dois Oscars por dois papéis incríveis além de um repertório de personagens marcantes, ele deixou a Indústria nos últimos 25 anos, se isolando no Novo México com Betsy. As últimas imagens dele, captadas por paparazzi, revelaram uma figura mais magra e abatida, sinalizando uma triste possibilidade de que seus problemas cardíacos possam ter aumentado nos últimos anos. Isso é especulação, claro. Todas as informações oficiais indicam que foi algo natural.

É difícil falar de Hackman sem lembrar do impacto que ele teve no cinema. Ele não era um astro no sentido clássico — nunca foi um símbolo de galã ou alguém que buscava os holofotes. Mas cada vez que aparecia em cena, você sabia que estava vendo algo especial. Ele tinha uma presença magnética, uma intensidade que fazia qualquer personagem parecer real, humano, cheio de camadas.

Seu primeiro Oscar de Melhor Ator foi em 1971, por Operação França, onde viveu o icônico detetive Popeye Doyle. Em 1992, foi eleito o Melhor Ator Coadjuvante por Os Imperdoáveis, como o implacável xerife Little Bill Daggett. Mas a verdade é que ele poderia ter levado muitos outros. Meu favorito dele é o incrível A Conversação, de 1974, onde ele entregou uma das atuações mais contidas e poderosas do cinema. Ainda esse ano, revendo Superman de 1978, me diverti com suas nuances como Lex Luthor, ao mesmo tempo carismático e ameaçador. Seu último filme foi a divertida comédia Uma Eleição Muito Atrapalhada (Mooseport), em 2004.

Hackman era um daqueles atores que pareciam ter nascido para interpretar qualquer coisa. Um policial durão, um vilão de quadrinhos, um caubói, um político corrupto, um pai complicado. Ele trazia verdade para tudo o que fazia, sem firulas, sem vaidade. E talvez seja isso que faz sua perda parecer tão grande — ele parecia eterno.

Nos últimos anos, viveu longe dos holofotes, levando uma vida tranquila ao lado da esposa, escrevendo livros e fugindo do assédio da fama. Foi visto poucas vezes em público, mas seu nome nunca deixou de ser reverenciado.

Michelle Trachtenberg não tinha o mesmo status, mas um impacto grande na Geração X que a acompanhou desde criança à vida adulta,

Nascida em 11 de outubro de 1985, em Nova York, Michelle começou na indústria ainda criança, estrelando comerciais e fazendo pequenas participações em séries de TV. Mas foi em 1996 que sua carreira deu um salto com Harriet, a Espiã, um dos filmes infantis mais marcantes da Nickelodeon. Aos 11 anos, ela já mostrava que tinha carisma e talento de sobra para segurar um longa-metragem como protagonista.

Nos anos seguintes, ela continuou trilhando um caminho de sucesso na TV. Foi em Buffy, a Caça-Vampiros (2000-2003) que ela viveu um de seus papéis mais icônicos, interpretando Dawn Summers, a irmã mais nova da protagonista. A personagem dividiu opiniões entre os fãs, mas Michelle trouxe uma vulnerabilidade e um crescimento ao longo da série que tornaram Dawn uma figura memorável no universo de Buffy.

Enquanto muitos a associam ao público infantojuvenil, Michelle sempre teve uma inclinação para papéis mais sombrios e intensos. Em 2004, estrelou Eurotrip, uma comédia adolescente recheada de cenas icônicas e, no mesmo ano, surpreendeu ao mostrar seu lado mais dramático em Mentes Perigosas (The Dive from Clausen’s Pier), um filme que explorava temas como culpa, perda e amadurecimento.

Outro momento de destaque foi sua participação em Gossip Girl (2008-2012), onde viveu Georgina Sparks, uma das personagens mais manipuladoras e inescrupulosas da série. Sempre que aparecia, ela roubava a cena, trazendo uma dose de caos e diversão ao Upper East Side. Foi a única a voltar o reboot e sim, era uma das melhores coisas de um erro inegável de voltar com a série. Filmes de terror psicológico provaram que ela preferia evitar ser convencional, uma assinatura ao lado de seus grandes olhos azuis.

Nos últimos anos de sua vida, Michelle manteve um perfil mais discreto, aparecendo em poucos projetos. Sua última grande participação na TV foi na série Criminal Minds (2013). Sua aparição nas redes sociais, sete dias antes de sua morte gerou polêmica quando fãs insensíveis criticaram sua aparência. Há suspeitas de que ela enfrentava problemas renais sérios, tendo inclusive passado por cirurgias, mas nada foi ainda confirmado.

A morte seguida dos dois astros abalou Hollywood e os fãs de cinema e TV de formas diferentes, mas igualmente profundas. Hackman era uma lenda viva, um ator que definiu gerações com sua presença magnética e talento inquestionável. Sua perda marca o fim de uma era, o adeus a um dos últimos gigantes de um cinema mais cru, realista e visceral. Já Michelle Trachtenberg representava uma nostalgia palpável para quem cresceu nos anos 90 e 2000, uma atriz que transitou entre a inocência da infância e os papéis mais sombrios da juventude. Sua morte precoce e inesperada desperta um sentimento de choque, tristeza e até incredulidade.

O impacto dessas perdas vai além da ausência física. Elas ressaltam como Hollywood, apesar de seu glamour, é um lugar onde o tempo e o destino seguem implacáveis. Fãs relembram performances inesquecíveis, revisitam filmes e séries, e, ao mesmo tempo, sentem o peso da mortalidade de seus ídolos. O cinema e a TV perdem duas figuras muito diferentes, mas que, cada uma a seu modo, marcaram suas respectivas épocas. No fim, resta a memória, os personagens e o legado – e a lembrança de que, por mais que o espetáculo continue, algumas presenças jamais poderão ser substituídas.


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