E voltamos com The Gilded Age, alguns meses depois de onde nos despedimos em 2023. Muita coisa parece fora da ordem, incluindo uma nevasca a poucas semanas da primavera, e é sinal de que embaixo do gelo fora de hora, tá tudo pegando fogo!
Sim, o ritmo da série está mais acelerado, o drama está mais intenso e a química de todo grupo é inegável. Então vamos recapitular o episódio, que já tinha “vazado” porque foi exibido para convidados no Festival de Tribeca, há algumas semanas.

Tenho que fazer uma confissão que podem me apedrejar, mas é verdade. Toda vez que a série é dedicada aos negócios de George Russell, em um eterno drama de ser implacável e vencedor, eu fico entediada. Nunca há risco efetivo para ele, é só esperar que tudo vai virar para o seu lado, seja com a sorte de Marian esbarrar com a secretaria golpista na 1ª temporada ou a negociação arriscada com Sindicatos na 2ª. Estamos o vendo com dois problemas logo de cara na 3ª: a estratégia de estender a ferrovia até a Califórnia, ficando ainda mais rico no processo como a preocupação do Banco onde está sua fortuna correndo o risco de falir. Pode ser o momento de The Gilded Age para incluir fatos históricos, mas quem sem importa?
Em Nova York, como falei, pode estar com nevasca mas as emoções estão fervendo. Vemos que Peggy está em ótimo momento pessoal com os pais e com a carreira, com suas histórias sendo publicadas. O problema dela é a universal “praga de mãe”, uma vez que Dorothy alerta que a caminhada até o trem seria um risco para saúde dela, e bingo, Peggy pega um resfriado com toda cara de pneumonia.
E agora, com maior peso, The Gilded Age endereça o tema do rascismo na época. Agnes Van Rhijn pode ser tradicional com tudo menos o preconceito mais aberto da época, a colocando estranhamente com uma cabeça contraditoriamente moderna de abraçar Peggy e ir contra todos os racistas que a rejeitam, incluindo o médico que se recusa a tratá-la por “ser de cor”.
A semente plantada aqui é para juntar Brooklyn com Manhattan, com os Scotts vindo salvar a filha e finalmente conhecendo os Van Rhijn. E provavelmente a entrada do futuro interesse romântico de Peggy, o lindo médico de Newport.
Já que estamos na Rua 61 com Central Park, vamos falar das outras tramas.

Marian e Larry seguem apaixonados, mas escondendo (ou tentando) dos outros o romance que começou no último momento da temporada 2. Marian está nervosa porque ela pode bater boca com a tia Agnes, mas a ouve. Ela sabe que está “exposta” depois de ter sido tão “cega” (nas palavras dela!) com Tom Raikes e, em seguida, ter sido persuadida a considerar um casamento sem amor e ficado oficialmente noiva, rompendo com Dashiel Montgomery. É incerto o quanto ela acha que eles têm que esperar, Larry pede que ela não enrole por muito tempo, mas em geral os dois estão apaixonados e em sintonia, apenas tentando jogar o jogo como se deve.
Marian conseguiu outro emprego (e Larry a apoia) e descobrimos que Larry trabalha pelo pai sem receber um salário decente, portanto todas as fichas estão no investimento da invenção de Jack e estou um tanto incomodada tanto com Larry agindo de forma esnobe e dúbia com o rapaz, com todos ao redor alertando Jack que há algo errado na “parceria”. Sem esquecer que Larry é um Russell, até hoje era virtuoso até o último fio do cabelo, será que vai mudar?
Com a virada econômica dos Van Rhijn, Oscar também teve que voltar para casa e está deprimido com a nova realidade. Pode não estar na rua, mas tem que obedecer à mãe, à tia e, parcialmente, à Marian. Eu também ficaria no quarto bebendo o dia todo.

