Carrie Bradshaw e o ciclo sem fim: será que ela mudou mesmo?

Desde a morte de Big, Carrie Bradshaw parece estar tentando se reinventar — mas, a cada novo episódio de And Just Like That…, ficamos com a impressão de que ela continua correndo em círculos. Seu breve affair com o produtor do podcast foi mais distração do que relacionamento. Depois, veio o tão aguardado reencontro com Aidan — que parecia, por um momento, um reencontro maduro entre dois ex-amores destinados a uma segunda chance. Mas bastou a convivência para que o verniz de “alma gêmea perdida” começasse a rachar.

Os fãs, talvez guiados pelos próprios roteiristas, assistiram à imagem idealizada de Aidan — o namorado que Carrie teria deixado escapar — ser desconstruída em tempo real. Hoje ele é um homem confuso, dividido entre sua vida com os filhos e a tentativa forçada de reviver um passado com Carrie. Não se trata de vilanizá-lo: Aidan não é um homem cruel, mas também está longe do ideal romântico que muitos construíram em torno dele. Suas atitudes — como impor uma espera de cinco anos até o filho mais novo crescer — mostram um lado controlador, emocionalmente indeciso e talvez até egoísta.

E quando pensávamos que Carrie talvez ficasse um tempo sozinha (e quem sabe, finalmente amadurecesse), surge um novo rosto: Duncan Reeves, o vizinho britânico misterioso, escritor de best-sellers que enfrenta um bloqueio criativo enquanto tenta escrever uma biografia de Margaret Thatcher. Ainda sabemos pouco sobre ele, mas os primeiros sinais — como sua obsessão por silêncio absoluto, seus horários invertidos e sua aura de gênio excêntrico — já fazem soar um alarme familiar para quem conhece os ex-namorados de Carrie.

A comparação com Jack Berger é inevitável. Berger, o namorado que terminou com Carrie por um post-it, também era um escritor, também era inseguro, e também era dominado pelo próprio ego e pelas dificuldades em lidar com o sucesso de sua parceira. Será que estamos diante de mais um homem emocionalmente indisponível, carismático e cheio de charme intelectual — e que vai, inevitavelmente, decepcioná-la?

O que And Just Like That… está nos mostrando, com mais sutileza do que parece à primeira vista, é que Carrie repete padrões — talvez até sem perceber. Ela parece estar em constante busca por um tipo específico de homem: criativo, excêntrico, um pouco torturado. Alguém que precisa ser “decifrado”. Mas por que essa insistência? Por que, mesmo depois de tantas perdas, tantos términos e tanta terapia, ela continua orbitando os mesmos arquétipos?

A resposta pode estar naquilo que a série tenta mascarar com figurinos novos e apartamentos reformados: Carrie amadureceu por fora, mas por dentro ainda luta para se conhecer de verdade. O luto por Big a transformou, sim, mas talvez apenas temporariamente. E mesmo sendo uma mulher mais velha, ela ainda procura nos relacionamentos um tipo de validação romântica que a série original já mostrava como problemática.

Em vez de buscar companheiros que somem, Carrie parece atraída por figuras que ela precisa salvar, entender ou conquistar — como se o amor verdadeiro só pudesse vir com sofrimento ou insegurança.

Com Duncan Reeves no horizonte, o triângulo amoroso está formado, e o drama promete. Aidan, Carrie, Duncan: será que algum deles é realmente o que ela precisa? Ou será que a verdadeira história de amor que And Just Like That… deveria contar é a de uma mulher finalmente aprendendo a ficar bem sozinha?


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