A Perfeição Desmascarada: A Nova Guerra dos Roses

Quando chegou aos cinemas, em 1989, A Guerra dos Roses causou estranhamento porque ninguém esperava que Michael Douglas e Kathleen Turner fossem estrelar um filme onde eram amantes tornados arquiinimigos depois de tanto sucesso com Tudo por Uma Esmeralda. Mesmo sendo uma das maiores bilheterias do ano, o filme não era exatamente drama, tampouco comédia. Resultado: embora elogiado por cinéfilos, hoje é cult, mas não exatamente um “clássico”.

A notícia de que seria refilmado 35 anos depois, com Olivia Colman e Benedict Cumberbatch chamou a minha atenção em 2024 e agora já temos o trailer oficial onde os papéis originais estão invertidos e o humor é mais realçado.

A história original, que foi um bestseller antes de virar filme, conta história de Oliver e Barbara Rose, um casal que parece ter um casamento perfeito, mas que rapidamente se desintegra em uma batalha amarga e destrutiva quando ela, frustrada por ter aberto mão de seus sonhos para ser dona-de-casa, se ressente com o marido e quer o divórcio. O problema? Nenhum dos dois quer abrir mão da casa que construíram juntos. Em 2025, o frustrado é o marido (Cumberbatch), mas o resto lembra muito o original.

Não se trata de uma refilmagem, os produtores alertam, mas uma “releitura”. Nesta nova versão, rebatizada no Brasil como A Perfeição Desmascarada e no original apenas “The Roses”, Oliver e Barbara viram Theo e Ivy, um casal de ingleses que vive na costa da Califórnia onde ela acaba virando uma Chef de sucesso, mas ele acaba virando um arquiteto desempregado. Mesmo que inicialmente fossem apaixonados, à medida que a frustração e o ciúme de Theo aumentam, também crescer o caos no casamento, levando ao divórcio. Isso é apenas o começo da guerra entre eles.

O nome original era mais divertido e correto porque A Guerra dos Roses não apenas era literal como se referia ao período da guerra civil inglesa. A Perfeição Desmascarada (The Roses) conta com a inegável versatilidade de Olivia Colman (que faz qualquer coisa com facilidade, comédia ou drama) assim como a de Benedict Cumberbatch sob a direção do experiente Jay Roach, e só chega aos cinemas no segundo semestre.

Um dos trunfos dessa “releitura” está no roteirista Tony McNamara, que assinava The Great, assim como Pobres Criaturas (Poor Things) e que já trabalhou com Olivia em A Favorita. Ele é perfeito em humor ácido e incômodo. McNamara, que se diz fã do filme de 1989, alega que se debruçou mais no livro original do que no filme, mas todos fazem tanto esforço para negar que seja uma “refilmagem” que meio que reforça a impressão de que não trabalharam bem isso entre eles. Mas não atrapalha, podemos perceber no trailer.

A atualização e inversão de papéis é importante porque a “guerra dos sexos” se mantém, e com maior identificação com gerações que não sabem nada do original. E se Danny DeVito era o coadjuvante, agora tem estrelas como Andy Samberg, Kate McKinnon, Allison Janney e Ncuti Gatwa. Não dá para reclamar, né?

Uma coisa que concordo com a equipe atual é que não é preciso estar familiarizado com A Guerra dos Rose para apreciar a releitura. Talvez seja até melhor? Desde 1989, vários filmes tomaram “emprestada” a trama, incluindo Sr. e Sra. Smith cujos protagonistas, Brad Pitt e Angelina Jolie representam na vida real o que está nas telas (e apelidados por estarem na “Guerra dos Rosés”, por causa do vinhedo na França).

A ver como será a reação do novo público!


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