24 Horas, Duas Negativas: O Futuro dos Irmãos Menendez

Vinte e quatro horas depois de Erik Menendez ter sua condicional negada, foi a vez de Lyle ouvir a mesma resposta. Para a Justiça da Califórnia, a percepção sobre os dois não mudou. Ainda. A decisão já era previsível após a primeira recusa, mas não deixa de surpreender diante da massiva campanha cultural e midiática que buscava reposicionar a imagem dos irmãos.

Por um tempo, houve a sensação de que a série da Netflix poderia inverter o olhar do público. O resgate das cartas, os depoimentos sobre abusos e a força narrativa da produção deram voz a uma versão em que Lyle e Erik deixariam de ser apenas “frias máquinas de matar” e passariam a ser vistos como vítimas de um lar violento. Mas a realidade jurídica foi outra: em agosto, ambos tiveram a liberdade condicional negada.

No caso de Erik, pesaram as infrações na prisão, como o uso de celulares e drogas, além da dificuldade em demonstrar empatia — especialmente em relação à mãe. Lyle, por sua vez, foi considerado menos problemático no cotidiano carcerário, mas também apontado por apresentar traços antissociais e falta de transparência. Em resumo, a comissão concluiu que os dois ainda representam risco, e só poderão reaplicar pela liberdade em três anos. Até lá, resta às defesas insistirem em alternativas como pedidos de clemência ao governador da Califórnia ou a tentativa de um novo julgamento com base em evidências que não foram consideradas nos anos 1990.

Essa tensão entre narrativa cultural e realidade judicial ganha ainda mais força quando se coloca em paralelo com o caso de Bryan Kohberger, condenado pelo assassinato de quatro estudantes em Idaho. O acordo feito pela promotoria — retirando a pena de morte em troca de prisão perpétua sem condicional — gerou críticas públicas: muitos apontaram que, se fosse como no caso Menendez, daqui a 30 ou 40 anos também poderia haver pedidos de revisão. Essa comparação pode ter pesado no ar político e jurídico. Conceder a liberdade agora teria soado como um atalho perigoso, um precedente que enfraqueceria a promessa de que certos crimes não terão retorno.

Enquanto o caso Menendez tenta se reposicionar como uma tragédia familiar marcada pelo abuso, Kohberger cristaliza o arquétipo do assassino metódico, distante, quase desumanizado. O contraste é brutal. E talvez por isso a comoção com a história dos irmãos não tenha sido suficiente para sensibilizar a justiça: num mundo em que novos “monstros” surgem na imprensa e nos tribunais, como Kohberger, fica mais difícil acreditar que Lyle e Erik possam um dia ser vistos sob uma lente de humanidade..


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