Desde sua estreia em The Gilded Age, Marian Brook representa mais do que uma jovem mulher tentando se situar em uma nova cidade. Ela encarna o desafio de se manter fiel a si mesma em um mundo onde convenções, reputações e alianças familiares muitas vezes sufocam o desejo individual.

Sua trajetória, de órfã desprotegida a mulher apaixonada e decidida, é uma das mais sutis — e dolorosas — construções da série criada por Julian Fellowes. Na terceira temporada, especialmente, Marian precisa enfrentar não só seus sentimentos, mas os traumas que a impedem de confiar no amor.
Se Marian saísse das imaginações de Edith Wharton ou Henry James, poderíamos temer por ela, mas mesmo que Fellowes goste de um final feliz, até chegar lá, haverá lágrimas. Sim ele nos deu o noivado de Marian com Larry Russell, mas será que eles chegam mesmo ao altar?
Parece que Bertha, que se opõe a união dos dois, nem vai precisar se preocupar ou envolver muito para separá-los…
A inocência da chegada e a primeira grande queda
Quando Marian chega a Nova York, no início da série, traz no rosto um misto de curiosidade e ingenuidade. Acaba de perder o pai, descobre que ele a deixou sem nada, e depende da generosidade das tias — Agnes e Ada — que mal conhece. Sua entrada no mundo da alta sociedade é abrupta, como se tivesse sido lançada num tabuleiro de xadrez sem saber as regras.
Mesmo assim, Marian não é uma vítima passiva. Ela questiona as restrições impostas às mulheres, deseja encontrar seu próprio caminho e é capaz de pequenos atos de rebeldia, como ajudar Peggy Scott ou resistir ao autoritarismo da tia Agnes. Mas sua doçura a torna vulnerável — especialmente no campo afetivo.

Sua relação com Tom Raikes, o advogado charmoso que a seduz com promessas de amor e liberdade, termina em traição. Ele a abandona para buscar um casamento vantajoso. Essa experiência marca Marian profundamente. Mais do que um coração partido, ela sai da história com um senso de alerta permanente: amar demais, confiar demais, expõe. E mulheres não têm o direito ao erro.
A segunda temporada: entre a autocensura e a esperança
Na segunda temporada, vemos Marian tentando se ajustar. Ferida por Raikes, ela se torna mais prudente. Ainda ousa: começa a dar aulas de pintura, algo malvisto pela elite, mas insiste. Ao mesmo tempo, aceita a corte de Dashiell Montgomery, um homem gentil, mas que ela não ama. A pressão para um casamento seguro, ainda que emocionalmente vazio, se insinua — e Marian quase cede.


É nesse intervalo entre a resignação e o desejo de liberdade que Larry Russell ressurge em sua vida. Desde o início, ele sempre esteve por perto: como amigo, confidente, testemunha de suas dores. Mas agora, Larry representa algo diferente. Ele é amor com intimidade, afeto com admiração mútua. Ele a vê como ela é, sem projetar.
Nos despedimos com o primeiro beijo entre os dois, nos enchendo de esperaça pela felicidade do casal.

A ascensão do amor e o surgimento da dúvida
Na terceira temporada, o romance entre Marian e Larry finalmente floresce. Eles se apaixonam de fato. A cena do noivado, segundo os próprios atores Harry Richardson e Louisa Jacobson, foi tão emocionante que ambos choraram entre os takes. Para Larry, o noivado é a coroação de um amor sincero e paciente. Para Marian, é um voto de fé: uma decisão de confiar novamente.
Mas a alegria dura pouco.
Logo no dia em que ficam noivos, Larry avisa que partirá em uma viagem de um mês ao Arizona para um projeto com o pai, após uma despedida de solteiro com “amigos”. Ele diz que é em um hotel, mas, na verdade, foi em um bordel. E como ele esbarrou com Maud Beaton, a mulher que deu o golpe no primo de Marian, Oscar, ele ficará rapidamente exposto por ter mentido para a noiva no primeiro segundo do compromisso dos dois. Bola fora de Larry.

Até agora sempre positiva, Marian expressa desapontamento de que Larry não jante com ela uma vez que também está para viajar por um mês à trabalho. Ela sabe que Bertha Russell, mãe de Larry, é contra o casamento dos dois e talvez até por isso mesmo, Marian já sente o afastamento como ameaça. Quando descobre por meio de Oscar que essa “despedida” ocorreu em um bordel veremos uma Marian desconhecida até aqui: passional, insegura e muito revoltada.
Nada disso é, objetivamente, infidelidade. Mas para alguém como Marian, que foi enganada antes, as omissões têm peso de traição. Pior: ela também já tinha descoberto, novamente por Oscar, que Larry teve um caso com uma viúva em Newport — algo que ele nunca contou em detalhes. Ainda que no século 19 homens não falassem sobre isso com suas noivas, a omissão machuca. Afinal, ele sabe de Tom Raikes.


A partir daí, Marian entra em colapso emocional contido. E verbaliza isso com frases duras nos trailers:
“Todos os homens da minha vida falharam comigo.”
“Acontece que eu não conheço Larry tão bem como pensava.”
“Mentiras e segredos não são bases sólidas para um casamento — veja a minha situação.”
Essas falas não são de alguém possessiva ou irracional. Elas vêm de alguém que carrega cicatrizes abertas. E que está tentando, acima de tudo, proteger a si mesma.
As sinopses e o colapso final
As sinopses dos episódios 7 e 8 confirmam que o desfecho será tenso. No episódio 7, Larry retorna de Arizona com uma “descoberta promissora”, mas recebe uma “notícia perturbadora”. Essa revelação pode ser profissional — mas também pode ser algo que abale o relacionamento.

Já no episódio final, intitulado “My Mind is Made Up” (“Minha decisão está tomada”), a descrição é clara:
“Marian luta para seguir em frente.”
Isso sugere que o noivado se rompe. Que Marian, após mais uma decepção, decide não continuar. E que, mesmo apaixonada, escolhe seguir sozinha — por sobrevivência emocional. É o fim de um ciclo, mas talvez o começo da maturidade.
Ela não está fria. Está desperta.
A beleza da escrita de Marian Brook está em sua complexidade emocional. Ela não é uma heroína trágica nem uma rebelde espetacular. Ela é uma mulher tentando equilibrar o amor, o medo e a ética em uma sociedade que punia mulheres por qualquer escolha fora do script.
Ela não exige perfeição de Larry. Mas exige respeito emocional. Não quer romantizar omissões. Não quer repetir o passado. Quer verdade. Transparência. Um amor que não a deixe, mais uma vez, desamparada.
Louisa Jacobson disse em entrevistas que nesta temporada veremos mais dos “gatilhos” e “traumas” de Marian — e que, mesmo em meio à dor, ela permanece uma campeã das pessoas ao seu redor. Isso se confirma: mesmo em crise, ela estende empatia a Oscar, a Peggy, a Agnes e até a estranhos. Isso a diferencia: ela não se fecha. Ela tenta ser justa, mesmo quando está em pedaços.

O amor como escolha, não como prisão
Marian Brook talvez termine a terceira temporada sozinha. Talvez decida romper com Larry. Talvez perdoe. Mas o mais importante é que, agora, ela é quem escolhe. Não sua tia. Não a sociedade. Não um homem com promessas vagas.
Seu “My mind is made up” não é apenas uma frase. É uma declaração de existência. E para uma mulher em 1884, isso é radical.
Marian não está quebrada. Está desperta.
E se isso significa caminhar sozinha — que seja com a cabeça erguida. Mas eu espero que seja ao lado de Larry.
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