Acompanhar a evolução de The White Lotus desde sua proposta inicial de ser uma única temporada, para fazer tanto sucesso de ser cobrada – e brindada – com uma segunda até virar febre e “ganhar” mais duas, tem sido intenso. Hoje, no dia da conclusão da terceira temporada a série ganha status de fenômeno: um dos raros conteúdos que monopoliza a atenção mundial. Sim, tem sido quatro anos curiosos.


A bolsa de apostas está longe da unanimidade, graças à inteligência de seu criador, Mike White. Para ele, The White Lotus seria uma espécie de “estudo” sobre pessoas problemáticas e emblemáticas do mundo atual, cheia de falhas e, dentro de sua imperfeição, personagens curiosos. Há também o aspecto crítico dos americanos em resort exóticos em uma inabilidade de conectar com outras culturas, com outras realidades, mas claro que para surpresa e diversão de White o universo de roteiristas frustrados das redes sociais viraram “detetives”, investigam teorias, criam tramas complexas e bem mais estranhas do que a que o autor está apresentado.
O que The White Lotus, mesmo como fenômeno, ainda não passou foi a perda do domínio de White sobre o universo da rede hoteleira que criou. Os fãs podem inventar, deduzir e apostar o quanto quiserem: quem manda é Mike White e a Internet não roubou dele sua autoria, como acontece com séries como House of the Dragon, cujos fãs “zelosos” (e apoiados no desapontamento do autor George R. R. Martin) se dividem entre os “puristas” e os “fãs da série”, trucidando Ryan Condal como showrunner, apenas um pouco menos do que a dupla de Game of Thrones, Dan Weiss e David Benioff. Aqui a história é 100% da cabeça curiosa de White e mesmo que alguns delírios de fãs sejam curiosos, a história é “dele”.

Claro que atores também foram pegos de surpresa com o sucesso astronômico de The White Lotus. Jennifer Coolidge, amiga pessoal do criador da série, foi presenteada com um papel lendário e central de The White Lotus, ganhando dois Emmys de Melhor Atriz e só não vai para o terceiro porque foi “morta” de surpresa na segunda etapa.
Mas talvez o ator que tenha sido o mais surpreendido seja Jon Gries, que como Greg Hunt (hoje Gary) entrou como coadjuvante na fase final da primeira temporada, apareceu em apenas três episódios da segunda e é hoje o grande vilão da história, sem precisar estar em cena para que estejamos especulando sobre ele. Porque Mike White nos provoca, e porque ele é firme em sua autoria, temos que nos preparar para o fechamento da temporada hoje, com um grande episódio de 1h30. Isso mesmo, The White Lotus está oficialmente no patamar das maiores séries, que ganham um filme para sua conclusão.
E quem morre na terceira temporada de The White Lotus? (lembrando que teremos uma quarta e última em 2027)



O grande mistério está guardado à sete chaves pelo elenco e plataforma. Segundo consta, depois de ter passado por vazamentos com GOT e HOTD, a MAX está quase paranóica no controle: há seis diferentes finais escritos (mas vamos combinar, apenas um gravado) e os atores passaram por tortuosas e torturantes entrevistas rebolando para evitar SPOILERS. Considerando que ouvimos um tiroteio e vimos funcionários e hóspedes do hotel correndo na primeira cena, pode haver bem mais do que uma única vítima (na segunda temporada foram pelo cinco mortos no iate, incluindo Tanya). E mesmo que todos insistam em juntar “dicas”, a verdade é que tudo será possível.
Como mencionado, já é “tradição” na série, a temporada abre em torno da morte de uma personagem, mas nada impede que tenhamos “mais”. Na primeira foi Armond, o gerente da filial havaiana. Na segunda, o que interessou à rede hoteleira foi que a hóspede Tanya McQuoid se afogou fora da área oficial do White Lotus: estava em um iate onde outros passageiros foram fuzilados.
Nós sabemos o que houve: Greg, hoje Gary e para Quentin era “Steve”, combinou com o ex-amante que contratasse a máfia local para matar a esposa. Alertada por Portia, Tanya só se deu conta do complô tarde demais e conseguiu pegar a arma e matar seus captores, mas escorregou na hora de pular para o bote e morreu de qualquer forma, mesmo por acidente. Para a polícia em um primeiro momento ficou parecendo que alguém contratado entrou e matou todos à bordo, com Tanya tentando fugir e se afogando no processo. Suspeito, mas até Portia – se é que ela se manifestou – testemunhar, ninguém saberia o envolvimento de Greg (hoje Gary).
Voltamos toda hora à esses detalhes porque eles pesam na possibilidade de que hoje, Belinda, outra testemunha de que Greg (hoje Gary), estaria envolvido na morte de Tanya e o psicopata tentou suborná-la antes de partir logo para tentativa de assassinato. Belinda lidera a “ordem natural” das vítimas potenciais se Mike White seguir investindo nessa trama. Mas será que vai mesmo? O próprio Greg (hoje Gary) pode morrer e vingar os fãs de Tanya por tanta maldade.


