Marian Brook e Larry Russell em The Gilded Age: eles ficarão juntos?

Em The Gilded Age, o relacionamento entre Marian Brook e Larry Russell torna-se uma das linhas narrativas mais emocionalmente intensas da série. O que começa como um romance promissor rapidamente se transforma em um teste de confiança, feridas do passado e das duras realidades do casamento na Nova York do século 19, deixando os espectadores se perguntando se o amor, por si só, é capaz de sobreviver às pressões que os cercam.

Desde sua estreia, Marian representa mais do que uma jovem tentando encontrar seu lugar em uma nova cidade. Ela encarna a luta para permanecer fiel a si mesma em um mundo onde convenções, reputações e alianças familiares frequentemente sufocam o desejo individual.

Sua trajetória, de órfã desamparada a mulher apaixonada e decidida, é um dos desenvolvimentos de personagem mais sutis — e dolorosos — da série. Na terceira temporada, especialmente, Marian precisa enfrentar não apenas seus sentimentos por Larry, mas os traumas profundos que tornam a confiança algo difícil.

Se Marian tivesse saído diretamente da imaginação de Edith Wharton ou Henry James, poderíamos temer seriamente por seu destino. Julian Fellowes pode gostar de finais esperançoso­s, mas seus personagens raramente chegam até eles sem sofrimento. O noivado com Larry Russell parece prometer felicidade, porém os obstáculos surgem quase imediatamente.

A oposição de Bertha Russell é formidável, mas talvez ela nem precise intervir diretamente. As forças que podem separar o casal já estão presentes dentro da própria relação.

A inocência da chegada e a primeira grande queda

Quando Marian chega a Nova York, traz consigo curiosidade e ingenuidade. Recém-órfã e sem dinheiro, precisa depender da generosidade de tias que mal conhece. Sua entrada na alta sociedade é abrupta, como se fosse colocada em um tabuleiro de xadrez sem compreender as regras.

Ainda assim, Marian nunca é passiva. Questiona as restrições impostas às mulheres, busca um caminho próprio e resiste discretamente à autoridade da tia Agnes. Essa doçura, porém, também a torna vulnerável, especialmente no amor.

Seu relacionamento com Tom Raikes termina em traição quando ele a abandona para fazer um casamento vantajoso. A experiência deixa marcas profundas. Marian aprende que confiar demais pode arruinar uma mulher e que a sociedade raramente concede segundas chances.

A segunda temporada: entre autoproteção e esperança

Na segunda temporada, Marian tenta se reconstruir. Torna-se mais cautelosa, mas se recusa a se render completamente às convenções. Dar aulas de pintura — algo considerado impróprio para sua posição social — revela seu desejo de independência.

Ao mesmo tempo, quase aceita o cortejo de Dashiell Montgomery, um homem gentil por quem não sente amor. A perspectiva de um casamento seguro, porém emocionalmente vazio, paira sobre ela e Marian quase cede.

É nesse momento que Larry Russell retorna à sua vida sob uma nova luz. Durante muito tempo amigo e confidente, ele passa a representar algo mais profundo: afeto baseado em admiração mútua e compreensão genuína.

O primeiro beijo sugere a possibilidade de um amor que cura, em vez de ferir.

A ascensão do amor e o retorno da dúvida

Na terceira temporada, o relacionamento finalmente se concretiza. O noivado é terno e cheio de esperança, simbolizando a decisão de Marian de confiar novamente. No entanto, a alegria dura pouco.

No mesmo dia do noivado, Larry anuncia que partirá para uma viagem de um mês ao Arizona após uma despedida de solteiro com amigos. Ele afirma que ficaram em um hotel, mas, na verdade, o evento ocorreu em um bordel, uma mentira que logo vem à tona. O encontro com Maud Beaton, conhecida por enganar o primo de Marian, Oscar, torna a situação ainda mais delicada.

Para Marian, a omissão é devastadora. Objetivamente, não houve infidelidade, mas para alguém com seu histórico, o segredo pesa como traição. Ela também descobre que Larry teve um caso anterior com uma viúva em Newport, algo que ele nunca revelou claramente.

O impacto emocional é profundo e revela uma Marian até então pouco vista: insegura, ferida e aterrorizada pela possibilidade de repetir erros do passado. Sua dor é expressa em frases contundentes:

“Todos os homens da minha vida falharam comigo.”

“Acontece que eu não conheço Larry tão bem como pensava.”

“Mentiras e segredos não são bases sólidas para um casamento — veja a minha situação.”

Essas palavras não vêm de possessividade, mas de trauma acumulado. Marian tenta proteger a si mesma de mais uma devastação.

Crise e possível separação

As sinopses dos episódios indicam tensão crescente. Larry retorna do Arizona com boas notícias profissionais, mas também com problemas pessoais. No episódio final, Marian é descrita como alguém que luta para seguir em frente — expressão que sugere fortemente uma ruptura.

Esse desfecho seria coerente com sua evolução. Amar Larry não significa sacrificar sua segurança emocional. A decisão de se afastar pode ser a única forma de recuperar o controle sobre a própria vida.

“Marian luta para seguir em frente.”

Ela não está fria. Está desperta.

A complexidade emocional de Marian é o que a torna fascinante. Ela não é nem uma vítima trágica nem uma rebelde flamboyante, mas uma mulher tentando equilibrar amor, medo e dignidade em uma sociedade que pune a vulnerabilidade feminina.

Ela não exige perfeição de Larry, apenas honestidade. Recusa-se a romantizar o silêncio ou ignorar sinais de alerta. O que busca é transparência, mas um amor que não a deixe novamente desprotegida.

A atriz Louisa Jacobson afirmou que a temporada explora os “gatilhos” e a resiliência psicológica de Marian. Mesmo em sofrimento, ela permanece empática, apoiando amigos e familiares apesar do próprio caos emocional. Essa capacidade de cuidado a distingue de figuras mais calculistas ao seu redor.

O amor como escolha, não como destino

Marian pode terminar a terceira temporada sozinha. Pode perdoar Larry — ou não. O mais importante é que a decisão agora é dela.

“Minha decisão está tomada” não é apenas uma frase dramática, mas uma declaração de autonomia. Para uma mulher em 1884, escolher a si mesma acima das expectativas sociais é profundamente radical.

Marian não está destruída.
Ela está desperta.
E, se essa lucidez exigir solidão, ela a enfrentará com dignidade — embora ainda reste a esperança de que esse caminho possa, um dia, levá-la de volta ao lado de Larry.


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