Os novos Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley estão escolhidos

A Warner Bros. e a HBO finalmente revelaram os nomes dos jovens atores que interpretarão os protagonistas da aguardada nova adaptação de Harry Potter, desta vez em formato de série televisiva. Dominic McLaughlin será o novo Harry Potter; Arabella Stanton dará vida à Hermione Granger; e Alastair Stout interpretará Ron Weasley. Os três novatos foram escolhidos após uma busca intensa que, segundo os produtores, envolveu “dezenas de milhares de crianças”. A escolha marca o início oficial de uma nova era para a franquia, agora sob o guarda-chuva da HBO Max.

Eles se juntam aos veteranos John Lithgow (Dumbledore), Janet McTeer (McGonagall), Paapa Essiedu (Snape), Nick Frost (Hagrid), Luke Thallon (Quirrell), e Paul Whitehouse, anunciados há alguns meses.

Mas por que refazer Harry Potter, uma franquia cinematográfica que ainda é tão presente na cultura pop? Por que agora? E o que, de fato, muda com essa reinterpretação em forma de série?

Por que refilmar Harry Potter?

A nova série não é apenas uma tentativa nostálgica de revisitar Hogwarts, mas uma estratégia calculada do Warner Bros. Discovery para revitalizar uma de suas propriedades intelectuais mais valiosas em um novo ecossistema de streaming. Com a popularidade contínua de universos expandidos como Game of Thrones, Star Wars e O Senhor dos Anéis, a empresa busca estabelecer Harry Potter como um universo transgeracional e transmidático, com potencial de se estender por muitos anos em formatos diversos — séries, derivados e produtos licenciados.

Em vez de criar uma continuação (como o polêmico The Cursed Child) ou explorar personagens secundários (como em Animais Fantásticos, que teve desempenho irregular), o estúdio optou por retornar à narrativa original com uma promessa ambiciosa: adaptar cada livro em uma temporada. Isso permitirá uma abordagem mais fiel, com espaço para personagens, eventos e contextos que os filmes não tiveram tempo de desenvolver.

Uma adaptação “fiel” — e longa

Segundo comunicado oficial da HBO, a série será uma “adaptação fiel” dos livros de J.K. Rowling. Com isso, os fãs podem esperar um aprofundamento dos detalhes que ficaram de fora nos filmes dirigidos por Chris Columbus, Alfonso Cuarón, Mike Newell e David Yates entre 2001 e 2011. Há uma aposta clara na ideia de que os livros ainda têm muito a oferecer — e que a atual geração, que talvez conheça mais os filmes do que os próprios textos originais, poderá redescobrir a saga de outra maneira.

Cada temporada será centrada em um livro, o que significa, ao menos em teoria, sete temporadas. Isso permitirá explorar subtramas como o passado de Lupin, a complexidade de Percy Weasley, o elfo Winky, as origens da Armada de Dumbledore, os dilemas éticos da Legilimência e muitas outras camadas que a linguagem cinematográfica tradicional sacrificou em prol do tempo de tela.

A produção está a cargo de nomes consagrados da televisão, como Francesca Gardiner (Succession, His Dark Materials), que atua como showrunner e roteirista, e Mark Mylod, que dirigirá múltiplos episódios. A presença de J.K. Rowling como produtora executiva, embora previsível, traz consigo uma nuvem de controvérsias.

As polêmicas inevitáveis

O envolvimento direto de Rowling é, para muitos, uma fonte de desconforto. Desde 2019, a autora tem sido alvo de críticas por declarações consideradas transfóbicas. Embora ela continue sendo a mente por trás do universo bruxo, parte do público e da crítica passou a questionar se sua visão ainda pode ser considerada inclusiva ou representativa.

Protestos contra sua participação já se fizeram presentes nas redes sociais desde que a série foi anunciada. Grupos LGBTQIA+ e antigos fãs manifestaram repúdio, sugerindo boicotes e propondo reimaginar o universo de Harry Potter desvinculado de sua criadora. Outros, porém, defendem a separação entre a obra e o autor, especialmente quando se trata de um novo projeto com equipe diversa e potencialmente mais sensível às discussões contemporâneas sobre gênero, raça e inclusão.

Vale lembrar que os filmes originais também foram criticados por seu elenco majoritariamente branco, pouca representatividade e ausência de personagens abertamente queer. A série tem a chance — e talvez a obrigação — de corrigir esses pontos.

Outra camada de polêmica gira em torno da aparente contradição entre a promessa de uma “adaptação fiel” e o elenco claramente mais inclusivo do que aquele sugerido nos livros — que, embora nunca tragam descrições raciais definitivas para todos os personagens, sempre foram lidos como majoritariamente brancos. A escolha do ator britânico Paapa Essiedu, negro, para interpretar Severo Snape, por exemplo, gerou discussões intensas nas redes sociais. Enquanto muitos celebram a mudança como um passo necessário para a representatividade e modernização da obra, outros a enxergam como incoerente com o discurso de “fidelidade” à fonte. Essa tensão entre o respeito ao texto original e o compromisso com diversidade marca boa parte do debate em torno da nova adaptação.

Reações dos fãs: otimismo e resistência

A base de fãs da saga é notoriamente apaixonada, mas dividida. Muitos receberam o anúncio dos novos atores com empolgação e curiosidade. Dominic McLaughlin, Arabella Stanton e Alastair Stout são rostos desconhecidos, o que pode jogar a favor da série, permitindo que os espectadores se conectem aos personagens sem o peso de comparações imediatas.

Outros, no entanto, se mostraram céticos quanto à necessidade da refilmagem. Para uma geração que cresceu com Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, a ideia de substituí-los parece quase herética. Além disso, há um temor de que a magia dos livros e dos filmes seja diluída num formato estendido demais, ou excessivamente “prestígio”, como parte da marca HBO.

No Reddit, fóruns como o r/harrypotter e o r/television exibem opiniões polarizadas: “Se for como Succession, com emoção e complexidade moral, pode ser o melhor produto de Harry Potter desde os livros”, comentou um usuário. Outro rebateu: “Parece mais uma tentativa desesperada da Warner de lucrar com nostalgia em vez de criar algo novo.”

O que esperar daqui pra frente?

Com o elenco principal agora revelado, as filmagens devem começar nos próximos meses. A estreia ainda não tem data oficial, mas é provável que ocorra entre o final de 2026 e o início de 2027. A série será exibida exclusivamente na HBO Max (que pode mudar de nome, como parte da reestruturação da plataforma), e também será parte dos esforços de expansão da Warner Bros. na Europa, com lançamento previsto em mercados como Alemanha, Itália e Reino Unido.

Enquanto os filmes continuarão disponíveis para streaming, a série promete coexistir como uma nova interpretação — mais densa, mais adulta e potencialmente mais polêmica — de um universo que há décadas encanta gerações. O desafio será equilibrar nostalgia e inovação, reverência e revisão crítica, em um cenário onde magia e controvérsia andam lado a lado.


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