Como publicado no Blog do Amaury Jr./Splash UOL
A imprensa britânica parece que anda cansada de falar de Meghan Markle e do príncipe Harry e, nas últimas semanas, voltou sutilmente suas atenções para outro alvo: os “sumidos” príncipe William e Kate Middleton. O casal herdou casas e mais casas — Kensington Palace, Anmer Hall, Adelaide Cottage — e agora prepara mais uma mudança, desta vez para o Forest Lodge, em Windsor. A aposta é que essa será a residência “permanente” da família, mesmo quando William subir ao trono. Motivo? Eles não querem viver no Palácio de Buckingham. E não são os únicos.
O palácio, embora símbolo máximo da monarquia britânica, nunca foi unanimidade entre seus moradores. A rainha Elizabeth II cumpriu o protocolo por décadas, mas preferia Windsor ou Balmoral. Charles III já disse em voz alta o que muitos pensam em voz baixa: Buckingham é um prédio frio, antigo, pouco acolhedor. O que pesa a favor dele não é o conforto, mas a localização estratégica: no coração de Westminster, a poucos minutos do Parlamento e da Abadia, cercado de um imenso jardim murado de 17 hectares — um oásis de privacidade no meio de Londres.

A origem da residência remonta a 1703, quando John Sheffield, 1º Duque de Buckingham e Normanby, ergueu uma mansão elegante na então periferia da capital. Não se trata de George Villiers, o duque famoso como amante do rei James I, mas de outro Buckingham, menos sedutor e mais político. Foi o rei Jorge III quem, em 1761, comprou a propriedade para dar de presente à esposa, a rainha Charlotte. Por décadas, a casa ficou conhecida como Queen’s House e, inclusive, aparece (com alguma licença poética) na série Rainha Charlotte, da Netflix.
Antes disso, os monarcas tinham outros endereços principais: o imenso Palácio de Whitehall, destruído por um incêndio em 1698; o Palácio de St. James, ainda hoje considerado a corte oficial; além de Windsor e Kew, que Jorge III preferia por serem mais tranquilos. Foi só com a rainha Vitória, em 1837, que Buckingham se tornou residência oficial dos soberanos britânicos.


Porém, o desconforto sempre esteve presente. São mais de 770 quartos, 92 escritórios e 78 banheiros, distribuídos em alas que mais parecem labirintos. E como se não bastasse a escala monumental, o palácio sofre com problemas bem pouco majestosos: infestação de ratos (como mostrado em The Crown), sistemas elétricos e hidráulicos antiquados e infiltrações constantes.
Desde 2017, Buckingham passa por a maior reforma de sua história recente, orçada em cerca de £369 milhões. A ideia é substituir toda a fiação elétrica, encanamento e sistemas de aquecimento — alguns datados da Segunda Guerra. A renovação está prevista para ser concluída em 2027, e a expectativa é que o palácio reabra em pleno funcionamento, modernizado, mas sem perder o esplendor histórico. Até lá, muitas alas permanecem interditadas, e Charles divide seu tempo em outras residências.
Mesmo assim, Buckingham mantém seu peso simbólico. Foi dali que se anunciaram mortes de monarcas, casamentos reais e nascimentos históricos. A varanda da fachada é palco das aparições mais emblemáticas da realeza, do final da Segunda Guerra ao casamento de William e Kate.
Ainda assim, a pergunta persiste: se os reis não gostam de morar ali, por que insistir? Porque Buckingham já não pertence tanto à família real, mas ao imaginário coletivo. Ele é menos lar e mais vitrine, menos aconchego e mais palco — e, como todo grande palco, não depende de seus atores o amarem, mas de estarem lá quando a cortina sobe.
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