Os fãs de Game of Thrones sabem bem o que significa enfrentar uma “longa noite”. No universo de George R. R. Martin, trata-se de um inverno excruciante, que parece nunca ter fim e deixa todos em estado de alerta e incerteza. Pois é exatamente essa sensação que a HBO vem impondo ao seu público: uma espera gelada, lenta e indefinida.

No caso de House of the Dragon, a terceira temporada ainda está longe de ver a luz do dia. Como revelou Olivia Cooke em uma entrevista recente, as filmagens só terminam em outubro de 2025. Se seguirmos o cronograma da temporada anterior — que encerrou gravações em setembro de 2023, mas só estreou em junho de 2024 — é realista imaginar que novos episódios só cheguem entre outubro e novembro de 2026. Ou seja, dois anos inteiros de intervalo. Um padrão que parece contradizer os velhos tempos em que Game of Thrones entregava dez episódios por ano sem falhar, ao menos até a reta final.
Enquanto isso, Um Cavaleiro dos Sete Reinos — adaptação das histórias de Dunk & Egg, queridinha do próprio Martin — permanece guardado a sete chaves. Nenhum teaser, quase nenhuma imagem e um véu de mistério. E aqui mora uma certa insegurança: a série estaria pronta há mais de um ano, com previsão inicial de estreia no começo de 2025, mas foi adiada para 2026. Tudo indica que a HBO está segurando o lançamento de propósito, para aliviar a longa ausência de House of the Dragon. O problema é que também circulam rumores de regravações — e isso, como todo fã de televisão sabe, nunca é um bom sinal.

Ainda assim, comenta-se que a produção já teria duas temporadas garantidas antes mesmo da estreia, o que dá fôlego para se tornar a ponte entre os hiatos cada vez mais extensos de House of the Dragon.
A verdade é que a estratégia de programação da HBO parece (quase) clara: alternar títulos entre anos pares e ímpares, mesclando novidades e franquias já consolidadas. Em 2025, por exemplo, vimos The Gilded Age, The White Lotus e And Just Like That segurando a grade com público cativo, prêmios e elogios críticos.
Mas o equilíbrio é frágil: And Just Like That foi cancelada em sua quarta temporada, justamente quando deixou de performar. Isso significa que, em 2027, a HBO terá de preencher esse espaço com algo novo. Já The Gilded Age e The White Lotus seguem com temporadas confirmadas (sendo que The White Lotus deve se encerrar), mas só devem começar a gravar em 2026, o que empurra suas estreias para meados de 2027. Até lá, o espaço será ocupado por estreias inéditas e, claro, pelo retorno ao universo de Westeros.



A verdade é que a “longa espera” virou não apenas uma consequência logística, mas também parte da estratégia. Esticar os intervalos significa prolongar a vida útil da saga, manter a expectativa acesa e consolidar o “universo Game of Thrones” como um dos pilares bilionários da Warner Bros., ao lado de Harry Potter e da DC. O risco, porém, é que o gelo pode ser traiçoeiro: quanto mais se alonga, maior a chance de esfriar o entusiasmo.
Eu arriscaria dizer que a equação da HBO é clara: Um Cavaleiro dos Sete Reinos em junho de 2026 e House of the Dragon no fim do mesmo ano. Até lá, resta aos fãs fazer o que já aprenderam com Westeros — suportar os invernos, esperar pela primavera e torcer para que a recompensa valha o frio da travessia.
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