O julgamento federal de Sean “Diddy” Combs por acusações graves, incluindo tráfico sexual, conspiração e formação de quadrilha, começou oficialmente em 12 de maio de 2025, no Tribunal Federal de Manhattan, Nova York. Combs, de 55 anos, enfrenta alegações de que teria liderado uma rede criminosa responsável por organizar festas privadas — conhecidas como freak-offs — marcadas por consumo de drogas, exploração sexual e gravações não consensuais. O caso é considerado um dos mais emblemáticos da década envolvendo uma figura central da cultura pop.
Nos primeiros dias do julgamento, um elemento dramático reforçou o clima de tensão: uma das principais testemunhas da acusação, identificada como “Victim-3”, continua desaparecida. Segundo os promotores, ela havia concordado em depor, inclusive abrindo mão do direito ao anonimato, o que indicava sua disposição de enfrentar um dos homens mais poderosos do entretenimento. Entretanto, nas semanas anteriores à abertura dos trabalhos, ela desapareceu completamente. Seu advogado chegou a ser procurado pelas autoridades e alegou estar enfrentando questões pessoais, sem oferecer mais explicações. A hipótese de que a testemunha tenha se afastado por medo de retaliações não está descartada.

“Victim-3” é considerada peça-chave para a acusação. Ela afirma ter sofrido abusos sistemáticos durante anos, com relatos que poderiam consolidar as acusações de tráfico humano, agressão sexual e coerção. Sua ausência é uma perda estratégica para os promotores, que agora precisam reforçar o caso com o depoimento de outras vítimas — entre elas, a cantora Cassie Ventura, ex-namorada de Combs. Cassie, que havia fechado anteriormente um acordo confidencial com o réu, foi confirmada como testemunha formal. Seu depoimento está previsto para os próximos dias e pode redefinir os rumos do julgamento, sobretudo após a divulgação de um vídeo de 2016, revelado pela CNN em 2024, que mostra Combs agredindo Ventura em um hotel de Los Angeles. A gravação será usada como prova.
Outras três mulheres devem depor sob pseudônimos, para proteger suas identidades. Mesmo assim, a ausência de “Victim-3” representa uma lacuna narrativa e simbólica difícil de contornar. O juiz federal Arun Subramanian deu à promotoria até o fim da semana para tentar localizá-la e confirmar se ela ainda pretende depor. Caso contrário, o julgamento seguirá sem sua presença.
Combs nega todas as acusações. Sua defesa sustenta que as interações foram consensuais e que o estilo de vida retratado nos autos reflete práticas sexuais alternativas, não crimes. Eles devem explorar ao máximo o desaparecimento de “Victim-3” para enfraquecer a credibilidade da acusação e levantar dúvidas sobre coerência e motivação das testemunhas. Ainda assim, o réu enfrenta uma batalha jurídica das mais complexas — e arriscadas. Se condenado, pode pegar décadas de prisão ou até prisão perpétua.

A ausência de uma testemunha nesse nível de importância não é apenas um revés processual. Ela também levanta preocupações sérias sobre segurança, intimidação e os riscos enfrentados por mulheres que denunciam figuras poderosas. Com o julgamento previsto para durar cerca de oito semanas, e com um júri já formado (oito homens e quatro mulheres), os próximos capítulos prometem novas revelações e confrontos intensos entre defesa e acusação.
Independente do desfecho, o caso de Sean “Diddy” Combs já entra para a história como um divisor de águas na responsabilização de celebridades por crimes de abuso sexual e uso de poder. E o mundo assiste, dentro e fora do tribunal.
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