O Impacto de ‘As Quatro Estações’ na Cultura Pop

O sucesso da versão de 2025 de As Quatros Estações fez reascender a curiosidade sobre a obra original, dirigida por Alan Alda. Lançado em 22 de maio de 1981, o filme marcou a estreia do premiado ator como diretor de cinema. Conhecido até então como ator de televisão, especialmente por seu papel como o sarcástico Hawkeye Pierce em MASH*, Alda surpreendeu o público e a crítica com uma comédia dramática madura e afiada sobre a complexidade das relações de longa data entre adultos — casamentos, amizades e tudo o que se transforma com o passar do tempo.

Enredo: mudanças em meio à rotina das estações

O filme acompanha três casais de classe média-alta que cultivam uma tradição anual de viajar juntos em todas as quatro estações do ano. A harmonia do grupo é quebrada quando Nick (Len Cariou) se separa repentinamente de sua esposa Anne (Sandy Dennis) após anos de casamento e aparece na viagem seguinte com uma namorada muito mais jovem, Ginny (Bess Armstrong). A chegada da nova integrante causa tensão e revela os conflitos ocultos nas relações dos demais casais: Jack (Alan Alda) e Kate (Carol Burnett), e Danny (Jack Weston) e Claudia (Rita Moreno).

Ao longo das quatro viagens — primavera, verão, outono e inverno — o filme acompanha o desgaste, as reavaliações e os ajustes nas dinâmicas emocionais entre os amigos, todos lidando com as inseguranças da meia-idade e a dificuldade de aceitar mudanças.

Alan Alda por trás e diante das câmeras

As Quatro Estações foi um projeto pessoal de Alan Alda. Ele escreveu o roteiro inspirado em suas próprias reflexões sobre amizades adultas e as crises silenciosas que afetam casamentos de longa duração. Dirigir e atuar no filme foi um desafio que ele encarou com sensibilidade e leveza, extraindo um tom agridoce que se equilibra entre o humor e a melancolia.

O estilo de Alda como diretor se mostrou íntimo, quase teatral, privilegiando os diálogos e o desenvolvimento psicológico dos personagens. A ambientação em cenários naturais — as casas de campo, a neve, os bosques — reforça o tema do tempo que passa, com as estações funcionando como metáforas visuais do envelhecimento e da renovação.

Recepção crítica e sucesso comercial

O filme foi um sucesso tanto de crítica quanto de bilheteria. Lançado pela Universal Pictures, arrecadou mais de 50 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos, um número expressivo para uma comédia dramática com foco em adultos.

Críticos elogiaram o roteiro de Alda e o trabalho do elenco, especialmente a química entre ele e Carol Burnett. O crítico Roger Ebert deu ao filme três estrelas e meia (de quatro), destacando sua inteligência emocional e sua habilidade de capturar “as pequenas verdades sobre a amizade e o envelhecimento”. Para Ebert, Alda mostrou que podia ir além da comédia de situação e explorar emoções mais profundas sem recorrer ao melodrama.

Uma proposta “adulta” no cinema dos anos 1980

Em uma década marcada pelo crescimento das comédias juvenis, dos blockbusters e das produções voltadas ao público adolescente, As Quatro Estações representou uma exceção bem-sucedida: um filme voltado a um público mais velho, com foco em questões como estabilidade emocional, tédio conjugal, medo da solidão e mudanças de valores. O tom reflexivo e adulto contribuiu para consolidar Alan Alda como um contador de histórias sofisticado, algo que ele desenvolveria mais tarde em projetos para o teatro e a televisão.

Legado e adaptação para a TV

O sucesso do filme levou à criação de uma série de televisão homônima em 1984, produzida pelo próprio Alda e exibida na CBS, com ele e Carol Burnett reprisando seus papéis. Mas não deu certo e não sobreviveu mais do que uma temporada. Ainda assim, a tentativa mostra o impacto cultural duradouro do filme e o desejo de explorar mais a fundo a vida emocional desses personagens.

As Quatro Estações é um retrato elegante e sincero de como o tempo molda nossas relações mais íntimas. O filme combina humor, ternura e crítica social em uma estrutura narrativa simples, mas rica em subtexto. Alan Alda, em sua estreia como diretor, mostrou que sabia transformar os dilemas cotidianos da vida adulta em cinema cativante, sem recorrer a fórmulas fáceis.

Décadas depois, reformato em série, a história permanece relevante por sua abordagem honesta sobre amizade, envelhecimento e as estações internas pelas quais todos passamos.


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