Teorias e Tragédias em The White Lotus: Um Final de Temporada

Foi tenso aguentar 90 minutos e ter confirmado duas teorias desde o início, aliás, várias: a vítima era na verdade a dupla – Chelsea e Rick (ele de rosa) – e sim, Jim era o pai de Rick. Terminamos a terceira temporada de The White Lotus com Mike White nos avisando que há muito mais assassinatos nessa rede hoteleira almadiçoada. Sim, em 2027 voltaremos uma última vez a um outro hotel White Lotus e teremos tempo o suficiente para teorizar. Vamos falar do 8ª episódio dessa temporada.

Retomando de onde paramos, havia muita tensão no último dia dos hóspedes americanos e foi complexo administrar tanta ansiedade

Os Ratliffs: tragédia grega

Era óbvio que a oração de Victoria iria funcionar: Piper nunca enganou ninguém. Ela é perdida e típica mimada que acha que “mudar” é fingir ser o que não é. Ela também não consegue viver sem luxo para o desespero de Tim, que agora terá que matar toda família antes de tirar a própria vida.

Pobre Lochlan, ainda sem entender bem o que fez com Saxon (eu queria te incluir, foi a desculpa), ele está “rejeitado” pelo irmão e por Piper. Sozinho, acidentalmente toma o shake com a fruta envenenada e quase morre. Só descobrimos que não era uma fruta fatal (ou a dose que ele tomou) nos últimos momentos, mas os Ratliffs voltam para os EUA unidos como nunca. Nem mesmo o anúncio de Tim de que “as coisas serão diferentes” na volta parece abalá-los.

As três amigas: a verdade que liberta

Laurie, Kate e Jaclyn demoram um dia todo para superar a troca de verdades entre elas, mas com Jaclyn liderando os pedidos de desculpas, elas acabam se reconectando e reencontrando o amor entre elas. Laurie fala de suas frustrações em um monólogo espetacular de Carrie Coon, e mesmo omitindo que os russos eram criminosos, as três voltam para casa felizes (e traumatizadas? Afinal escaparam por pouco com vida no fogo cruzado).

Chelsea e Rick: Amor Fati

O casal favorito do público e o que todos imediatamente apostaram como as vítimas de fato acaram sendo mortos em consequência das escolhas de Rick. Foi meu “cenário 10”, que não foi 100% certo porque Mike White, sádico, nos pregou uma peça com Belinda (mais abaixo).

Rick volta de Bangok em paz com ele mesmo, para reencontrar Chelsea e começar o resto da vida dos dois juntos. Um reencontro emocionante dos dois, a entrega do coração apaixonado… tudo para nos fazer sofrer em seguida. Embora todos tenham apontado para o cordão de ouro de Chelsea que tinha as palavars “Para sempre dourado” (uma metáfora de pra sempre jovem), eu só tive certeza quando ela citou o título do episódio como mantra de vida. E como Rick estava com uma camisa rosa, confirmando minha dica de todas as temporadas, estava certo o que ia acontecer. E aconteceu.

Jim, como nós, ficou estupefado que depois de mentir e ameaçar a ele e Sritala, Rick ainda tenha tido a cara de pau de voltar para o hotel, passar o dia e contar de ir embora no dia seguinte. Com uma arma, Jim não apenas ameaça Rick: o ofende falando mal de sua mãe. Com isso, Rick se esforça, mas não consegue voltar ao estado de espírito pacífico anterior. Com Chelsea atrás dele, Rick surta, pega a arma e mata Jim, apenas para descobrir que Jim era seu pai. Juro que não lamento por Jim: ele foi nojento e insensível com Rick. Mas Chelsea? Pega no fogo cruzado, comprovou que coisas ruins acontecem em três. Rick, desesperado, não vê Gaitok atrás dele. O segurança exita, mas quando Sritala ordena que atire, mata Rick. Dois mortos que não fazem diferença na história de The White Lotus.

Gaitok e Mook: chatos

O segurança bonzinho e incompetente foi instigado por duas mulheres a ir contra sua natureza bondosa e conseguiu, ao matar Rick, a promoção que pleiteou no início. Mook nem merece discussão – inútil e odiosa – mas Gaitok, um favorito do público, passou o episódio tentando dedurar os russos sem conseguir. No final das contas, matou o assassino do chefe e virou herói.

Belinda e Greg: Nãaaaao!

Mas o grande assassinato da temporada foi o caráter de Belinda, uma personagem bondosa e íntegra, sempre passada para trás. Induzida pelo filho idiota e interesseiro, Belinda achaca nada menos do que 5 milhões de dólares de Greg/Gary, deixando a Tailândia antes que o psicopata mudasse de idéia. Isso me irritou mais do que a morte de Chelsea e Rick.

Greg termina a temporada com festança na sua casa, prestes a viver sua fantasia sexual com Chloe (vê-la fazendo sexo com outro) e aparentemente, conseguiu manter sua localização em segredo para desfrutar a fortuna que herdou de Tanya. Agora para ter “justiça”, teremos que ver muito mais gente pagando a conta: Greg, Belinda e Zion!

A conclusão da temporada pode implicar que a trama de Greg Hunt, o psicopata, acabe mesmo por aqui, como as inspirações reais para o personagem sugerem. Afinal, há outras personagens que talvez buscassem justiça para Tanya, mas a mais honesta delas parecia ser Belinda. Mais do que Portia. E vimos como medo e ganância determinam o resultado do jogo.

Na tradição de trazer alguém de temporada anterior para a última pode explorar outros antigos hóspedes, ou, partir para um grupo inteiramennte novo. A maldição do White Lotus, eu espero, terá que ser mencionada ou ter abalado os negócios pois em poucos anos foram muitos mortos ao redor do mundo: um gerente no Havaí, uma hóspede e três visitantes na Itália e agora, dois hóspedes, quatro seguranças e o dono do White Lotus a Tailândia. São 12 vítimas em três anos. Não sei como uma rede hoteleira sobrevive a tanto!

Uma temporada “diferente”, mas ainda assim excelente

Muitos reclamaram da lentidão da terceira temporada, mas vejo o sucesso absurdo como o impecilho de que The White Lotus consiga superar expectativas astronômicas. Foi uma boa temporada e nos enganjou por oito semanas.

A fórmula se mantém interessante: um assassinato, voltamos 10 dias no tempo para acompanhar os problemas e tentar decifrar quem é a vítima. São sempre três grupos de hóspedes: uma família completa, amigos adultos sem filhos e uma dupla meio à parte. Às vezes os grupos se cruza, mas em essência são turistas americanos sendo insuportáveis em locais exóticos que desperta o lado animalesco de todos eles. Entre a equipe do hotel, enquanto fazem tudo para agradar aos hóspedes, os funcionários vivem seus próprios dramas.

Sim, há a trama de Tania McQuoid e seu marido psicopata, mas é algo de fundo. No centro está sempre o estudo das relações humanas, e feito através de várias pessoas muito ruins. Portanto, há muito o que explorar ainda.

A terceira temporada foi divertida e intensa, mas menos azeitada como as anteriores. Ainda assim, já estou louca para que 2027 chegue com a temporada final. Acompanharemos, claro!


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário