Mudanças na Narrativa de The Last of Us Podem transformar a história da série

A série The Last of Us chegou à MAX no início de 2023, quando já vivíamos o relaxamento do isolamento mundial dos anos anteriores, e o assunto da cena de abertura, que fala de um fungo (fictício) chamado Cordyceps poderia – e provoca – uma espécie de aposalipse por transformar seres humanos em criaturas violentas e descontroladas. Perto demais de casa, mas não foi esse o segredo de seu sucesso.

Havia uma enorme expectativa da série porque ela é a adaptação de um jogo de enorme sucesso, lançado em 2013 pela Naughty Dog, e considerado um dos melhores jogos da história, tanto pela sua jogabilidade quanto pela sua narrativa profundamente emocional. Por isso, a adaptação para a TV gerou um misto de entusiasmo e receio.

Ter Pedro Pascal no papel principal do coroajoso Joel foi aceito com entusiasmo pelos fãs, nem tanto sua colega de Game of Thrones, Bella Ramsey, que dividiu opiniões no papel de Ellie, mas a primeira temporada foi uma febre com grandes números de audiência e uma crítica massivamente positiva.

Se passaram dois anos até retomarmos a história e um dos aspectos mais positivos para os fãs foi a fidelidade da temporada, com momentos mais emblemáticos da trama preservados em detalhes. Por outro lado, por conta dos SPOILERS, havia esperança que a série expandisse o universo do jogo, explorando novos aspectos do mundo pós-apocalíptico e a profundidade dos personagens secundários. Isso ainda não aconteceu.

Embora algumas mudanças e expansões na narrativa tenham acontecido aqui e ali, em geral a série se manteve fiel ao original. Dito isso, a um mês de sua estreia, The Last Of Us já flerta com a posição de ser “uma série fenômeno”, quebrando recorde de views com o trailer final, acumulando mais de 158 milhões de visualizações em todo o mundo, em todas as plataformas, e isso apenas nos primeiros três dias de lançamento. Imaginem quando estrear?

E claro, no breakdown do trailer, os mais atentos repararam uma mudança que pode distanciar a série do jogo, mas em um terreno perigoso. Isso porque as imagens sugerem que uma parte importante da trama envolvendo a antagonista Abby Anderson (Kaitlyn Dever) pode ser transferida para sua inimiga, Ellie. E o que isso muda? Muita coisa.

SPOILERS à frente.

Abby vai entrar na trama – para os não iniciados – como uma jovem que, assim como Ellie, é traumatizada pelas perdas ao longo da realidade distópica que divide a humanidade pós Cordyceps. Ela quer vingança pela morte de seu pai e é uma jovem fria, treinada, forte e violenta. Seu pai era o cirurgião que foi morto por Joel para salvar Ellie, por isso é tão complexo que os três se esbarrem e Abby consiga realizar sua missão pessoal.

Obviamente, ao matar brutalmente Joel (que deve ser o final da segunda temporada), ela transforma Ellie em uma mulher obstinada a vingar seu pai adotivo, numa trama onde a transformação invertida das duas (Abby passa a entender o vazio da vingança e evolui como pessoa ao passo que Ellie começa a perder sua humanidade) é o grande trunfo de The Last of Us. Mas a virada decisiva da recuperação de Abby é quando ela é capturada pelos Serafitas, um grupo religioso extremista que rejeita a tecnologia e é conhecido por sua violência. O encontro dela com eles é apavorante e definitivo para a virada da personagem.

Se de fato tirarem esse trauma de Abby para Ellie, o relacionamento dela com Lev e Yara mudaria completamente o contexto, assim como a humanização da personagem, se é que pretendem manter essa virada. Como não sou gamer, não tenho uma opinião formada sobre o que potencialmente essa mudança faz com The Last of Us, mas me parece essencial. Gosto de personagens cinzentos, espero que não simplifiquem Abby. E que, de forma alguma, tirem Future Days da série! Ver Pedro Pascal e Bella Ramsey com o violão na mão já me deu arrepios… e a contagem regressiva começa!


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