Não preciso repetir a ladainha de muitos que consideram que The Last of Us não está tão poderosa quando na primeira temporada, ou que a saída de Pedro Pascal “matou” a série. Mas aqui estou falando disso novamente. Acho injusto, mas paradoxalmente, entendo. Para quem sabe a história e que a MAX está ultra fiel ao jogo, não há nada fora do lugar. E se você era apenas fã de Pascal, bem, veja outro conteúdo com ele. Porque o teremos em um flashback semana que vem, mas será a despedida final dele nesse universo. Se prepare.
O elefante na sala sempre será Bella Ramsey como protagonista. Ellie não é nem simpática ou empática no jogo, a diferença física entre as duas é outro detalhe, mas eu sou do time que defende Bella como atriz e no papel. E a conclusão do episódio da semana mostra que sim, ela é ótima. Mas há mais carismáticos ao redor.

Até que voltemos a ver a misteriosa e desaparecida Abby (Kaitlyn Dever), quem tem dominado cada cena é a excelente Isabella Merced como Dina. Não há muita química do casal Ellie e Dina, mas Isabella ilumina a tela toda vez que está em cena. Então vamos recapitular onde estamos na história.
Depois de uma breve introdução à Isaac Dixon (Jeffrey Wright), ele sai da nossa frente e apenas sua existência nos deixa tensos. Fazemos o usual vai e volta no tempo para refletir o cenário em Seattle, que é o coração do conflito entre os Lobos e os Serafitas, ambos lados violentos e radicais em seus princípios.
Há alguns anos, já depois de Isaac ter dominado os W.L.F., os sobreviventes se apavoram porque o vírus cordyceps também pode ser transmitido por meio de esporos no ar. Para quem acabou de sair de uma pandemia de COVID-19, deveríamos nos apavorar, mas desconfio que 5 anos já virou eternidade e a informação causou menos pânico do que deveria.
Enfim, estamos no hospital de Seattle e Hanrahan (Alanna Ubach) conversa com Elise (Hettienne Park) para entender como “Leon” e outros membros do time que foram mortos. Elise explica que a missão era proteger e limpar o hospital de infectados, sabendo que o porão seria complexo porque foi para lá que os primeiros pacientes com Cordyceps foram trazidos em 2003. Mas, ao chegarem no subsolo, descobriram que a infecção agora não é mais apenas por mordida: está no ar. Leon, um dos infectados, mandou trancar as portas dos porões B2 e B1, sendo que quem entrou jamais saiu de lá e por isso ninguém ficou doente. Leon, por acaso, era filho de Elise.
Com esse risco maior ainda sem grande divulgação, voltamos à Ellie e Dina que já estão ligadas que a cidade é mais perigosa do que anteciparam, mas a sede de vingança ainda move as duas. Temos a cena clássica do jogo onde Ellie dedilha Future Days no violão, mas só quem sabe, sabe o que é essa cena. Dina, explicando aos não iniciados, resume o conflito externo entre os “Scars” e os Lobos, traçando um paralelo dos religiosos como um grupo que resolveu abolir armas mecânicas ou tecnologia para se defender, mas que ainda assim são perigosos e violentos.

O desafio das duas é passar desapercebidas pelos dois grupos assim como dos infectados, localizar e matar Abby e voltar para casa. Obviamente impossível, mas estão apaixonadas e querendo justiça por Joel, nada do que grita perigo as detém. Ellie, no caso, por ser imune, se sente mais poderosa do que o resto – o que a faz ser mais imprevisível – mas Dina é o coração que falta na história. Ela compartilha seu trauma de ter visto a família ser morta por um invasor do esconderijo deles e por isso Dina o matou. Como ela explica, para ter vingança, não importa quem começou o conflito. Dina entende Ellie querer vingar Joel, que obviamente fez algo à Abby. Para Dina é a mesma coisa: quer Abby morta.
Daí pra frente temos as sequências tensas das dupla esbarrando com infectados e num momento em que estavam encurraladas, é Jesse (Young Mazino), que veio atrás delas com Tommy (Gabriel Luna), que as resgata. O problema é que ao tentarem fugir esbarram com os Seraphites executando um soldado do W.L.F. e como é impossível não reagir assustados ao que testemunham, o trio tem que fugir pelo mato, mas Dina é ferida.
Para distrair os Serafitas e ajudar os amigos, Ellie se separa deles e com isso ela vai justamente para o hospital, onde encontra Nora (Tati Gabrielle) sozinha. A reconhecendo imediatamente como parte do grupo que atacou Joel e com uma arma apontada para ela, demanda a localização de Abby. Nora enrola Ellie, se fingindo de assustada até que contra-ataca e provoca a ira da jovem dizendo que “Joel mereceu” o que recebeu. Na correria da fuga, só resta a Nora a entrar justamente no porão B2 e ela é imediatamente infectada. Antes de morrer, ela percebe que Ellie é a lendária menina imune que o pai de Abby teria que operar. “Você não sabe o que ele fez?”, ela pergunta à Ellie antes de contar que “Ele matou todo mundo naquele hospital. Inclusive a única pessoa viva que poderia encontrar a cura, o pai de Abby”. Ellie não pisca ou mostra surpresa: “Eu sei”, se limita a responder. Como nem assim Nora entrega a localização de Abby, Ellie a espanca até que saímos da cena. Se eu fosse Ellie, deixaria Nora morrer infectada, matá-la é ajudá-la. Mas essa é a minha sombra violenta, pelo visto.

Em seguida, num flashback importante, vemos Ellie acordando em casa com Joel, radiante e feliz. Isso mesmo, teremos um outro episódio com Pedro Pascal (e ele cantando!) e assim entenderemos melhor por que Joel e Ellie estavam rompidos e por que é tão forte para ela vingá-lo. Será importante!
Muitos vão dizer que a série vai voltar aos trilhos porque teremos Pascal de volta e ele cantando Future Days, mas é bobagem. O jogo também sofreu a morte de Joel e a “falha” do roteiro está em Ellie, nem mesmo Bella Ramsey. Ela deveria ser o que foi Arya Stark de Game of Thrones, uma personagem cuja vingança era o arco principal, mas que nos envolveu e compartilhou o desejo de reparação. Com Ellie todos querem a vingança por Joel, mas ela não nos envolve como deveria. Uma pena, mas pode ser que a perspectiva mude a partir do episódio 6. Será?
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