Se for fugir dessa armadilha de reduzir The White Lotus à uma série de mistério, o showrunner vai eleger outra vítima para nos deixar, como alertam os atores, com raiva dele e boquiabertos. Uma provocação igualmente infantil e perigosa porque eleva a expectativa mais do que mantém o mistério. O ideal seria manter a questão de “quem morreu” no campo da irrelevância.
Diante da habilidade de White de nos enganar (foi difícil imaginar quem morreria na 1ª temporada e mesmo se tivéssemos considerado Armond, ninguém apostaria que seria morto acidentalmente com uma facada, mas era possível que fosse morrer de overdose, tampouco começamos a 2ª antecipando que a personagem mais popular fosse morrer), qualquer um pode ser a vítima hoje.
Temos um empresário que há uma semana contempla o suicídio e que agora está determinado a levar com ele a esposa e o primogênito; temos três amigas em crise e inadvertidamente envolvidas com bandidos russos e temos um casal onde o namorado de passado sombrio veio ao White Lotus para matar o dono da rede hoteleira (uma vingança por ter matado seu pai), mas que apenas agride o homem e – em vez de fugir – volta para o resort como se nada tivesse acontecido. Nem precisamos mencionar o segurança incompetente que permitiu que um assalto a mão armada colocasse os hóspedes em risco, teve sua arma roubada e tem a namorada inexplicavelmente demandando que ele passe a ser agressivo para “subir na vida”. Nunca antes em The White Lotus tantos personagens corressem tanto risco como hoje.

Sem fotos de divulgação liberadas com antecedência usual, tudo é especulação. E se Mike White se confirmar como um showrunner sádico, três personagens que mais despertaram empatia lideram a possibilidade de morte: Belinda, Rick e Chelsea. Com todos podendo morrer.
Não quero apostar porque com White não acertei ainda. Mas vamos exercitar:
Cenário 1: Greg consegue matar Belinda. O tiroteio é entre os russos e Gaitok, mas se um deles morrer ninguém realmente se importa.
Cenário 2: Greg morre tentando matar Belinda. O tiroteio ainda é entre russos e Gaitok.
Cenário 3: Tim morre tomando o smoothie da fruta venenosa. O tiroteio é entre russos e Gaitok, assim como entre Rick e seguranças de Jim (o dono do hotel). Todos menos o empresário escapam.
Cenário 4: Em vez de Tim, Saxon morre com o smoothie.
Cenário 5: Em vez de Tim ou Saxon, Victoria morre.
Cenário 6: Em vez do pai, do irmão ou da mãe, é Lachlan quem morre.
Cenário 7: Laurie é morta pelos russos para que não revele o assalto ao hotel. O tiroteio é entre os seguranças de Jim e os os russos em fuga (com ajuda de Gaitok).
Cenário 8: Greg/Gary mata Chloe e foge. O tiroteio nada tem a ver com ele.
Cenário 9: Kate ou Jaclyn acaba como vítima dos russos. Acidentalmente.
Cenário 10: Belinda é morta por Greg/Gary, e Rick ou Chelsea acaba como alvo dos seguranças do hotel.
Com 10 possibilidades, será que acerto uma? risos
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