A última temporada começa agora
A segunda temporada de Andor — que estreia no dia 24 — enfrenta vários desafios, sendo o principal deles condensar uma história originalmente pensada para três temporadas de 10 episódios (ou mais) em uma temporada final de 12. Em tempos em que a média são temporadas de seis a oito episódios, ter 12 horas ainda é sinal de prestígio — e Andor não faz por menos: é a melhor série de 2025.
“É a melhor série dramática do ano e uma das melhores do universo Star Wars.”
A afirmação já considera a febre de The White Lotus e o sucesso de The Last of Us, mas ainda assim a sustento. É a melhor série dramática do ano e uma das melhores do universo Star Wars.

O peso de uma história coerente
Embora eu não esteja sozinha nessa opinião, ela está longe de ser unanimidade. Eu considero Rogue One o melhor filme da saga desde O Império Contra-Ataca, e lamento profundamente que os demais spin-offs e sequências da trilogia original tenham praticamente destruído personagens icônicos como Han Solo, Obi-Wan Kenobi, Anakin, Luke Skywalker e a Princesa Leia, esvaziando-lhes a lógica interna e até a singularidade.
De repente, há Jedis por todos os lados, rebeldes e vilões que nunca foram mencionados antes. É como se o showrunner fosse o Yoda: tudo é dito ao contrário, sem muita coerência. E é exatamente por isso que tudo o que gira em torno de Cassian Andor se torna ainda mais relevante.
Como surgiu o filme Rogue One: A Star Wars Story
Rogue One nasceu como parte da estratégia da Lucasfilm, após sua aquisição pela Disney em 2012, de expandir o universo Star Wars com histórias paralelas aos episódios principais. A proposta era criar filmes independentes que mergulhassem em eventos, personagens e conflitos apenas mencionados nos filmes originais, oferecendo novas perspectivas ao público.
A ideia de Rogue One surgiu da mente de John Knoll, supervisor de efeitos visuais da Industrial Light & Magic (ILM) e veterano da franquia. Ele se perguntava há tempos como a Aliança Rebelde havia conseguido os planos da Estrela da Morte — o ponto de partida de Uma Nova Esperança (1977).

Knoll propôs um filme centrado em um grupo de rebeldes desconhecidos, sem poderes Jedi, em uma missão desesperada. O roteiro foi desenvolvido por Gary Whitta, retrabalhado por Chris Weitz e, mais tarde, reformulado por Tony Gilroy — nome crucial na versão final.
“O tom sombrio, o sacrifício final e a cena de Vader no corredor fizeram de ‘Rogue One’ um clássico imediato.”
Com retorno de mais de um bilhão de dólares, o sucesso do filme abriu caminho para Andor.
Andor: trágico e emocionante
Para quem não gosta de spoilers, aviso: Andor desafia todos os paradigmas. O filme termina com a morte de todos os protagonistas, inclusive Cassian Andor (Diego Luna). Cassian era um espião rebelde endurecido pela guerra, alguém que já havia feito “coisas terríveis em nome da causa” — uma fala enigmática que despertou o interesse tanto dos fãs quanto dos criadores da Lucasfilm.
“A maior força de Andor é não contar com Jedi para resolver os problemas. Aqui, atos têm consequências.”
A Lucasfilm viu nisso a chance de contar uma história mais íntima e madura. A série estreou em 2022, com Diego Luna retornando ao papel e Tony Gilroy no comando como criador e showrunner. Gilroy trouxe sua bagagem da franquia Bourne e aplicou à série uma abordagem mais realista, política e dramática.
Onde tudo dói (e brilha)
A maior força de Andor está justamente na ausência de mágicas ou sabres de luz: atos têm consequências, inocentes morrem, mocinhos matam. A série nos mostra como a opressão do Império afeta o cidadão comum, e como a rebelião começa com pequenos gestos de desobediência.
Apesar do estranhamento inicial causado pelo ritmo mais lento e pela multiplicidade de histórias paralelas, personagens como Luthen Rael, Mon Mothma, Syril Karn, Dedra Meero e Bix Caleen foram aclamados por seu realismo psicológico.
“Estabeleceu um novo padrão de qualidade para Star Wars — que a maioria das outras produções não alcançou.”

A despedida anunciada
Na segunda — e última — temporada, avançamos no tempo com saltos de anos a cada dois episódios. A narrativa se aproxima cada vez mais de Rogue One, e o espectador sente o coração apertar por já conhecer o destino de cada personagem.
Em algum momento, você pode pensar que certas tramas serão abandonadas, mas confie: tudo encontra seu lugar. E é emocionante.
“Depois de assistir a Andor, nunca mais veremos Rogue One da mesma forma. Fica ainda mais heróico. E mais triste. E mais esperançoso também.”

Como Diego Luna já alertou: prepare-se. Andor não é só uma série. É um legado dentro de uma franquia que precisava desesperadamente lembrar por que começou.
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