Irmãos Menendez: Justiça reabre caminho para liberdade condicional após 35 anos

Em 13 de maio de 2025, uma decisão judicial histórica reacendeu o caso dos irmãos Lyle e Erik Menendez, condenados em 1996 à prisão perpétua pelo assassinato brutal dos próprios pais, José e Kitty Menendez, em 1989. Como esperado, o juiz Michael Jesic, do Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, acatou a reavaliação da sentença, agora fixada entre 50 anos de prisão e prisão perpétua. A mudança, baseada em uma lei californiana voltada para réus jovens — ambos tinham menos de 22 anos à época do crime —, torna os irmãos elegíveis para liberdade condicional pela primeira vez em quase quatro décadas.

A repercussão foi imediata. Para os advogados de defesa, trata-se de uma vitória significativa e tardia. A nova sentença, além de refletir os avanços legislativos no tratamento de jovens condenados por crimes graves, também reconhece a existência de novos elementos no caso. Entre eles, uma carta escrita por Erik em 1988 a um primo, relatando os abusos sexuais sofridos por parte do pai, José Menendez — executivo da indústria fonográfica —, e o recente testemunho do ex-Menudo Roy Rosselló, que também acusou José de abuso. Tais informações reforçaram a narrativa da defesa de que o crime foi motivado por anos de violência doméstica e trauma.

Durante a audiência, Erik e Lyle se mostraram emocionalmente abalados. Lyle descreveu suas ações como “impulsivas, desesperadas e moldadas por anos de sofrimento psicológico”, enquanto Erik assumiu total responsabilidade, classificando o assassinato como “criminoso, egoísta, cruel e covarde”. Ambos passaram décadas em unidades prisionais separadas e, apenas em 2018, foram autorizados a se reencontrar e cumprir pena na mesma prisão.

A expectativa agora gira em torno da audiência de liberdade condicional marcada para 13 de junho de 2025. Se o conselho aprovar, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, terá 120 dias para ratificar ou barrar a decisão. Caso a liberação seja autorizada, os irmãos Menendez poderão sair da prisão ainda em 2025, após 36 anos detidos.

A decisão dividiu a opinião pública. Nas redes sociais, onde o caso teve um ressurgimento recente graças a documentários e séries populares, como a da Netflix, que contribuíram tanto para relembrar o caso como olhar para a narrativa com novo olhar. Por isso hoje, muitos expressaram apoio à possibilidade de liberdade, reconhecendo os irmãos como sobreviventes de um ambiente abusivo. Outros, no entanto, permanecem céticos, apontando que o duplo homicídio foi premeditado e brutal — os pais foram mortos a tiros com espingarda enquanto assistiam televisão.

Independentemente do desfecho final, o caso Menendez se consolida como um dos retratos mais complexos da justiça criminal americana: um equilíbrio delicado entre punição, trauma, arrependimento e a possibilidade de redenção.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário