Nunca fui exatamente fã da voz do Ozzy, mas seria impossível ignorar o tamanho da figura que ele representava. Vi Ozzy Osbourne duas vezes no palco — e, mesmo com as reservas que eu tinha quanto ao timbre, saí das duas apresentações impressionado com o que ele ainda conseguia entregar. Havia um magnetismo difícil de explicar, uma presença de palco que parecia desafiar os limites do corpo que o carregava.
Porque o corpo já estava fragilizado há muito tempo. As quedas, o Parkinson, as cirurgias… nos últimos anos, Ozzy parecia lutar contra o próprio tempo. E ainda assim, voltou, voltou e voltou de novo. Reinventou-se inúmeras vezes, seja com o Black Sabbath, seja na carreira solo, seja nas colaborações improváveis ou até mesmo como uma figura pop involuntária com o reality show familiar. Era um sobrevivente — no rock, na vida e na indústria.

Sua turnê de despedida com o Black Sabbath, “The End”, foi simbólica: não apenas por reunir os fundadores do heavy metal em seu adeus, mas por mostrar que, mesmo sob o peso de tantas décadas (e tantos excessos), havia ainda um ritual a ser cumprido. E ele cumpriu. O riff de “Iron Man”, o peso de “Paranoid”, o culto ao som sombrio que nasceu ali com eles — tudo isso sobreviveu. E isso se deve, em grande parte, à figura que Ozzy construiu, errática e teatral, mas essencial.
Ozzy não foi um cantor que eu amei. Mas foi um artista que eu respeitei. E um símbolo que vai continuar ressoando, com ou sem microfone na mão.
Descanse em paz, Príncipe das Trevas.
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