The Buccaneers: penúltimo episódio é avalanche de traições

Como já virou tradição, abro o recap da semana de The Buccaneers com um desabafo.

Resisto bravamente para não desistir da série, mesmo já tendo entendido que tudo o que a Apple TV+ queria era um título de prestígio e alguns nomes de personagens para vender uma adaptação “moderna” de um livro incompleto, pouco conhecido e muito distante de ser um clássico — escrito por uma autora vencedora do Pulitzer, Edith Wharton. The Buccaneers virou um rótulo vazio. E, por mais que se diga que essa versão (que estranhamente ganhou uma segunda temporada) seja uma espécie de Bridgerton, a verdade é que se aproxima mais de Gossip Girl — no século 19.

A confirmação veio com a revelação de que a mãe biológica de Nan Saint George é interpretada por ninguém menos que Leighton Meester, a eterna Blair Waldorf — uma escolha 100% inventada para a série, mas que faz tudo fazer mais sentido… e perder ainda mais valor.

The Buccaneers claramente não é voltada para mim, então assisto desconectada, aceitando o dramalhão. Mas mesmo assim, assistir exige energia. Ainda bem que esse é o penúltimo episódio.

All Rise se passa algumas semanas após a tragédia em que Lord Seadown, James, atira no próprio irmão, Richard, que tentava ajudar a outra insuportável, Jinny, a fugir. Conchita, como sempre, está em um estado de histeria feliz, brincando com a filha e ignorando todo mundo que ainda está de luto. Recusa-se a chorar, a lidar com a sogra ou sequer olhar para Jinny. Para ela, a melhor forma de homenagear seu marido é manter-se alegre e seguir com a vida ao lado da filha deles.

Esse impasse se arrasta por boa parte do episódio, repetindo confrontos, até que, em uma cerimônia em homenagem a Richard na escola onde ele estudava, Conchita finalmente desaba. Ela lembra, emocionada, das qualidades do marido por quem era profundamente apaixonada — e que foi tirado dela de forma trágica e precoce. Jinny, claro, chora e tenta mais uma vez conversar com a amiga. E é nesse momento que finalmente chega a hora das irmãs Saint George ouvirem umas boas verdades.

Conchita não poupa Jinny: culpa sim pela morte de Richard — não por ter fugido de um marido abusivo, mas por sempre fazer o que quer, quando quer, sem ouvir ninguém. Foi essa irresponsabilidade que a levou a cair na armadilha de Seadown, obrigando Richard a tentar salvá-la — e a ser morto no processo. Conchita se tornou viúva, a filha virou órfã, e nenhuma desculpa muda isso. Jinny sentiu o golpe? Nem um pouco. As Saint George entram e saem de cena causando problemas para todos ao redor. Mas, eventualmente, Conchita e Jinny fazem as pazes. Afinal, como concunhadas, estão condenadas a conviver.

Nos Estados Unidos, Patricia Saint George está no meio de um divórcio escandaloso com seu marido mulherengo, e a presença de sua filha, agora Duquesa de Tintagel, vira assunto dos jornais. Nan já percebeu que sua “tia” Nelle — a quem acaba de conhecer — é, na verdade, sua mãe biológica. Ela tenta criar oportunidades para que a verdade seja dita, mas Nelle se cala. Casada e grávida, ela provoca em Nan um ressentimento ainda maior.

O processo de divórcio é um show de horrores para Patti, que precisa provar os constantes adultérios do marido. Mesmo tendo razão, ela sofre para ser ouvida. Nan depõe como testemunha: afirma ser filha ilegítima do Coronel Tracy Saint George, mas como não sabe quem é sua mãe, o depoimento se volta contra ela. Insinuam que Patti mentiu, e que a própria Nan desconhece sua origem. Nada poderia ser mais baixo. E o Coronel, além de não defendê-la, ainda sustenta que nada pode ser provado. Nan, claro, sai dramaticamente da sala — seu movimento favorito. E, do lado de fora, quem aparece em Nova York para consolá-la? Sim, Guy está lá.

Ao som de Lover, de Taylor Swift, eles revivem o momento em que se conheceram e passeiam anonimamente pela cidade, apaixonados. De volta para casa, Nan confronta Nelle, que finalmente admite ser sua mãe, mas diz que não irá testemunhar. Nan reage como sempre: despeja julgamentos e acusações. Só que, desta vez, Nelle não se cala. Seguindo a linha de Conchita, ela devolve verdades duras: Nan nunca sofreu, nunca foi humilhada, nunca perdeu tudo — muito menos uma filha — para dar à criança uma chance real de vida. Mimada, agressiva e arrogante, Nan precisa crescer antes de achar que pode falar como falou.

Mais uma vez, como Jinny, Nan não assimila nada. Mas Nelle, com pena de Patti, conversa com o marido e decide testemunhar. Patti vence o processo, o divórcio é concedido e o repulsivo Coronel sai de cena. Menos um homem podre no mundo.

De volta à Inglaterra, Hector ainda sofre por ter sido abandonado no altar por Lizzy, e percebe que há algo entre ela e Theo. A Duquesa Viúva de Tintagel (mãe de Theo) está vivendo com o pai de Hector, e não consegue contato com o filho, ainda ressentido por ter sido enganado. Mas eles eventualmente se reencontram. Theo a acusa de ter destruído sua chance de felicidade: se Nan tivesse ficado com Guy, ele sofreria, mas estaria livre. Agora que ama Lizzy e é correspondido, não pode ser feliz.

Nan, por sua vez, continua sua escalada de desgraças. Descobre que Lizzy é amante de seu marido. Mas como está com Guy, encara com indiferença. Isso dura pouco: logo em seguida, Guy a apresenta à sua esposa. Sim, ele é casado. Toma essa, Nan.

Semana que vem, termina a tortura com um baile e a promessa de que mais segredos virão à tona para magoar Nan. Sério mesmo, alguém paga uma passagem de ida sem volta da Nan para o inferno?


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2 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de Diego Diego disse:

    Assistir The Buccaneers e The Gilded Age, ao mesmo tempo é uma experiência única haha Apple tem produzido séries e minisséries, acima da média, porém eles erraram muito em tentar alcançar o público jovem/séries históricas com essa série. A história de noivas americanas casando por prestígio de um título e salvando nobres falidos. Não foi bem desenvolvida. É, tudo muito jogado, e tem cenas constrangedoras. Eles não mostararem a resolução da Lizzy e Hector, na Igreja foi gota d’água para mim. Se for cancelada não sentirei falta!

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    1. Concordo! No meu hate-watch tenho essa torcida, mas suspeito que consideram a série um sucesso…
      Já The Gilded Age, que perfeita! Equilibra dramalhão com fatos e o anacronismo é suave, dá para passar

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