As brigas entre Agnes e Ada estão no auge, com todos estranhando a nova dinâmica e sofrendo com ela também. Ada está mais assertiva e de novo parece estar empolgada com causas que irritam Ada. No caso com o movimento da Temperança. O termo “temperança” se refere à moderação ou abstenção do consumo de álcool. Inicialmente, o movimento promovia a moderação, mas com o tempo passou a defender a total abstinência (proibição completa do álcool).
Na década de 1880, o movimento não era apenas um apelo moral: ele se organizava politicamente, mobilizava massas, criava organizações e influenciava leis. Aqui será um problemão para os Van Rhijn não apenas pela hipocrisia, mas pela imposição que Ada pode vir a fazer em casa, forçando a todos a seguirem o exemplo.
A maior bomba do episódio foi mesmo a virada no casamento dos Fanes o casal mais alinhado e calmo por duas temporadas. Nunca confiei em Charles Fane porque ele estava entre os homens que tentaram dar um golpe financeiro em George Russell na 1ª temporada e sem o menor remorço forçou Aurora a pagar a “dívida” indo contra todos, incluindo Agnes, ao adotar Bertha Russell e abrir as portas da sociedade para ela. Portanto, “do nada”, Charles chega em casa e avisa que não apenas tem uma amante, também quer se casar com ela e por isso quer o divórcio.

O drama do divórcio na sociedade da Gilded Age é famoso e temas de livros clássicos de Henry James e Edith Wharton, fico feliz que a questão esteja na série. Azar de Aurora, mas essencial para a história. Quando Charles falou que se apaixonou por uma viúva tremi achando que seria Susan Blaine (que teve um caso com Larry), mas graças a Deus é outra mulher. Ainda assim, Aurora está tentando ganhar tempo e reverter a situação para manter um casamento de aparência, mas é improvável que consiga. Marian que entende o desejo de estar feliz no casamento em vez de aceitar a situação, acredita que suas tias darão o apoio à Aurora, mas tanto Ada como Agnes deixam claro que nem todo amor que sentem pela sobrinha será o suficiente. Se houver divórcio, Aurora será exilada socialmente. Muito triste depois de tudo.
E, claro, casamento é o drama de todos. Larry quer se casar com Marian, Aurora quer permanecer casada com o infiel Charles, mas Gladys quer se casar com Billy (que também quer casar com ela), mas Bertha está determinada que a filha venha a ser a duquesa de Buckingham. A essa altura, ninguém duvida que o que Bertha quer, Bertha consegue. A esperança dos filhos é a volta de George para que ele interceda (ou melhor dizendo, mantenha a palavra que deu à Gladys que a defenderia quando quisesse casar por amor).
A terceira temporada vai tirar a máscara de casal de heróis de Bertha e George, dois ambiciosos e inescrupulosos que jogam com tudo e todos para conseguirem o que querem. Os argumentos de Bertha sobre juventude e inexperiência que fazem de Larry e Gladys dois despreparados para sociedade são válidos. Bertha e George estavam na mesma situação quando se casaram por amor, mas seus filhos não. Eles são milionários, nunca efetivamente tiveram a real noção de uma vida sem luxo e falar de amor e ideal – para eles – é hipocrisia e inocência.

No momento o foco é em Gladys, mas insisto que nem mesmo Marian sendo de família tradicional será o suficiente para que Bertha a aceite como nora. E se George estiver à beira de perder tudo, como parece ser o caso, ele tampouco vai estar preocupado com a filha querer um marido “por amor” quando se apaixonou intensamente antes (Archie Baldwin e até aceitou a proposta de se casar com Oscar). É muito fácil para os pais citarem essas duas paixões para mais uma vez considerar que ela está imatura e que eles sabem melhor.
O fato é que Larry dá a idéia para a irmã fugir e é o que ela faz no final do 1º episódio. Se as imagens do trailer e as fotos oficiais tivessem gerado alguma dúvida, ficaríamos tensos, mas ela será encontrada ou vai voltar pra casa. Estamos apenas começando!
O que você mais curtiu no episódio?
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
