Por anos havia algo terrível nas redes sociais: os “Jonsas”, os que shipavam Jon Snow (Kit Harington) e Sansa Stark (Sophie Turner) como casal em Game of Thrones, embora eles fossem irmãos (meio-irmãos). A torcida só piorou quando foi revelado que eram “apenas” primos. Mas incesto sempre foi adotado em Westeros, tínhamos que tolerar. Nunca, NUNCA imaginei que veríamos na tela a imagem dos dois juntos, mas é o que o filme The Dreadful está proporcionando.
EDITADO: A pedido dos cineastas, a imagem foi retirada do blog.
Pois é, Kit Harignton e Sophie Turner fazem o par – não necessariamente romântico – na refilmagem do clássico de terror japonês dos anos 1960s, Onibaba.
Lançado originalmente em 1964, Onibaba, de Kaneto Shindō, é uma joia sombria do cinema japonês que desafia classificações fáceis. Parte filme de terror, parte comentário social e parte fábula erótica, a obra se passa no Japão do século 14, durante a devastadora Guerra de Ōnin, e acompanha duas mulheres — uma idosa e sua jovem nora — que sobrevivem em uma região pantanosa matando soldados fugitivos e saqueando seus pertences. Isoladas, presas a uma existência quase bestial, sua relação muda com a chegada de um homem, também desertor, que desperta o desejo da jovem e o ciúme feroz da mais velha.
É quando surge o elemento mais icônico do filme: uma máscara demoníaca — inspirada na figura da hannya do teatro Nô, símbolo da mulher consumida pelo ciúme — que a sogra usa para assustar a jovem e afastá-la do novo amante. Mas o plano macabro se vira contra ela quando a máscara, amaldiçoada, gruda permanentemente em seu rosto. O horror se torna literal, mas é também simbólico: Onibaba é um estudo sobre o desejo, a repressão e o terror que emerge não do sobrenatural, mas da degradação humana diante da guerra e do abandono.

A fotografia em preto e branco é de uma beleza fantasmagórica, com o movimento do capim-dos-pântanos, o vento constante e as sombras projetando inquietação a cada cena. A trilha sonora atonal e os ritmos repetitivos do cotidiano criam uma tensão quase ritualística. Nobuko Otowa, atriz e companheira artística de Shindō, entrega uma performance visceral como a mulher mais velha, que aos poucos se transforma em uma figura trágica e monstruosa. O filme fala, sobretudo, sobre mulheres forçadas a viver à margem, lutando para não desaparecer — e que acabam se tornando, elas mesmas, assombrações.
Apesar de seu status de cult, Onibaba nunca teve uma regravação direta — até agora. Em 2025, a história volta aos cinemas em nova versão, The Dreadful, produção americana dirigida por Natasha Kermani, com inspiração direta no clássico de Shindō. O filme, que estreou no Festival de Tribeca e tem lançamento comercial previsto para este segundo semestre, reimagina a trama com atmosfera gótica e ambientação ocidental, mas mantém o núcleo da história: duas mulheres isoladas durante a guerra, um triângulo de desejo e medo, e uma máscara que revela mais do que esconde. Segundo a diretora, o projeto busca capturar a essência de Onibaba, preservando sua ambiguidade moral e seu horror sutil.
O elenco de The Dreadful inclui Turner no papel da jovem esposa, em sua primeira incursão formal no terror psicológico, Harington, como o forasteiro que rompe a frágil harmonia entre as duas mulheres — um papel que exige intensidade física e ambiguidade moral e Marcia Gay Harden como a sogra. A escolha sugere uma abordagem mais contida, porém implacável, para o papel que originalmente oscilava entre o grotesco e o trágico.
A expectativa é que The Dreadful não apenas reintroduza um clássico a novos públicos, mas também redefina o que se espera de uma adaptação ocidental de um conto profundamente enraizado no folclore e no trauma cultural japonês. Com nomes conhecidos do grande público e uma diretora com sensibilidade para narrativas femininas e atmosferas densas, o filme promete ser um dos títulos mais comentados da temporada — e uma ponte provocativa entre o cinema de horror do passado e o presente. Só não vai dar para aguentar os Jonsas de novo!

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