The Studio fecha 1ª temporada com um Griffin Mill “à la Bernie”

Mesmo em seus momentos mais absurdos — e talvez especialmente neles — The Studio confirma que entende o jogo sujo de Hollywood melhor do que qualquer série recente. No episódio final da primeira temporada, os criadores Seth Rogen e Evan Goldberg entregam uma sátira afiada da indústria do entretenimento culminando em uma sequência que mistura desespero empresarial, moralidade descartável e puro humor físico — ancorada por uma performance hilária e brilhante de Bryan Cranston.

A trama da série, como sabemos, gira em torno de Matt Remick (Seth Rogen), novo chefe da Continental Studios, que tenta equilibrar prestígio artístico e sucesso comercial. No episódio final, a equipe enfrenta o desafio de evitar que o estúdio seja adquirido pela Amazon, preparando uma apresentação caótica na CinemaCon. A situação é exacerbada por uma festa regada a substâncias ilícitas na noite anterior, resultando em um Griffin Mill (Bryan Cranston) completamente incapacitado.

Sim, temos outros famosos interpretando a si mesmos doidões, mas a atuação de Bryan é o grande destaque porque é 100% física e inesperada.

Enquanto The Studio critica a superficialidade e o desespero da indústria cinematográfica, mostrando como a aparência de sucesso é priorizada em detrimento da integridade artística, a apresentação na CinemaCon, apesar de desastrosa, é recebida com entusiasmo, destacando a hipocrisia e a falta de autenticidade no setor.

É hilário também que aproveitando que está na Apple, Seth Rogen tenha cutucado a Netflix (com participação de Ted Sarandos) e nos dois últimos episódios coloque o drama não mais escolher entre filmes de Arte ou de Bilheteria: a meta é salvar o estúdio de ser vendido para a Amazon Prime Video. Para quem acompanha o mercado, é hilário cutucá-los da compra da MGM e como usaram mal o acervo do estúdio. Sim, a Apple faz piada da Amazon. Mas falemos de Bryan.

Referência a Um Morto Muito Louco (Weekend at Bernie’s)

A situação de Griffin Mill, drogado e incoerente, é uma clara referência ao filme Um Morto Muito Louco (Weekend at Bernie’s), de 1989, em que dois funcionários fingem que seu chefe morto está vivo para evitar suspeitas. É uma atuação das mais espetaculares do ator Terry Kiser – “Bernie morto” – que obviamente não fala mais depois que “morre” e ainda assim tem que atuar como estivesse vivo. Soou confuso? Desculpem, se ainda não viu: vejam. O filme original se tornou um símbolo do humor macabro dos anos 80 — foi amplamente criticado por seu mau gosto, mas acabou ganhando status cult exatamente por sua ousadia em rir da morte como espetáculo.

Em The Studio, é parecido. Quando Griffin age como “morto”, ou pior, enlouquecido, a equipe o manipula como um boneco, mantendo as aparências durante a apresentação. Essa paródia destaca o absurdo de manter uma fachada de normalidade a qualquer custo, criticando a cultura corporativa de Hollywood e é uma citação direta da comédia que hoje é um cult.

Destaque para Bryan Cranston

Bryan Cranston entrega uma performance cômica excepcional como Griffin Mill. Mesmo com poucas falas, sua atuação física — expressões faciais, movimentos descoordenados e reações exageradas — contribui significativamente para o humor do episódio. Críticos elogiaram sua capacidade de equilibrar o absurdo com nuances sutis, tornando sua performance uma das mais memoráveis da série.

Honestamente? Já vejo indicação ao Emmy. É um tour de force que remete tanto aos tempos de Malcolm in the Middle, com uma de suas performances mais fisicamente ousadas e em contraste com seus papéis dramáticos recentes como em Your Honor ou Breaking Bad.)

The Studio foi amplamente aclamada pela crítica, com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e 81/100 no Metacritic. A série foi descrita como uma das comédias mais inteligentes e engraçadas de 2025, destacando-se por sua sátira incisiva e performances estelares. O melhor é que vamos descobrir se Kool-Aid será sucesso e se vão conseguir salvar o Continental porque a segunda temporada está prevista para 2026.


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