The Gilded Age: o que esperar da próxima temporada

O fim da intensa 3ª temporada de The Gilded Age viu a série virar um fenômeno mundial e ganhar fôlego para pelo menos mais uma temporada. Qualquer gravação só deve começar em 2026, portanto as chances de vermos alguma coisa no ar antes de 2027 é improvável. Por isso, só podemos especular.

Mas quem não gosta desse esporte favorito da Internet?

Se a série mantiver seu pulso firme no coração da década de 1880, podemos imaginar que reencontraremos todos pelo menos alguns meses à frente (se pularem anos teremos Gladys certamente com mais de um filho). Por isso, acredito que como vimos o anos 1883, devemos avançar até 1884 ou 1885, isso vai ser ótimo para aprofundar os conflitos e dramas que já conhecemos, sem perder a riqueza do contexto histórico. Afinal, são anos cruciais para a alta sociedade nova-iorquina, onde o embate entre a velha aristocracia e os novos magnatas do capitalismo ainda está vivo e cheio de faíscas.

Marian Brook, ainda naquela busca de autonomia que sempre foi seu fio condutor, vai se deparar com um cenário onde o papel da mulher começa a ser questionado — ainda que de forma sutil e restrita, principalmente nas camadas mais privilegiadas. O movimento sufragista ganhava terreno, e causas femininas começavam a atrair olhares mais atentos, mesmo que a verdadeira revolução estivesse ainda por vir. A história real daquele momento mostra que mulheres como Marian, que desejam algo além do esperado, precisam navegar entre convenções sociais e suas ambições pessoais. Isso cria uma tensão rica para seu arco, especialmente se, como se imagina, ela e Larry Russell oficializarem a união já no início da temporada. O casamento não será apenas a união de dois personagens, mas a fusão simbólica entre o dinheiro novo da família Russell e o desejo de uma elite que ainda não sabe como lidar com as mudanças do século 19.

Larry, por sua vez, se encontra no olho do furacão econômico que varre os Estados Unidos naquele período. As minas de cobre exploradas pelos Russells são mais do que uma simples fonte de renda — elas representam a nova fronteira da industrialização, o braço tecnológico e financeiro que começa a dominar o país. Em 1884-1885, a economia americana está crescendo aceleradamente, mas já exibe sinais de tensão, principalmente no setor financeiro e nas disputas entre grandes monopólios. Larry se torna protagonista não só por seu envolvimento nos negócios, mas também pela investigação do atentado contra George — um mistério que encarna as batalhas brutais e silenciosas que ocorrem nos bastidores do poder. Esse enredo é um reflexo do ambiente real da época, onde a corrupção e as traições políticas eram moeda corrente, e o crescimento econômico andava lado a lado com intrigas mortais.

Peggy Scott e Dr. Kirkland formam um núcleo que conecta diretamente a trama social com as lutas raciais e de gênero da época. Casados, eles representam o que poderia ser uma pequena revolução pessoal: uma mulher negra, determinada e cada vez mais influente, enfrentando o machismo e o racismo arraigados na sociedade americana. Em 1884-1885, o país vive um momento delicado para os direitos civis dos afro-americanos, principalmente com o fim da Reconstrução décadas antes e o crescimento das leis segregacionistas no Sul, enquanto no Norte as barreiras sociais permanecem rígidas. O jornalismo, meio pelo qual Peggy busca sua voz, começa a emergir como ferramenta de crítica social e engajamento — e a série pode explorar isso brilhantemente ao mostrar como sua luta não é apenas pessoal, mas simbólica e política.

George Russell, ainda lidando com a recuperação física e emocional do atentado contra sua vida, vive um cenário político complexo. A eleição de Grover Cleveland em 1884, primeiro presidente democrata pós-Guerra Civil, sinalizava uma tentativa real de reformar a política americana, especialmente a corrupção institucionalizada em cidades como Nova York. Cleveland era conhecido por sua campanha anti-corrupção e sua luta contra o sistema de clientelismo que o Tammany Hall representava. George, imerso nos negócios familiares e na política local, certamente sente esse vento de mudança — e precisa decidir como reagir. Sua relação com Bertha, já desgastada pela superficialidade dela, ganha contornos de crise pessoal e simbólica, que espelham as tensões da elite: o que vale mais, o amor ou o poder?

Bertha Russell é, talvez, o personagem com o arco mais fascinante para essa fase. Assim como a verdadeira Alva Vanderbilt, que na vida real se cansou da superficialidade e abraçou causas filantrópicas e políticas, Bertha pode dar a grande virada da temporada. Em meio às mudanças políticas e sociais que sacodem Nova York, Bertha começa a questionar sua própria vida, sua ambição e seu papel na alta sociedade. Essa transformação é poderosa porque humaniza a “antagonista” e revela o potencial de reinvenção, tão presente na Era Dourada. A cena social de Nova York naquele momento também vivia essa contradição: ostentação por um lado, caridade e reformas por outro — e Bertha pode ser a ponte entre esses mundos.

Oscar e Turner, por sua vez, vivem na tênue linha entre manter as aparências e assegurar seu lugar na sociedade, num tempo onde a pressão por status é intensa e implacável. Eles representam as famílias que precisavam jogar as cartas certas para sobreviver, entre alianças discretas e pequenas manobras, num ambiente marcado por competição feroz e máscaras sociais.

Agnes Van Rhijn e sua filha Ada, guardiãs da velha aristocracia, começam a se ver diante de um dilema real: resistir a todo custo ao dinheiro novo ou aprender a negociar para não perder tudo. Em 1884-1885, o “dinheiro antigo” já percebia que a mudança era inevitável, e mesmo figuras rígidas começavam a abrir pequenas janelas para a modernidade — ainda que de forma relutante. Essa dinâmica familiar é ótima para aprofundar a tensão entre tradição e adaptação.

Jack, o inventor, é o símbolo vivo da modernidade que avança. O período é marcado por invenções que começam a transformar a vida urbana, especialmente em Nova York, uma cidade que estava sendo iluminada pela eletricidade, com telefones se tornando mais comuns e uma indústria que crescia a passos largos. Sua ascensão social e possíveis alianças pessoais ilustram o sonho americano — e também o impacto que a inovação tecnológica tem sobre uma sociedade que ainda tenta se encontrar entre o passado e o futuro.

Gladys e Hector, embora distantes na Inglaterra, representam a extensão global da Era Dourada, com suas conexões transatlânticas, alianças políticas e sociais. A Inglaterra vivia seu próprio momento de poder imperial e transformações sociais, e seus vínculos com Nova York são parte importante do enredo que une dois mundos em mudanças.

Finalmente, a cena de abertura ideal da temporada, com os casamentos de Marian e Larry, Peggy e Dr. Kirkland, e Oscar e Turner, é mais do que um momento social — é uma celebração da união entre tradição e transformação, poder e desejo, que define a Era Dourada. Cada uma dessas uniões carrega tensões, expectativas e possibilidades que se desenrolam num período onde a política de Grover Cleveland tenta impor ordem e ética, enquanto as cidades como Nova York vivem uma expansão urbana explosiva, alimentada por imigração, industrialização e inovações tecnológicas.

Essa mistura de tramas pessoais profundas com a pulsação da história real cria o terreno perfeito para uma temporada que promete ser intensa, sofisticada e relevante — porque, afinal, o que move a série é exatamente essa dança entre o passado que resiste e o futuro que avança, dentro e fora das casas de mármore da alta sociedade. Vamos acompanhar!


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