Quando Nicole Kidman entrou no tapete vermelho do MET Gala 2025 com um lindo corte pixie, destacando ainda mais a elegância de seu vestido, a atriz virou o destaque da noite. Se sabemos que além de ousada e talentosa nas telas e nos palcos, Nicole é uma das estrelas que melhor sabe usar o tapete vermelho a seu favor, também sabemos que seus cabelos estão no maior campo de sua versatilidade. Eu confesso que vi o corte radical e pensei: “será mesmo?” — e acertei! Não era. Quer dizer: não era um corte real, e sim, uma peruca.
A notícia está circulando hoje em todas as redes porque, poucos dias depois, Nicole voltou a aparecer loira e de cabelos longos, ao lado do marido, o cantor Keith Urban, em outro evento social. E agora? Qual dos dois looks é real? Isso reacendeu o fascínio (e o mistério) em torno do seu cabelo. A resposta ainda não foi confirmada oficialmente, mas a dúvida já diz muito sobre o lugar que Nicole ocupa na cultura pop: ela é, talvez, a celebridade definitiva da metamorfose capilar.
Nicole já falou abertamente sobre seu cabelo natural — originalmente ruivo, cacheado e volumoso. Em entrevistas, chegou a lamentar ter alisado e tingido tanto os fios ao longo da vida, perdendo parte da textura original. Quando despontou internacionalmente nos anos 1990, ainda ostentava os cachos vermelhos em filmes como Dias de Trovão e Retrato de uma Mulher, mas aos poucos foi adotando visuais loiros e lisos.
Como pareciam naturais — e eram —, quando estrelou Reencarnação (Birth, 2004), adotando um corte joãozinho escuro, minimalista e rígido, Nicole rompeu completamente com a imagem glamourosa que a consagrara nos anos anteriores. E aí veio a revelação, ou a dúvida, de que ela conseguiu gerar sobre estar com uma peruca ou não. O look conferiu à personagem um ar austero, melancólico e inquietante, combinando perfeitamente com o tom psicológico e enigmático do filme. O visual causou estranhamento na época, mas hoje é lembrado como um dos mais ousados e marcantes de sua carreira. Apenas dois anos antes, quando ganhou o Oscar de Melhor Atriz em As Horas, além do nariz protético para viver Virginia Woolf, Nicole usou uma peruca castanha escura, austera, que reforçava a gravidade da personagem. E suas perucas viraram assunto desde então.



Ao longo dos anos, o uso de perucas se tornou não apenas uma ferramenta de trabalho, mas também uma marca registrada em sua estética de moda. Desde sua parceria com Balenciaga até capas de revistas, Nicole nunca hesitou em experimentar. Algumas perucas foram tão bem executadas que pareceram naturais, como nas séries Big Little Lies e The Undoing. Outras geraram mais polêmica — como a loira pálida, com franja reta e volume rígido em Expats, ou a morena artificial usada em Destroyer (2018), que dividiu opiniões. Ainda assim, mesmo quando não funcionam perfeitamente, suas perucas indicam risco estético e entrega dramática, características que definem sua persona pública.
Entre as melhores perucas de Nicole Kidman estão:
Big Little Lies – O loiro acobreado e levemente ondulado da personagem Celeste é um equilíbrio perfeito entre naturalidade e elegância.
As Horas – Escura, desestruturada, com entradas visíveis: perfeita para incorporar Virginia Woolf.
Os Outros – Um visual contido, preso e castanho-escuro, que reforça a atmosfera sombria do filme.
The Stepford Wives – Loira platinada, escovada com perfeição, satirizando o ideal de mulher artificial — aqui, a peruca faz parte da crítica.
The Undoing – Os longos cachos ruivos voltaram em grande estilo, relembrando a Nicole dos anos 1990, mas com acabamento moderno.



E entre as que menos convenceram:
Expats – A loira pálida com franja espessa e volume duro parecia pouco orgânica, especialmente em cenas ao ar livre.
Grace de Mônaco – O visual loiro retrô, embora histórico, parecia artificial demais e tirava parte da credibilidade dramática.
Destroyer – O cabelo castanho bagunçado foi parte da desconstrução da atriz, mas o visual gerou distração em vez de imersão.
Nine Perfect Strangers – A mistura de loiro branco, quase etéreo, com raízes visíveis causou estranhamento — embora isso talvez fosse intencional, dada a estranheza da personagem.
Mas Nicole não está sozinha nesse universo. O uso de perucas em Hollywood é muito mais comum do que se imagina. Viola Davis falou com franqueza sobre seu uso em How to Get Away with Murder e sobre o alívio de retirá-las — inclusive em uma cena marcante da série. Zendaya, outra camaleoa da moda, troca de cabelo com frequência graças a perucas bem montadas.
A opção por perucas também evita danos permanentes, como já relataram outras estrelas. Kate Winslet, por exemplo, revelou em entrevista que seu cabelo natural nunca mais voltou ao normal depois de Titanic, filme no qual precisou descolorir e modelar os fios repetidamente para manter o visual de Rose. “Estraguei meu cabelo para sempre”, confessou. Ela é uma entre várias atrizes que, anos depois, lamentaram não ter optado por perucas para proteger sua identidade visual e a saúde capilar.


Enquanto muitas atrizes recorrem a perucas para preservar a saúde dos cabelos ou facilitar mudanças de visual, outras escolhem transformações mais radicais, como raspar completamente a cabeça, em nome da autenticidade artística. Demi Moore marcou época ao raspar os cabelos para viver a tenente Jordan O’Neil em Até o Limite da Honra (G.I. Jane, 1997), simbolizando a entrega total à personagem. Natalie Portman também protagonizou uma cena impactante em V de Vingança (V for Vendetta, 2005), ao ter os cabelos raspados em frente às câmeras durante uma cena de tortura. Mais recentemente, Florence Pugh optou por raspar a cabeça para interpretar uma chef diagnosticada com câncer no drama romântico We Live in Time, buscando uma representação mais autêntica da personagem. Outras atrizes que passaram por transformações semelhantes incluem Charlize Theron em Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road), Joey King em The Act, Olivia Cooke em Me and Earl and the Dying Girl, e Persis Khambatta, que em 1979 raspou a cabeça para viver a tenente Ilia em Jornada nas Estrelas: O Filme (Star Trek: The Motion Picture). Escolhas que demonstram o comprometimento dessas artistas com seus papéis, muitas vezes enfrentando desafios pessoais e profissionais para entregar performances memoráveis.

O que, em comparação ao sucesso profissional e fashion de Kidman, reforça a pergunta que se impõe: o uso de peruca compromete a autenticidade artística? Pelo contrário — muitas vezes, é o oposto. A peruca permite que atrizes mudem radicalmente sem comprometer a saúde, adaptem-se a papéis diversos e explorem nuances visuais com liberdade. E, no caso de Nicole Kidman, essas escolhas viraram parte de sua assinatura estética. São armaduras, máscaras e metáforas — e, às vezes, apenas belas escolhas.
A verdade é que, ao natural, Nicole já não é ruiva há muito tempo. Mas graças ao trabalho de stylists e mestres perucários, ela pode ser ruiva, loira, morena ou platinada sempre que quiser — e com isso, nos lembrar de que glamour, ficção e reinvenção continuam sendo parte essencial do mistério de ser estrela.
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