A jogada (talvez arriscada) da HBO MAX com O Cavaleiro dos Sete Reinos

A HBO confirmou o que muitos fãs de Westeros temiam: O Cavaleiro dos Sete Reinos, adaptação da série de novelas Dunk and Egg de George R. R. Martin, foi oficialmente adiada para 2026. A notícia é decepcionante, mas não exatamente surpreendente. Na verdade, o silêncio em torno da série já vinha soando estranho — e agora se torna quase ensurdecedor.

A minissérie, com apenas seis episódios, já estava filmada desde 2024. Ao contrário de House of the Dragon, que desde antes da estreia teve imagens, teasers e vazamentos regulares, O Cavaleiro dos Sete Reinos parecia trancada a sete chaves. Nada de imagens promocionais, nenhuma prévia em eventos da HBO, zero campanha gradual de aquecimento. A única exceção foi o comentário entusiasmado de George R. R. Martin após assistir à série — o que, convenhamos, é sempre positivo, mas não serve como selo de garantia. Martin também elogiou Game of Thrones e House of the Dragon até mudar de ideia.

Então, por que segurar tanto?

A saturação estratégica do prestígio

2025 será um ano cheio para a HBO (ou HBO Max, agora retomando o selo premium). Estão programadas as novas temporadas de The White Lotus, The Last of Us, The Gilded Age, Hacks e And Just Like That. É um lineup forte, centrado em produtos consolidados ou que possuem alto potencial de premiação e apelo global. Lançar O Cavaleiro dos Sete Reinos nesse meio poderia colocar a série em risco de ser engolida no volume.

A HBO historicamente joga o jogo dos Emmys com inteligência e cálculo. Não raro, segura produções ou antecipa estreias para beneficiar suas chances nas premiações. Em um ano com The Last of Us e White Lotus, dois pesos-pesados recentes da emissora, faz sentido reservar um título inédito para o ano seguinte — quando o calendário estiver mais “respirável” e a chance de dominar categorias seja maior.

Há, portanto, uma lógica estratégica. Mas também um quê de ganância.

A marca Game of Thrones ainda carrega prestígio, mas House of the Dragon já demonstrou que o público está mais cauteloso, menos fanático. A audiência da 1ª temporada foi sólida, mas ficou abaixo da obsessão cultural que foi GOT no auge. A HBO, que pensou em múltiplos spin-offs após 2019, já cancelou pelo menos dois projetos derivados. E talvez esteja, agora, refinando suas apostas: não basta lançar algo bom — tem que ser um evento.

Ou há algo mais?

Não dá para descartar outra hipótese: House of the Dragon pode estar enfrentando entraves. A 3ª temporada está prevista para estrear em 2026, mas o buzz parece menor do que o esperado. Pode haver atrasos internos ou outros conflitos. Lançar O Cavaleiro dos Sete Reinos antes de garantir o sucesso renovado de House of the Dragon ainda seria, nesse contexto, arriscado porque agora expõe dois conteúdos parecidos perto demais um do outro. Nesse aspecto, a Disney+ tem feito melhor com Star Wars e as séries dessa franquia são paralalelas no tempo narrativo (Ahsoka por exemplo), e eles são cuidadosos para não colar uma na outra. Ou estou errada? Posso ter esquecido.

Seja como for, o universo de Westeros está, hoje, em transição. O foco deixou de ser o “evento dominical” global e passou a ser o refinamento do que ainda rende. A HBO MAX sabe que sua audiência atual é mais seletiva. E talvez esteja jogando xadrez com o calendário.

Só que O Cavaleiro dos Sete Reinos é um projeto diferente: uma história contida, com menos espetáculo e mais coração. Um respiro pastoral (quase romântico) no meio das intrigas de sempre. E talvez por isso, paradoxalmente, represente risco — e oportunidade.

A aposta agora é em 2026. Mas a pergunta real não é mais “quando estreia?”, e sim: por que tanto medo de mostrar o que já está pronto?


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